A Neo4j é um projeto sueco que está a ajudar os jornalistas de investigação a tratar os documentos dos Paradise Papers. Saiba como.

Emil Eifrem é o fundador e CEO da Neo4j, uma start-up de tratamento de dados com sede na Suécia. Ao Business Insider, Eifrem contou que assim que ouviu falar do leak de informação dos Paradise Papers sabia que ia conseguir capitalizar com o escândalo.

Os serviços da Neo4j são fulcrais para a investigação dos jornalistas, visto que se traduzem em estruturar dados que, à partida, parecem não estar ligados. Para além disto, a empresa sueca providencia também servidores para armazenar dados de grandes empresas, como o Walmart e o eBay.

Esta não é a primeira vez que a Neo4j está ligada ao jornalismo de investigação. Em 2015, a start-up ajudou nos Swiss Leaks e, no ano passado, teve um papel importante no tratamento de dados dos Panama Papers.

“A estrutura de linhas e colunas é ótima se quiser um sistema de pagamento salarial que mostra o primeiro e último nome, o salário e o título”, explicou o fundador sueco ao Business Insider durante a Web Summit, acrescentando que “era assim que era feito o tratamento de dados em 1970”.

Atualmente, o tratamento de dados tem outra escala. Este serviço é bastante mais útil quando é capaz de cruzar e relacionar informação, algo que não é possível ser feito numa estrutura em tabela.

Sendo um trabalho longo e, segundo Eifrem, praticamente impossível de tentar cruzar informação dispersa pelos documentos revelados recentemente, muita da informação passaria despercebida se não fosse a Neo4j.

O CTO (chief technology officer) do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) explicou ao Business Insider que a informação que receberam não está estruturada, visto que os documentos estão em bruto. “Com os Paradise Papers, os documentos representavam 1.4 TB de informação que juntamos de diferentes fontes. Colocá-los numa única base de dados foi um desafio para nós. Com a Neo4j e a Linkurious [uma ferramenta de criação de gráficos], depois de algumas semanas de investigação, fomos capazes de propor aos nossos 382 jornalistas uma maneira de trabalharem. É surpreendente o quão intuitiva uma base de dados em formato de gráfico pode ser para pessoas que não são ligadas à tecnologia. Graças a esta abordagem, fomos capazes de investigar e de nos prepararmos para futuros trabalhos”, adiantou o CTO do ICIJ ao Business Insider.

Independentemente de ter tido um papel fulcral nesta investigação, grande parte das receitas da Neo4j vem de empresas. Até à data, a start-up já recebeu quase 70 milhões de euros em investimentos e tem perto de 200 trabalhadores.

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