Foi diretor criativo da McCann no Brasil, mas hoje está à frente da AdsYeah!, uma start-up portuguesa sediada em Braga. Ao Link To Leaders, Rodrigo Pimenta falou da plataforma online destinada a criar publicidade para meios impressos e como pretende revolucionar o mundo da publicidade imprensa.

O empreendedor brasileiro escolheu Braga para desenvolver e estabelecer um conceito que trazia do Brasil, depois de ter recebido referências de programadores saídos da Universidade do Minho. Esteve muito perto de se estabelecer em São Francisco, mas, influenciado por um amigo professor, viajou até cá, fez algumas entrevistas e acabou por ficar.

Como surgiu a AdsYeah!?
A AdsYeah! surgiu da necessidade que alguns conhecidos meus, pequenos empresários, tinham de ter publicidade técnica e de qualidade, para divulgar os seus produtos e serviços, a um valor compatível com os seus orçamentos que, como acontece com quase todas as micro e pequenas empresas, eram baixos. Eu, como empresário do ramo de comunicação, acabei por colaborar pontualmente com alguns desses amigos que estavam a iniciar novos negócios e percebi que havia ali um mercado em potência.

Entre São Francisco e Braga, escolheu esta última cidade para desenvolver e estabelecer um conceito que trouxe do Brasil. O que pesou nesta tomada de decisão?
Há anos que era um projeto de vida pessoal morar fora do meu país, durante um certo período. Braga foi uma grande surpresa que surgiu aos “92 minutos da segunda parte”. Realmente, já estávamos totalmente virados para São Francisco, por todas as características que o ecossistema do Vale do Silício oferece. No entanto, por indicação de um amigo brasileiro, professor da Universidade do Minho, sobre a qualidade da formação dos recentes alunos, acabei por vir para cá implantar uma base que, inicialmente, seria apenas para auxiliar a equipa no Brasil. No entanto, os resultados foram tão bons e adaptei-me tão bem, que acabei por ficar. Há três anos que vivo com a minha família em Braga.

No que é que Portugal é tão diferente do Brasil, em termos de empreendedorismo?
Sinto que Portugal está a querer mudar e a abrir-se mais para o mundo competitivo. Ainda há todo um processo por realizar, mas acredito que avance com o tempo.

Como caracteriza o ecossistema empreendedor português?
Estou aqui há cerca de 4 anos e, como disse, vejo que está a melhorar, em busca de novas oportunidades e desafios, e a assumir uma nova postura. Como vim com o meu próprio investimento, pois tenho outras empresas bem-sucedidas no Brasil, não sei a fundo como funcionam os incentivos. Vejo que o Estado quer ajudar a criar um ambiente propício, mas parece-me que ainda cai no erro de assumir muitas posições na cadeia produtiva do processo, o que, do meu ponto de vista, não é o ideal. O importante é ensinar a pescar e não apenas dar o peixe.

O que a AdsYeah! traz de novo ao mercado?
A AdsYeah! é uma aplicação do conceito “Faça Você Mesmo” na publicidade, dentro de uma lógica que beneficia todos os envolvidos – anunciantes, veículos de comunicação e consumidores. Trata-se de uma plataforma inovadora para a criação de anúncios de publicidade impressa e que disponibiliza online milhares de templates em vários formatos, já específicos para montagem rápida de anúncios e publicidades em alta definição. Isso sem ser necessário conhecimento técnico, nem a instalação de softwares ou aplicativos, porque todo o sistema se encontra na Cloud.

É a resposta a uma procura mundial que passa pela contínua utilização de processos gráficos impressos, como elemento de divulgação dos negócios, sejam eles produtos ou serviços. Modelos de anúncios para jornais, revistas, panfletos e folhetos, já pré-prontos e disponibilizados no formato correto, em alta resolução para impressão final. Conta ainda com um Banco de imagens gratuito, um conversor de DPI’s que transforma, em poucos segundos, imagens de baixa para alta resolução, um editor de efeitos para imagens e um Guia de Media completo, com os contactos dos principais jornais e revistas de vários países do mundo. Tudo isto numa única plataforma. É esta quebra de paradigma que o AdsYeah! representa.

Com a crescente aposta nos meios digitais por parte dos órgãos de comunicação social, o que levou a AdsYeah! a apostar nos meios impressos?
Ouço dizer desde 1995, quando surgiu a Internet comercial, que o formato impresso vai acabar. Mas já lá vai um quarto de século! Durante este longo período, a forma como se produzem os meios impressos também mudou e se desenvolveu. De certa forma, até se digitalizou, aumentando a qualidade e reduzindo consideravelmente os custos de impressão e do processo produtivo. Houve então uma adaptação natural do formato impresso e também dos seus leitores, durante esse mesmo período, após o nascimento da Internet.

