Com sede na Universidade do Porto, a start-up cresceu 282% em número de clientes e 243% em faturação em 2016, tendo angariado 230 mil euros de investimento, que lhe valeram a entrada no Startup Report Portugal.

A Infraspeak nasceu pelas mãos de Felipe Ávila da Costa e de Luís Martins na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, com o objetivo de ajudar os gestores na organização e distribuição do trabalho.

Criada em 2015 com capitais próprios, um ano depois cresceu 282% em número de clientes e 243% em faturação, tendo atingido um volume de vendas superior a 140 mil euros.

A start-up conta hoje com mais de 45 clientes em Portugal, em Angola e no Brasil, como os hotéis Vila Galé, Intercontinental, Four Views e Holiday Inn Express, as lojas da Agência Abreu e da Unilabs, e empresas de assistência técnica como a Fernando Martins, a Frostline e a Nonio Hiross.

A sua tecnologia permite que, quando um técnico tem de intervir num equipamento, tenha acesso a toda a informação de que precisa, como à lista de tarefas, ficha técnica dos equipamentos, histórico de intervenções, manuais, plantas, tudo através de um smartphone ou de um tablet.

A Infraspeak participou em 2016 num programa de aceleração de start-ups da Beta-i e no 500 Startups, em São Francisco, nos Estados Unidos, tendo angariado investimento da Caixa Capital e da 500 Startups, num total de 230 mil euros, que lhe valeu a entrada no Startup Report Portugal.

O que alcançaram antes do vosso último levantamento de capital que foi realmente determinante na angariação deste valor?
Ser bem-sucedido numa ronda de investimento de capital de risco nunca deve ser um marco ou um fator chave, mas sim a combinação de muitos indicadores que demonstram o seu potencial. Dito isto, no nosso caso, destaco as evidências claras do ajuste do produto ao mercado e da nossa tração inicial com uma taxa de perda de clientes de 0%.

Que grande erro pode um empreendedor cometer durante o processo de angariação de investimento?
O processo de angariação de investimento é quase como o do desenvolvimento de clientes, pelo que diria que o maior erro é não ouvir o feedback. Deve ser-se flexível e ir trabalhando o pitch, o apelo à ação, entre outros, com base no valioso feedback dos investidores (os de valor) que lhe são dados.

Uma dica para os empreendedores que lhe perguntam: “Não conheço nenhuns investidores. Como consigo ter contacto com eles?”
Construa um grande negócio (equipa, produto, tração), seja ativo na sua comunidade de start-ups e estes virão ter consigo.

Um segredo para o sucesso para uma start-up portuguesa conseguir investimento?
Não há uma varinha mágica no mundo das start-up. Trabalhem no duro. Construam um produto que os clientes adorem. Movam-se rapidamente. Contratem apenas pessoas fantásticas. O sucesso (e o dinheiro) virá a seguir.

O que procurava a Infraspeak num investidor?
Gosto de colocar a pergunta “contratarias esta pessoa para trabalhar contigo?”. A resposta traz habitualmente todas as qualidades humanas que não prescindimos quando contratamos, e o processo não deveria ser diferente relativamente à escolha de um investidor. Para além disso, deve ser capaz de ter conversas de valor sobre a indústria em que se opera, desafiar e criar estratégias, porque será isso que irá fazer o tempo todo. E, finalmente, deve em ter atenção se este tem start-ups com experiência em escalar negócios como o seu e uma forte rede de contactos com potenciais clientes, investidores, parceiros e contratações para o seu negócio.

De que forma evoluiu o cenário das start-ups em Portugal em 2016?
O cenário das start-ups em Portugal é como se fosse hoje um adolescente, é brilhante em alguns aspetos, mas falta-lhe experiência em muitos outros. Todos os dias nascem start-ups interessantes e está finalmente a tornar-se internacional: as start-ups portuguesas estão constantemente a ser selecionadas para programas de aceleração internacionais de topo, estão a surgir investidores internacionais que começam a investir (seed e série A) e eventos internacionais como o Web Summit e o #LIS estão hoje aqui sediados. Portugal está na moda! Dito isto, ainda temos um longo caminho a percorrer até sermos um ecossistema maduro, uma vez que ainda estamos a navegar por águas inexploradas, sem que tenhamos a experiência acumulada e o capital inteligente que pode ser encontrado em ecossistemas como os de Silicon Valley, Londres ou de Tel Aviv. Grandes start-ups como a Veniam, a Talkdesk, a JScrambler ou a Unbabel estão a atingir a fase de crescimento, a mostrar o caminho, pelo que as coisas só podem vir a melhorar.

Que mudança no mundo gostaria de ver acontecer, relativamente ao cenário das start-ups portuguesas em 2017?
Espero ver o ecossistema de start-ups portuguesas a tornar-se cada vez mais maduro. Tal significa mais start-ups, mais dinheiro disponível e mais infraestruturas de apoio. Provavelmente, veremos acontecerem alguns dos primeiros grandes desinvestimentos e até mesmo algumas das start-ups mais “famosas” a falharem. Espero que o ecossistema aprenda com ambas as experiências, num ciclo virtuoso de aprendizagem.

Enquanto empreendedor, qual o conselho que lhe deram e que se revelou de maior utilidade até hoje?
Tive tantos conselhos de colegas e mentores informais que é difícil escolher apenas um, mas o que mais trago comigo hoje foi-me dado pelo Brian Chesky, da AirBnb: “A dado momento vais ter que passar da construção do produto para a fase 2, o de construir a empresa que constrói o produto “.

Nota: Entrevista concedida pelo Startup Report Portugal

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