Muitas vezes, perguntam-me o que fez a diferença no desenvolvimento das empresas e dos negócios onde me envolvo. A resposta é mesmo muito fácil: é, foi e será a rede de pessoas que se juntaram para fazer acontecer um sonho ou um objetivo, ou apenas com a finalidade de se ajudarem.

Esta rede sabe que, de forma mútua, podemos recorrer uns aos outros, sempre que precisamos.

A construção de uma rede tem um princípio básico muito simples que é a partilha de valores entre quem a constitui e, claro, que sejam redes informais. O mais forte é mesmo ser feita por pessoas de bem. Por pessoas de bem, quero dizer pessoas que partilham uma visão liberal do mundo, mas de equidade, abertura, de fazer bem e bom, de trabalho, de empenho, de mérito, de ganhar sempre o melhor, de que não se descrimina e de que empreender tem uma função económica, mas também social.

No meu caso, essa rede permitiu, vezes sem conta, encontrar parceiros de negócio, clientes, colaboradores, investidores, fornecedores, amigos ou, pura e simplesmente, pessoas que se podem ajudar, dando sem esperar de volta, mas sabendo que, um dia, o que se dá vem de volta. E, se não vier, dá-se outra vez.

O grupo que conduzo, o WYgroup, e o fundo de investimento que coordeno, a eggNEST, onde hoje trabalham mais de 330 pessoas, em 25 sociedades, são o exemplo último de que, acima de tudo e em primeiro lugar, está a rede de pessoas que se constrói. E o que ela, de forma mútua, pode fazer acontecer.

A rede tem de ser diversa, com pessoas diferentes a todos os níveis e baseada em valores de bondade e mérito.

Mas uma rede tem o poder de influenciar um negócio, muito para além disso. Uma rede tem o poder de criar benefícios, muito para além da capacidade individual de cada um. Num mundo cada vez mais complexo, a união não só faz a força, mas também é o diferenciador último de uma pessoa. A rede é mais importante do que o que se sabe, ou o que se aprendeu, porque a rede é a soma do saber de todos.

Partilho este artigo do Brian Uzzi, da Kellogg School of Managment, que leciona no melhor programa de executive education disponível em Portugal, o programa AMP Kellogg Católica – Lisbon, sobre redes sociais, mas das verdadeiras, as entre pessoas. Vale a pena ler e entender como a própria independência dos EUA está ligada ao poder das redes e da sua diversidade.

Por acreditar que a rede de pessoas é o ativo mais importante da construção de um negócio, e de uma vida, empenhei-me, com outros quatro empreendedores, em trazer para Portugal a EOnetwork, rede de empreendedores, a nível mundial, que conta com mais de 12 000 empreendedores, divididos por 150 chapters em todo o mundo. Estes empreendedores têm de ser donos, ou sócios de controlo, de empresas com faturação superior a 1 milhão de euros.

Esta rede, além de permitir a criação de pontes internacionais em quase todo o mundo, com especial foco nos EUA, permite a partilha de ideias e problemas, formação, acesso e, naturalmente, melhores práticas de gestão e construção de negócio. Uma das suas atividades são os fóruns entre oito membros de cada chapter, onde, de maneira informal, mas formal, nos ajudamos, em rede, a crescer.

O chapter português vai ser lançado, finalmente, no dia 24 de janeiro e conta já com 16 empreendedores portugueses. Deixo o repto para, se do outro lado deste texto estiver um empreendedor de bem, com uma empresa de mais de 1 milhão de euros, se juntar a nós.

A presença em Portugal do EOnetwork é uma obrigação para o momento que se vive em Portugal, neste domínio. E a criação de redes é o que mais importa. Sobretudo para que possamos, de forma organizada, aceder a mercados de exportação e a melhores formas de gerir. Estes dois pontos são absolutamente cruciais para o crescimento da economia portuguesa.

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Sobre o autor

Pedro Janela

Pedro Janela é CEO e cofundador do WYgroup (www.wygroup.net), o maior grupo de capitais nacionais dedicado ao marketing digital, publicidade e design, conta com mais de 230 colaboradores e 11 agências em operação e que fatura 12 milhões de euros,... Ler Mais