Durante as duas primeiras revoluções industriais, que, juntas, vão da segunda metade do século XVIII ao início do século XX, as instituições fabris, no contexto do sistema capitalista, conheceram formas de ampliar e massificar a sua produção de mercadorias, através da mecanização na fabricação de seus produtos.

Assim, as classes que dominavam os meios de produção adquiriram formas de ampliar os seus lucros e de intensificar o processo de acumulação de capitais. Além disso, com o predomínio do sistema fordista, os trabalhadores desenvolviam a maior quantidade de produtos possíveis, com trabalhos geralmente repetitivos e alienados na linha de produção.

Lembrei-me de falar desta época principalmente pelos processos de fabrico automatizados e standardizados, dois termos que hoje em dia estão tão alicerçados na cultura empresarial, mas que deixam de fazer sentido se quisermos distanciarmo-nos da maioria. E sabe porquê? A repetição deu lugar à diferenciação, o consistente transformou-se no incrível… tudo para que se distinga dos demais e trace o seu caminho em direção à felicidade e ao sucesso.

Por isso, este livro é tão atual e necessário, já que nos mostra como todas as nossas vivências tendem a ter reflexos no contexto pessoal e profissional, e permitem-nos compreender a problemática dos dias de hoje, fazendo com que as singularidades façam de cada indivíduo um sistema rico, complexo e único.

Já não basta fazermos igual. Temos de pensar e fazer diferente, mas melhor! É este o desafio que esta obra nos lança ao longo destas páginas, apresentando experiências e casos reais.  Destaca a coragem que cada um tem para dar o melhor de si, em qualquer lugar e em qualquer altura da sua vida.

E aqui toco em mais um ponto a que queria chegar, ao tema que quero abordar: o direito que cada um tem de ser diferente, de não caminhar com o rebanho, de viver da forma que escolheu conscientemente, sem seguir convenções, sem fazer o que os outros esperam, em suma, de ser realmente livre.

Acho injusto quem não respeita nem aceita as diferenças dos outros, fazendo-os sentirem-se mal por serem diferentes. Ser diferente, viver de maneira diferente, não é sinónimo de tristeza, de frustração, de arrogância. Parece-me que aqui a maioria atropela uma minoria, fazendo com que esta se sinta mal e levando, muitas vezes, a que a originalidade e independência virem motivos de gozo e exclusão.

A vida é muito mais do que isto. Por isso, termino com duas mensagens, sendo a primeira para aqueles que não toleram os que são diferentes, que acham que todos temos que seguir as tradições, as convenções, tudo aquilo que nos foi ensinado como certo, ou que simplesmente acreditamos ser certo por nunca termos feito de outra maneira: vivam a vossa vida da forma que acharem melhor. São livres para escolher!  Se acham que encontrarão a vossa felicidade no coletivo, no mainstream, no correr atrás sem nunca (ou quase nunca) questionar, esse é um direito vosso!

A segunda mensagem é para os corajosos, para aqueles que querem ser diferentes, que pensam com a própria cabeça e seguem o seu próprio coração: continuem assim na vida pessoal e profissional!  Sei que nem sempre é fácil. Poderão sentir-se muitas vezes sozinhos, mas não mudem, pois é esta atitude que faz com que sejam aquilo que realmente são: pessoas singulares e especiais. Ou melhor: fora de série!

*Este texto foi escolhido para prefácio do livro “Torna-te um fora de série!“, da autoria de Nuno M. Silva, que será apresentado no dia 17 de outubro na Livraria Ferin, em Lisboa.

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Sobre o autor

Tim Vieira

Tim Vieira é empresário em Angola desde 2001, país onde possui, juntamente com o seu sócio Nuno Traguedo, um dos mais relevantes grupos de Media – a Special Edition Holding –, que emprega mais de 500 colaboradores e detém algumas... Ler Mais