Conheça a história de um CEO que quebrou as regras e passou de uma empresa a valer zero, para uma empresa a valer 21 milhões de euros sem qualquer tipo de ajuda de investidores ou business angels.

Peter Dering, um engenheiro civil que decidiu investir o seu tempo numa empresa de acessórios para fotógrafos, a Peak Design, tem uma história parecida à AirPatrol, a start-up estoniana que nunca precisou de investimentos exteriores.

A empresa lançou-se no mercado em 2011 através do Kickstarter, uma plataforma de “crowfunding”, onde qualquer pessoa pode injetar dinheiro na empresa em troca dos produtos que estão a ser desenvolvidos. A Peak Design recebeu 12 milhões de euros em cinco Kickstarters. Desses 12 milhões, 5,5 foram conseguidos com uma mochila especializada para fotógrafos.

Na lista abaixo estão as regras que Dering quebrou e que a maioria dos mentores e dos livros tentam passar:

É preciso angariar alguns milhões de euros para começar uma empresa de acessórios:

A equipa da Peak Design mantem 100% da empresa por não ter angariado dinheiro junto de investidores. Com uma equipa de 18 pessoas e tendo registado em 2016 21 milhões de euros em vendas, a empresa mantém um rácio de 1,17 milhões por funcionário.

Pedir a terceiros aquilo que não se sabe fazer e focar-se na sua especialidade:

Dering, o CEO da empresa, editou o seu primeiro vídeo para a Kickstarter no Microsoft Movie Maker e desenhou os seus primeiros produtos no Google Sketchup. A empresa é apologista do “faça-você-mesmo”. Para além de ter projetado o vídeo e os acessórios – tendo o resultado final como pretendido -, a empresa poupou dinheiro precioso que poderia vir a ser útil caso a Peak Design não atingisse bons resultados.

Quando o produto der provas que resulta, angarie dinheiro e cresça rápido:

“Crescer não é o objetivo. A magia está na camaradagem. Muitas caras novas, muito rapidamente põem esse sentimento em perigo”, refere Dering. Com uma equipa pequena poupa-se dinheiro precioso que pode ser aplicado para inventário.

São precisas centenas de entrevistas a clientes e testes ao produto:

O “Capture Camera Clip”, um sistema que pode ser preso a uma mala ou às calças e que segura uma câmara fotográfica, foi o primeiro produto a ser lançado pela empresa. Para testar este produto, Dering perguntou a alguns fotógrafos se “não era chato usar a câmara à volta do pescoço”.

Foque-se num pequeno nicho, não tente ganhar todos:

Depois de ter lançado acessórios para fotógrafos profissionais e de ter ganho milhões de euros, um empresário tradicional diria que o mais proveitoso seria manter-se com aquele público-alvo e não tentar abranger outras partes do mercado. A Peak Design fez o oposto: lançou uma mochila para o dia a dia para o público convencional. “Tivemos de ter a certeza que as mochilas seriam indicadas para o nosso público-alvo profissional, mas que também seriam atraentes para quem não utilizasse uma câmara”, explica o CEO da empresa.

Concluindo, por vezes não devemos seguir os mandamentos que os livros tradicionais ou os especialistas tentam apregoar. É preciso, sim, quebrar regras e seguir a intuição.

 

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