No atual contexto competitivo, em rápida e profunda mudança, a palavra empreendedorismo tem vindo a ganhar uma crescente importância, traduzindo uma nova forma de pensar e de fazer acontecer.

Na verdade, o empreendedorismo, através da capacidade de inovação revelada, da competitividade gerada e da contribuição para a criação de emprego, tem assumido, cada vez mais, um papel determinante no dinamismo da economia nacional.

Contudo, apesar do grande entusiasmo existente, o grau de sobrevivência das start-ups é relativamente pequeno. Um estudo da Dun & Bradstreet (O empreendedorismo em Portugal, 3.ª edição, Maio de 2017) revela que “a taxa de sobrevivência decresce mais acentuadamente nos primeiros anos de vida: cerca de dois terços das empresas sobrevivem no primeiro ano de atividade, mais de metade (53%) ultrapassam o 3.º ano e 42% atingem a idade adulta. No oitavo ano de atividade, apenas um terço das empresas mantém atividade”.

É verdade que no mundo empreendedor o falhanço é visto como uma mera etapa no processo. Mas, em Portugal e em muitos dos países europeus, ainda é traumático falar sobre as empresas que acabaram por não funcionar.

“O  falhanço  acontece  e  acontece  frequentemente”. Um  estudo  recente  da  CB  Insights  (2018.02.02) revela que as três principais razões do falhanço são: (i) a falta de resposta às necessidades do mercado (42%); (ii) dificuldade de financiamento (29%); e, (iii) falta de equipa adequada (23%).

Assim, a principal razão do falhanço é a adequação dos projetos às reais necessidade do mercado, isto é, a identificação do problema e a validação do modelo de negócios.

A validação de um modelo de negócios (descrito através do Canvas), processo muitas vezes subvalorizado pelos empreendedores, é, pois, uma das fases mais importantes na criação de uma empresa. Testando hipóteses simples, os empreendedores vão-se apercebendo do funcionamento do mercado real, eliminando  opções  não  validadas, mantendo opções validadas e acrescentando opções descobertas. Este processo de validação deverá durar até que o empreendedor se sinta confortável com a solução inovadora que pretende introduzir no mercado. Caso isso não aconteça, deverá abandonar essa solução (ideia de negócio) e partir para a identificação de outros problemas e soluções para os resolver. Na verdade, até à fase de validação, os investimentos ainda foram poucos.

No processo de validação, os empreendedores vão “descobrindo clientes” e a “tração dos projetos”, elementos essenciais para a negociação do futuro financiamento.

Na verdade, os modelos de negócio não são ficções no papel e devem ser suportados por factos, “acontecidos” não nos gabinetes mas na rua, local onde estão os futuros clientes, os futuros concorrentes, os   futuros fornecedores, os futuros financiadores, isto é, as oportunidades de negócio.

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