Com a exceção dos grandes jornais e revistas nacionais e internacionais, os veículos regionais continuam fortes nas suas versões impressas. E um detalhe: em grandes países do mundo, como China e Índia, os jornais impressos continuam a crescer em tiragem. Tendemos a olhar apenas à nossa volta, o que é muito perigoso. A AdsYeah! foi criada e desenhada para ser mundial e foi isso que prolongou, durante mais algum tempo, o seu desenvolvimento. Estamos a falar de um mercado de 2,5 mil milhões de leitores regulares, somente de jornais impressos, sem contarmos as revistas. É um belo mercado para o nosso sistema.

Por outro lado, há que levar em consideração que grande parte dos investimentos dos órgãos de comunicação social nos meios digitais em todo o mundo provém dos lucros e bons resultados dos formatos impressos. Veja que são muitos os casos em que os órgãos, após o período inicial de sua versão digital, se viram obrigados a juntar essas equipas de reportagem de digital com o analógico (batizadas de centrais multimedia de jornalismo), pois viram que uma estrutura digital sozinha não cobria o investimento. São poucos os sites informativos rentáveis, que vivem exclusivamente do digital.

Qual o público-alvo da vossa plataforma online?
PME’s em geral, associações, sindicatos, notários, condomínios, autarquias. Mas temos notado muita utilização por jovens universitários, para promoção de festas, palestras e eventos em geral.

De que forma a AdsYeah! poderá ajudar os meios impressos, quer nacionais quer regionais, a conseguirem publicidade com muito maior facilidade?
Por ser uma plataforma que disponibiliza layouts por um custo baixo, passamos a ser um incentivador, não apenas do mercado anunciante, mas da microeconomia como um todo. Isso tanto no interior, quanto nos grandes centros urbanos, pois, quando se optimiza e reduzem custos, promovem-se mais produtos e aumenta-se a possibilidade de vender mais, de gerar mais rendimento e até mais empregos. É todo um ciclo que nasce e que se auto alimenta. E isso só é possível, pois consideramos, desde o início, o nosso mercado como global. Ainda não há quem faça o que fazemos com tanta qualidade e tantos aplicativos numa só plataforma. Estamos a fazer a ponte entre os pequenos negócios e o mercado de divulgação e, por consequência, o mercado consumidor.

Considera que o papel tem os dias contados?
Não, e posso dar um exemplo simples e muito recente. Estivemos presentes há cerca de duas semanas no Web Summit, o maior evento de negócios de tecnologia e Internet que existe. E digo que há muito tempo que eu não recebia tantos panfletos, folhetos e papéis. Tanto nas ruas em volta do local do evento, como dentro dos pavilhões. A grande maioria publicitava empresas digitais e de tecnologia. Penso que a retórica dos dias contados para o papel nos faz retroceder às velhas máximas de que “a Rádio mataria o Jornal, a Televisão mataria a Rádio e o Cinema, a TV por cabo mataria a Televisão aberta”, enfim… Nada disso aconteceu!

A cada um cabe papel específico que, com o tempo, se adequa. A media impressa está a atualizar-se, a adaptar-se e possui características que só ela tem: a relevância, o conteúdo, a portabilidade e o baixo custo. Pode levá-la para qualquer canto e utilizá-la sem precisar de pagar valores altos por equipamentos ou dispositivos móveis.

Há anos que a imprensa enfrenta um complexo desafio de negócio. Em meados da década passada, não faltava quem fizesse gráficos a mostrar como a queda das receitas publicitárias das edições impressas seria compensada pelo crescimento dos anúncios online. Essas perspetivas acabaram goradas. Hoje, o Google e o Facebook, que têm uma inigualável capacidade para vender publicidade direcionada, ficam com uma grande fatia do mercado digital com que em tempos os jornais sonharam. Não estarão as empresas a mudar o seu investimento publicitário do papel para o digital, tendo em conta que, neste último, os custos são mais reduzidos?
Antes de mais, temos que separar o que mencionou em dois grupos. O primeiro grupo é o dos geradores, que são os jornais que possuem uma equipa de jornalistas e fotógrafos que vão a campo, levantam as informações, enfim, são os que realmente apuram os factos e escrevem as notícias, geram a reportagem de forma profissional. E, do outro lado, temos os agregadores de notícias, como Google, Msn, Yahoo e as redes sociais, por exemplo, que são os sites que apenas, através de variáveis, reúnem e filtram determinados agrupamentos de informações geradas pelas empresas jornalísticas mais diversas e as disponibilizam nos seus portais.

