Passamos cada vez mais tempo útil na empresa, com colegas de trabalho. Muitos passam mais tempo útil na empresa do que com a família. É, por isso, cada vez mais importante que os colegas de trabalho sejam como uma família, para que nos sintamos bem, falemos, rimos, discutamos e produzamos.

Acredito num ambiente de confiança, lealdade para com esta segunda família, que permita um crescimento em conjunto neste veículo cada vez mais importante que se chama empresa. Todos dependentes uns dos outros e cada um a dar o melhor na sua função. A felicidade na empresa é critica, pois implica crescermos, todos os dias, num ambiente empresarial, onde o trabalho deixa de ser “trabalho” para ser pura realização pessoal.

É essencial que os empresários do século XXI compreendam que o mais importante na sua empresa são os seus colaboradores, pois são eles que interagem com os clientes e os mantêm altamente satisfeitos, fazendo aquela “extra mile” sempre que é necessário. Isto é fundamental quando alguém toma a decisão de se candidatar a uma posição numa empresa. Atualmente, com a taxa de desemprego a baixar, a economia a animar, em especial na área tecnológica, a diferença passa, muitas vezes, pelo ambiente de trabalho, progressão na carreira e realização pessoal.

É também por isso que hoje é tão difícil contratar como reter talento. Ambas são um desafio e têm de ser tratadas, em simultâneo, com estratégias separadas e adequadas. Temos de começar pela retenção, criar condições para os colaboradores estarem, evoluírem, sentirem-se constantemente desafiados, apostando depois na atração e, em seguida, nas metodologias internas implementadas.

Com a globalização, as empresas portuguesas têm de ter, na sua estrutura, competências ao nível dos Recursos Humanos que permitam levar a cabo esta tarefa. Já não se trata de uma questão de diferenciação, mas de sobrevivência, e quem não o fizer terá problemas gravíssimos mesmo a curto prazo.

Há muito a fazer nas empresas portuguesas. Urge implementar procedimentos a todos os níveis, tornando as regras mais claras: (1) Atratividade; (2) Acolhimento e Integração; (3) Gestão de Desempenho; (4) Gestão do Desenvolvimento; (5) Funções e Responsabilidades; e (6) Gestão de Carreiras.

A remuneração já não é o fator mais valorizado pelos recursos humanos de uma empresa. Fatores como o ambiente de trabalho, possibilidades de progressão, mobilidade geográfica e entre funções, prémios com base na performance, partilha de lucros, entre outros, revelam-se mais importantes do que a renumeração base.

Tudo tem que se basear em valores e estes valores têm de estar presentes, todos os dias, em todas as funções. É fundamental que os colaboradores se identifiquem com estes valores. Só combinando estes procedimentos, é possível termos um ecossistema de ajuda mútua, progressão, evolução, competência e valor para o cliente.

Para medir a felicidade na empresa, existem inquéritos periódicos, que podem (e devem), inclusive, influenciar a avaliação dos CEO e os seus prémios de desempenho. Nos casos de insatisfação, importa manter uma grande proximidade com os colaboradores, nomeadamente através da chefia direta. Isso permite uma maior aproximação, para evitar qualquer tipo de situação problemática, mal-entendido ou falha de comunicação. Lidar com cada situação com transparência, frontalidade e coragem é outro dos segredos para a felicidade na empresa. O diálogo é a ferramenta mais poderosa para lidar com qualquer tipo de insatisfação e trabalhar numa solução conjunta.

O segredo do sucesso de qualquer empresa é a sua família. E é nela que devemos fazer o maior investimento. O crescimento, a satisfação dos clientes e até as vendas vêm como consequência natural. O resto é a parte fácil: muito esforço de todos, talento e suor! E assim se constrói uma empresa mais feliz!


*Fundou a Anturio em 2009 e desde essa altura que dita o destino da empresa. Com uma formação técnica em Engenharia de Software e Computação, pelo Instituto Superior Técnico, cedo considerou que era útil ter novos e mais conhecimentos, o que o levou a tirar um Master em Ciência de Computação, pela mesma instituição. Posteriormente, concluiu um MBA em Administração de Empresas, na Universidade Católica Portuguesa. Estes conhecimentos foram aplicados ao longo do seu percurso profissional, primeiro como Project Manager na Siemens, depois na Nokia Siemens Networks, e agora na Anturio.

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