Um olhar para os próximos 10 anos: quais os mercados com mais potencial de crescimento? O desafio foi feito no último dia do Web Summit e o ministro da economia deixou algumas pistas.

“Devemos olhar para o rápido crescimento das áreas digitais mas também para as mudanças que o digital e as tecnologias vão trazer a uma vasta gama de sectores”. Esta foi a análise que Manuel Caldeira Cabral fez ontem no último dia do Web Summit.

O ministro português da economia foi um dos convidados do painel “Future growth markets 10 years from now” – um painel que partilhou com Zachary Karabell, Head of Global Strategy da Envestnet, e Frank Salzberger, Head of Technology Transfer Programme Office, ESA – e onde partilhou com o auditório a sua visão daqueles que vão ser, na sua opinião, os sectores com mais crescimento nos próximos 10 anos.

“Não creio que, por si só, o digital vá ser a área de maior crescimento mas sim as suas aplicações e as mudanças que vai trazer ao mercado financeiro, à saúde e a muitas outras áreas. Vai ser um grande foco para o desenvolvimento”, lembra Manuel Caldeira Cabral.

Para o ministro da economia, o digital pode ter uma abrangência muito grande desde os sectores industriais muito tradicionais que podem ser customizados, até a indústrias mais pesadas como a automóvel que pode mudar muito, por exemplo, com a possibilidade do car sharing que pode reduzir muito a procura de veículos.

Na sua opinião as mudanças vão ser transversais. “O que também é impressionante é que há muitos outros sectores ligados a necessidades básicas que acho que vão ter oportunidades de crescimento muito interessantes. Como a economia circular que passa por reciclagem, lixo, mas também pela conceção dos produtos e pela forma de gerir toda a cadeia. Vai ser um grande desafio fazer isso e acho que as soluções digitais são parte disso”.

Refere ainda como tendo grande potencial de crescimento a indústria da comida. “Vamos sempre precisar de comida. E as pessoas estão cada vez mais atentas ao que comem, à qualidade, de onde vêm os produtos e como são feitos”.

A energia é outro sector que destaca. “Vamos mudar muito mais para energia elétrica, para fontes de energia que não sejam baseadas no carbono. Em Portugal isto é um grande desafio. Sempre fomos importadores de energia e de repente estamos muito competitivos a produzir energia solar”. E, acrescenta: “quando falamos de menos carbono e de energia renovável somos muito competitivos. A tecnologia está envolvida e talvez, nos próximos anos, sejamos exportadores de energia, do tipo certo de energia, a sem carbono”.

A mobilidade também vai enfrentar uma grande revolução: a mobilidade nas cidades e entre cidades. Isso vai fazer parte da competitividade dos países e das cidades, salienta Manuel Caldeira Cabral. “As cidades que não resolveram bem os seus problemas de mobilidade, quer em termos de ambiente quer de sharing, não criarem novas maneiras de mobilidade para fazer com que as pessoas vão de um lado para o outro de formas sustentáveis, vão decair, não vão atrair negócio. Manuel Caldeira Cabral vaticina, ainda, que uma das grandes oportunidades futuras é a aplicação da tecnologia digital aos sectores tradicionais. Há muitas coisas para fazer, diz, e grandes oportunidades ao aproximar mais os produtores dos consumidores.

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