Ser empreendedor, seja jovem ou menos jovem, é um desafio. Desde muito cedo que o empreendedorismo me fascinou. A capacidade que algumas pessoas têm de se entregar a um ou mais projetos, independentemente dos desafio e obstáculos que encontram.

Por definição, ser empreendedor é ter a capacidade de implementar novos negócios ou mudanças em negócios já existentes. Claro que esta é uma definição vasta do conceito, mas parece-me justa, no sentido criativo e exigente do termo.

Não sei se as pessoas nascem ou não empreendedoras, mas tenho a certeza de que o contexto familiar, a educação e formação e as experiências de vida condicionam esta nossa opção. No meu caso, filha de um pai empreendedor de sucesso, foi clara a vontade de me dedicar a projetos próprios.

Ser um jovem empreendedor nos dias de hoje não implica um caminho fácil, nem sucesso garantido. Existem inúmeras barreiras a transpor e alguns desafios que tornam a jornada difícil e pouco motivante.

Em primeiro lugar, há que perceber o apoio que temos dos que nos rodeiam. Ser gestor de um negócio próprio implica uma disponibilidade temporal quase total. Não há horários, não há folgas e, por vezes, não há férias nos primeiros tempos. Se os que nos rodeiam aceitam e apoiam esta opção, tudo se torna mais fácil.

Em segundo lugar, temos a questão financeira. Se não possuímos bens próprios, há que encontrar opções de financiamento para viabilizar a nossa ideia. Seja particular ou bancário, o financiamento está condicionado atualmente a condições de crédito menos favoráveis e taxas de juro pouco atrativas. Por este motivo, alguns projetos muito interessantes não arrancam em Portugal.

Em terceiro lugar, a carga fiscal atual não está favorável ao empreendedorismo. Apesar de estarem em vigor algumas medidas de apoio à criação do próprio emprego e de investimento empresarial, os impostos sobre as empresas e as taxas de IVA tornam as margens dos negócios curtas e o lucro difícil de alcançar. Do meu ponto de vista, este é um dos principiais desafios que os empreendedores enfrentam na sociedade moderna portuguesa. A motivação deixa de ser apenas financeira, para se alicerçar noutros fatores que valorizo, como o facto de nos dedicarmos a algo em que acreditamos, algo que criamos, algo que transformamos.

Existem outros desafios com que me tenho deparado nos últimos 5 anos, como a dificuldade de recrutamento, seja por falta de condições financeiras ou por escassez de recursos; a dificuldade de gestão de tempo; a dificuldade de dar resposta a um mercado moderno, cujas necessidades e tendências mudam a cada dia; o desafio de conciliar uma vida pessoal com os projetos próprios.

Apesar de todos estes desafios, acredito no empreendedorismo como forma de estar na vida por excelência.

Não encaro o empreendedorismo como um sonho e considero que os projetos têm que ser bem analisados e estudados, para aferir viabilidade financeira e pertinência de mercado. Infelizmente, hoje também surgem muitas ideias que não passam disso mesmo, de boas ideias, e que não significam necessariamente que serão um bom negócio.

Apesar de toda a responsabilidade, por vezes sufocante, considero um privilégio dedicar o meu tempo a um projeto em que acredito, que me satisfaz e me realiza pessoal e profissionalmente.

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Sobre o autor

Mariana Torres

Mariana Torres é national franchisor em Portugal da marca Helen Doron English, um método de ensino da língua inglesa que vai desde os bebés com três meses até aos jovens com 19 anos. Em 2012, abriu a sua primeira unidade... Ler Mais