Patris Investimentos será a única empresa portuguesa do setor cotada em bolsa, com uma capitalização que ronda os 15 milhões de euros.

A Patris Investimentos será a única empresa portuguesa do setor cotada em bolsa, no mercado não regulamentado da Euronext, o Alternext, com uma capitalização que ronda os 15 milhões de euros.

A negociação das ações da dona da seguradora Real Vida Seguros, a principal empresa da Patris Investimentos, iniciou-se no Alternext, segundo anunciado na sessão de apresentação desta admissão pelas três entidades envolvidas no processo, a Patris Investimentos, liderada por Gonçalo Pereira Coutinho, a Euronext Lisbon e o Montepio, instituição financeira responsável pela operação.

Serão admitidas 4,6 milhões de ações nominativas, escriturais sem valor nominal, correspondentes a uma capitalização bolsista de 14,834 milhões de euros, num processo de negociação por chamada e com um valor de referência de 3,2 euros.

A operação de admissão foi efetuada por oferta particular (modalidade em que três ou mais investidores totalizam 2,5 milhões de euros num período de 12 meses), tendo a Patris executado três aumentos de capital em 2016 de 2,6 milhões de euros, dos quais 2,5 milhões de euros colocados em 11 novos acionistas.

Os principais acionistas, Gonçalo Pereira Coutinho, e os administradores Eduardo Espinar Fernandez e João Freitas e Costa, continuam a manter o controlo da empresa.

O presidente da Patris Investimentos, criada em 2006 e que inclui a Patris Gestão de Ativos, a Fincor e a Patris SGFTC, Gonçalo Pereiro Coutinho, afirmou-se como “grande defensor do mercado de capitais” e destacou as vantagens “da importante ferramenta” que é o Alternext.

“O facto de podermos aceder a este mercado ajuda-nos num caminho de crescimento por aquisições, através de aumento de capital e de crescimento orgânico. Portugal tem de um modo geral um défice de capital. Não nos podemos queixar que não temos capital e depois não procurarmos todas as soluções para o atingir”, disse Gonçalo Pereira Coutinho, em declaração aos jornalistas.

A presidente da Euronext Lisbon, Maria João Carioca, especificou ainda que o Alternext “é uma das soluções que a bolsa oferece” às empresas para irem buscar capital, facilitando nomeadamente as aquisições e a entrada de investidores.

“O Alternext está pensado para ser caminho a fazer. Está hoje muito mais aligeirado, mais rápido e mais leve. Na prática, está muito mais próximo das capacidades de prestação de informação de uma empresa que ainda tem uma estrutura mais leve”, aprofundou Maria João Carioca.

Depois da Intelligent Sensing Anywhere (ISA) em 2012 e da Nexponor em 2013, a Patris será a terceira empresa portuguesa a entrar no Alternext, sendo, à semelhança das operações anteriores, o Montepio Investimento o assessor financeiro da operação.

“Em três meses, foi possível fazer um prospeto. Foi um trabalho conjunto e tripartido. Nunca é insuficiente dizer que o mercado de capitais tem de ser apresentado como uma das soluções de financiamento empresarial”, disse, por sua vez, Luís Filipe Costa do Montepio.

Luís Filipe Costa reforçou a necessidade de existir “uma palete de produtos financeiros para ultrapassar constrangimentos”, como as capitais de risco ou os business angels: “Espero que em 2017 possamos estar aqui mais vezes, porque isso será o resultado do dinamismo das empresas portuguesas e do mercado de capitais português”.

Em junho de 2016, os ativos consolidados da Patris Investimentos rondavam os 273 milhões de euros e, segundo dados do final de 2015, o grupo tem 210 colaboradores, 76 mil clientes e apresentou um resultado líquido de 520 mil euros.

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