A jovem Payal Kadakia auto desafiou-se para uma missão aparentemente impossível: ter uma ideia de negócio em duas semanas. E não é que conseguiu! Mais: ficou milionária.

A história de sucesso de Payal Kadakia é uma boa inspiração para começar os primeiros dias de 2019. A jovem norte-americana, de origem indiana, formada no Massachusetts Institute of Technology  e funcionária da Warner Music Group, em Nova Iorque, pensou em desistir do emprego e lançar-se num projeto próprio. Estávamos em 2010 e na altura Payal Kadakia tinha 27 anos. Avançou com a decisão depois de umas férias na Califórnia onde conheceu vários empreendedores que a inspiraram. Faltava a ideia. A tal ideia. Autodesafiou-se a ter uma ideia de negócio no prazo de duas semanas, mas a inspiração acabou por acontecer antes, em apenas 36 horas, e dá pelo nome de ClassPass. Hoje a Forbes estima que a jovem tenha uma fortuna avaliada em 44 milhões de euros.

A necessidade criou a ideia
Praticante de dança e atividades físicas, Payal Kadakia apercebeu-se, ao tentar agendar uma aula, de como era difícil reservar uma aula de ballet em Nova Iorque. “Visitei seis sites diferentes e percebi que era muito difícil saber qual a aula adequada para mim. Passou uma hora e eu não consegui agendar nada”, revelou a jovem em diversas entrevistas internacionais.

Esta dificuldade foi o ponto de partida para a sua ideia: criar um site que reunisse todas as aulas de dança e ginástica da cidade e que permitisse aos utilizadores fazerem as suas próprias reservas.

O modelo de negócio consistia em cobrar uma comissão às academias e aos centros de dança por cada aula agendada através do site. Pesquisas feitas e modelo testado, saiu da Warner Music em janeiro de 2011 e começou a desenvolver a primeira versão do que é hoje a ClassPass.

Com sede em Nova Iorque, a empresa tem um valor estimado na ordem dos 400 milhões de euros, apenas oito anos depois de ter sido criada. Além disso, o serviço da ClassPass transpôs as fronteiras norte-americanas e está disponível em nove países, entre os quais Reino Unido, Canadá e Austrália.

Percurso de avanços e recuos
Apesar do sucesso, Payal Kadakia já reconheceu diversas vezes que o percurso não foi fácil, visto que precisou de realizar várias alterações até chegar ao modelo de negócio correto.

Quando arrancou com o projeto deu a si própria um prazo de dois anos (período máximo para a duração das suas poupanças) para que a ClassPass resultasse. Em 2012, através de amigos e familiares arrecadou 400 mil euros para lançar o site. Os primeiros tempos foram um fracasso porque, apesar do sucesso mediático do lançamento, isso não se converteu nas tão desejadas vendas. Teve de reavaliar negócio e foi assim que, em 2014, Payal Kadakia decidiu mudar o sistema de reserva individual de aulas para um modelo de compras em pacote. Das 20 aulas mensais, a preço fixo, que a ClassPass disponibilizava inicialmente, passou para um pacote de 10 aulas pois a empresa percebeu que as pessoas não tinham tempo para fazer 20 sessões num mês. Hoje o modelo de negócio baseia-se na venda de aulas através de assinaturas e, desta forma, ao invés de reservarem um determinado número de aulas mensais, os clientes acumulam entre 25 a 100 créditos. Já as academias e os professores são remunerados em função do número de reservas.

Adaptar o negócio ao mercado
As mudanças e adaptações no modelo de negócio da PassClass foram, assim, uma constante na fase inicial do projeto, confidenciou a sua mentora. Aliás, Payal Kadakia assegura que foram todas necessárias até chegar a uma fórmula que resultasse financeiramente. “Não estaríamos aqui hoje se não tivéssemos feito essas mudanças”, revela.

E foi assim, com avanços, recuos e persistência, como tantos outros negócios, que a ClassPass conseguiu aumentar a sua popularidade nos últimos anos e atingir, diz a sua responsável, cerca de 60 milhões de reservas de aulas através do site e da app, e ver o seu sistema de reservas ser utilizado por 14 mil academias e centros de dança. Sem revelar a faturação anual, a empresa já conseguiu investimentos externos (da Google, inclusive) no valor de 150 milhões de euros.

Entretanto, o negócio expandiu-se e agora também disponibiliza reservas em áreas como massagens, tratamentos faciais ou sessões de acupuntura. Além disso, os planos de expansão passam ainda pela integração de outros serviços como aulas de fotografia e artes.

Com a ClassPass em velocidade “cruzeiro”, Kadakia passou de diretora-executiva a presidente para ter mais tempo livre e dedicar-se ao desenvolvimento de novos produtos e à promoção da marca. E, também, para apostar mais na dinamização da “Sa Dance Company”, a companhia de dança que, entretanto, criou e que se dedica a fazer bailes tradicionais na Índia.

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