Eles não produzem conteúdo próprios, mas têm a sua importância, pelo facto de terem fontes diferenciadas e um público diversificado e imediatista que busca a notícia em tempo real, mas que, logo depois, procura um veículo impresso, para se aprofundar no conteúdo da informação. Na verdade, os meios completam-se, cada um com a sua relevância, porém com pesos distintos, num plano de comunicação.

A questão do jornal e revista impressa vai além do preço do anúncio. Está relacionada diretamente com a credibilidade. Os portais e perfis na rede também têm a sua importância e continuarão a ter. Serão responsáveis pela primeira notícia, mais genérica e rápida. O impresso, no dia seguinte ou no final de semana, contará toda a história real dos factos, investigará com mais afinco. Resumindo: o online é a capa do jornal ou da revista que te “puxa” para dentro; o impresso é o que carrega o conteúdo e dá a credibilidade.

Os custos de publicitar uma marca ou empresa no online são menores do que no offline. Como considera que poderá aliciar as empresas a utilizar esta plataforma?
Sem dúvida, o online democratiza em muito a comunicação e divulgação, e isso é muito bom. Mas são experiências distintas. A mensagem para o online não é retida pelo leitor da mesma forma que no formato impresso. Não se constroem marcas apenas no online. Existem pouquíssimas histórias de êxito comprovado. Se falarmos tecnicamente, é preciso fazer um “crossmedia” – um cruzamento de divulgação, utilizando-se os meios de comunicação, e com mensagens específicas para cada tipo de meio.

A credibilidade dos meios impressos é algo que não pode ser negado em nenhuma boa estratégia de comunicação e, pelos argumentos que mencionei nas respostas anteriores, não vejo um horizonte próximo onde isso possa ser colocado em causa. Além disso, o que estamos a fazer é utilizar todas as facilidades de oferecer um serviço de qualidade a custos menores, por sermos uma plataforma online com tecnologia inovadora de alcance global, como uma mais-valia. Dessa forma, passamos a integrar a cadeira produtiva do impresso ou analógico.

A utilização da plataforma online AdsYeah! É, para já, gratuita. Qual o vosso modelo de negócio para conseguir disponibilizar gratuitamente a ferramenta?
A gratuidade é momentânea e faz parte da estratégia de captação, experimentação e ampliação da nossa base de utilizadores, que tem sido bem produtiva e com excelentes resultados. Temos o nosso modelo de negócio estruturado e baseado, principalmente, nas assinaturas anuais e publicidade nas páginas. E por outros serviços que ainda estamos a desenvolver. O AdsYeah! não pára por aqui, com certeza!

Quantos clientes têm neste momento?
Acabamos de disponibilizar online o AdsYeah! para o grande público. É realmente muito recente e a nossa base, desde a abertura do site, já está numa média diária de 380 utilizadores, segundo números do Google Analytics. O mais interessante é estarmos com utilizadores oriundos de mais de 30 países do mundo.

Participaram recentemente na Web Summit. O que o evento trouxe para a AdsYeah!?
O Web Summit foi muito positivo para nós. Fizemos excelentes contactos, recebemos diferenciadas propostas e temos vindo a ter continuamente conversas sérias com eventuais parceiros. Neste momento, estamos a filtrar o que realmente nos interessa. Temos o nosso objetivo definido desde o início e agora é tempo de nos alinharmos com parceiros que acrescentem valor ao nosso conceito. E isso não apenas por entrada de capital. Essa não é a nossa principal meta.

Projetos para o futuro…
Como fui o meu próprio Business Angel, penso agora, além do AdsYeah!, investir  noutras ideias e negócios inovadores que precisem do nosso know-how e capital. Existem muitas ideias em diversos segmentos que, ao contrário do nosso caso, não possuem o capital para avançar.

Respostas rápidas:
O maior risco:  Estar parado.
O maior erro:  Não tentar.
A melhor ideia:  A próxima.
A maior lição que a AdsYeah! pode ensinar: Perseverança sempre, como fator de êxito.
A maior conquista da Ads Yeah!: Em tão pouco tempo de vida, já estar a ser utilizado por pessoas em dezenas de países do mundo.

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