Os inícios de ano são, por excelência, espaços de reflexão e este não é exceção. Chegados a 2017, sabe bem olhar para trás e perceber qual tem sido a nossa trajetória.

A Beta-i é uma organização criada em 2010 por empreendedores, no pico da crise, com o objetivo de contribuir para a criação da nova geração de empreendedores, focada numa cultura de ação e visão global e assente em colaboração e metodologias que, essencialmente, procuram desenvolver projetos que resolvam problemas concretos e reais, de uma forma diferenciadora e com capacidade de crescimento rápido e sustentável.

Saber que, ainda no ano passado, fomos destacados pela ‘Wired’ na peça ‘Europe’s hottest startup capitals’, que cobre anualmente os mais importantes e relevantes centros de atividade de start-ups na Europa, estando a Beta-i cotada como “uma das 100 mais excitantes start-ups da Europa”, e um “incubador-chave na cena de Lisboa”, enche-nos de orgulho.

Este reconhecimento internacional só nos motiva, no sentido de continuarmos a trabalhar para entregar os melhores programas de aceleração e permitir que os projetos com maior potencial tecnológico nas mais diversas áreas sejam apoiados e cresçam a nível global.

Contexto

Portugal tem feito um caminho muito positivo neste campo. Lisboa, em particular, é hoje uma das mais importantes capitais empreendedoras da Europa. De facto, a digitalização da economia tem permitido às start-ups revolucionar várias indústrias, nomeadamente fintech, educação, e-commerce, medtech entre muitas outras e, por outro lado, permite aceder a um mercado global de qualquer lado do mundo.

Neste contexto, Portugal está bem colocado para ser um país de escolha para o arranque de novas start-ups globais, pois somos cada vez mais capazes de reter e atrair os recursos necessários para criar uma start-up global.

As evoluções tecnológicas, como a internet das coisas (IoT), a big data, a inteligência artificial e a progressiva digitalização da economia, representam por um lado um desafio, mas por outro uma enorme oportunidade para desenvolvimento de novos negócios, em que a localização e os custos não transacionáveis começam a ser menos relevantes para a competitividade de países como Portugal.

Cada vez mais, os novos empreendedores e start-ups têm uma cultura global e a noção de que a ideia, por si, não vale muito e de que o importante é a capacidade de execução e de crescer rapidamente a nível global.

Going forward

Dito isto, há muito trabalho por fazer, em várias frentes, a começar pela base, pois importa fomentar uma cultura de risco e autonomia nas escolas, universidades e politécnicos, por exemplo, ou promover a criação de start-ups universitárias e dar estímulos às Universidades para fazerem cooperação com entidades externas.

Outras medidas aparentemente menos sexy, como promover estabilidade fiscal e administrativa, ou apostar no reforço das academias de código junto das escolas, universidades e politécnicos, são igualmente críticas num processo que se quer sustentado (e sustentável).

Em relação a isto, importa perceber que o código é uma nova linguagem, como o inglês ou o espanhol, e as pessoas deviam começar a capacitar-se de que a programação é uma ferramenta cada vez mais útil e, cada vez menos, apenas uma subcultura geek.

Para além disso, numa altura em que a globalização, e com ela a digitalização dos negócios, se vai impondo como paradigma dominante, dominar este tipo de processos é crítico para os negócios, em qualquer economia moderna e competitiva, e não apenas neste universo das start-ups. Mesmo as indústrias mais tradicionais vão sofrer estas pressões e, quanto mais mão de obra qualificada formos capazes de formar, mais saudável será o nosso tecido empresarial.

E isto é crítico para a competitividade de países periféricos como Portugal, até porque as start-ups são também responsáveis pela criação líquida de emprego e, nos últimos anos, foram investidas centenas de milhões em diferentes projetos que criaram muitos empregos qualificados.

Afinal, para que seja possível tirar partido desta oportunidade, é preciso formar uma nova vaga de profissionais que alimente estas novas indústrias e que vá preenchendo as várias necessidades que este tipo de empresas, com potencial para escalar muito rapidamente, tipicamente apresentam.

*Foto: Tiago Pinto, Pedro Rocha Vieira, Ricardo Marvão e Manuel Tânger, cofundadores da Beta-i.

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Sobre o autor

Pedro Rocha Vieira

Pedro Rocha Vieira é cofundador, presidente e CEO da Beta-i, uma organização de promoção de empreendedorismo e inovação, responsável por iniciativas como o Lisbon Challenge, Beta-Start, Beta-Innovation e Lisbon Investment Summit. É também codiretor e mentor do Seedcamp Lisboa, facilitador... Ler Mais