Fiz o meu primeiro negócio com 15 anos.  Descobri que havia pessoas que gostavam de ter aquários em casa. Descobri que podia desenhar um aquário no papel com um lápis, encomendar cinco vidros com diferentes tamanhos, colar uns vidros aos outros, arranjar areia e alguns peixes, comprar e montar equipamento para filtrar a água e adicionar uma lâmpada. No fim deste processo, tinha um aquário para mostrar e vender aos meus familiares e amigos.

O meu primeiro aquário era rudimentar. Nos vidros, podia ver-se a cola que utilizei para os juntar. A bomba de ar fazia muito barulho. Os primeiros peixes morreram, após alguns dias. Mas serviu para mostrar aos meus familiares o resultado do meu trabalho. Serviu para lhes despertar o interesse pelos aquários.

Depois de alguns melhoramentos, consegui o meu primeiro cliente. Fiz mais alguns aquários, sempre à medida das necessidades dos meus clientes. Diziam-me onde os queriam colocar. Eu tirava as medidas e fazia um orçamento. Como não tinha dinheiro para comprar os vidros, que eram cada vez maiores e mais caros, pedia que me pagassem uma parte do preço total, assim que faziam a encomenda. Depois de me pagarem, eu avançava com a compra dos materiais e a respetiva montagem. E, assim, acabei por fazer aquários para a minha tia, a minha avó, para amigos e até para alguns desconhecidos. Ainda hoje me lembro da extraordinária sensação que é recebermos dinheiro por coisas que nós próprios criamos.

Coisas que começaram com uma ideia e que fomos capazes de transformar em algo real, com valor para outras pessoas. Coisas que conseguimos vender com lucro. Percebi nesse momento que podia ser independente.  Que podia gerar os meus próprios recursos. Que não tinha de depender de outros para viver. É uma sensação muito forte de realização pessoal. É uma sensação de liberdade, de que somos realmente capazes de influenciar o nosso destino.

Como sócio fundador da Fábrica de Startups, a minha missão é precisamente ajudar as pessoas a terem a sensação que eu tive quando vendi o meu primeiro aquário. De pegarem numa ideia, de a transformarem em algo valioso e de conseguirem que alguém pague por esse produto ou serviço, mais do que o dinheiro gasto para o criar. Ou seja, o meu objetivo principal é ajudar as pessoas a serem empreendedores de sucesso.

Ser um empreendedor de sucesso não é uma tarefa fácil. Os riscos são muitos e a probabilidade de sucesso tem sido historicamente muito baixa.  Não devemos ignorar estes riscos. Devemos, sim, percebê-los e descobrir formas de os reduzir.

Ser empreendedor não é uma tarefa fácil. Mas eu acredito que hoje é mais fácil criar um negócio de sucesso, do que alguma vez foi na história da humanidade.

Hoje, é preciso menos dinheiro para começar um novo negócio.  Um negócio que, logo à partida, pode ser internacional ou mesmo global. Mas o mais importante é que, hoje, podemos testar um negócio, podemos estimar as probabilidades de sucesso de um negócio, antes de o começar. Antes de gastarmos dinheiro nosso ou de outros.  Antes de nos comprometermos com um projeto de vários anos.

Ao longo de mais de 30 anos de atividade como empreendedor, fui aprendendo lições importantes que partilho com os empreendedores da Fábrica de Startups e com os meus alunos de Empreendedorismo na Universidade Católica.  Aprendi muito com as experiências que realizei. Aprendi muito com os meus sucessos e, ainda mais, com os meus fracassos. Criei diversas empresas, desde empresas que chegaram aos milhões de euros de faturação anual, com uma elevada rentabilidade, a empresas em que foram investidos milhões de euros, mas que nunca conseguiram a rentabilidade pretendida.

Foram mais de 10 empresas, algumas que ainda hoje prosperam, outras que já não existem. Passei por fases de grande crescimento e liderei empresas no seu processo de expansão, a partir de Portugal, para os mercados de Espanha, Suíça, Bélgica, Estados Unidos, Brasil, Polónia e Angola.

Vivi também, com grande sofrimento, épocas de muitas dificuldades, em que, em cada mês que passava, os prejuízos aumentavam. Em 30 anos a criar empresas, recrutei mais de 1000 pessoas e tive de despedir menos de 100. Procurei sempre dar o melhor de mim mesmo, mas sofri muitas vezes com a dispersão de esforços, de falta de persistência após o lançamento de novos projetos. Ganhei muito dinheiro e perdi bastante.

Nunca houve um dia, ao longo deste percurso, em que me arrependesse de ser um empreendedor.

Nunca pensei em procurar um emprego e, algumas vezes, tive de recusar propostas tentadoras. Mas não foi um percurso fácil, bem pelo contrário. Exigiu muito esforço, muitos sacrifícios. Sacrifícios que não foram só meus, mas também da minha família.

Hoje, como responsável pela Fábrica de Startups, procuro partilhar o que aprendi por experiência própria ou através do conhecimento de outros. Pretendo ajudar as pessoas a descobrirem o que significa ser empreendedor. Um caminho com altos e baixos, sem certeza de sucesso, mas com a vantagem de sermos tão donos do nosso destino quanto possível.

Através da Fábrica de Startups, pretendo ajudar aqueles que, depois de descobrirem o que significa ser empreendedor, continuam a desejar sê-lo. Aqueles que sabem que a vida é curta e incerta. E que o pior que nos pode acontecer, é chegar a uma altura da nossa vida em que as forças começam a faltar e, então, lamentarmos não termos realizado o nosso sonho.

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Sobre o autor

António Lucena de Faria

António Lucena de Faria é sócio Fundador e Presidente da Fábrica de Startups, empresa criada em Abril de 2012. É também membro fundador da StartupPortugal, em representação da Fábrica de Startups. Foi o responsável pela organização e realização em 2012 e 2013 do programa Energia de Portugal. Liderou a criação e desenvolvimento de mais de 10 empresas, tendo começado o seu percurso como empreendedor com o lançamento da Methodus Sistemas... Ler Mais