Se há uma lição de gestão recorrente para todos os que são empreendedores ou ocupam cargos de direção, essa passa, sem dúvida, pela importância da resiliência no nosso dia-a-dia, da capacidade que temos de lidar com as adversidades profissionais e pessoais, ultrapassando-as através de foco e determinação, com vista à procura do sucesso.

Vários autores teceram verdadeiros tratados sobre o tema, livros motivacionais. Palestras sobre a matéria são frequentes, mas, sem prejuízo do mérito de tudo isso, eu, pessoalmente, prefiro seguir os ensinamentos de um dos mais desconsiderados génios na matéria, que convido todos a conhecerem melhor, o único e inconfundível Rocky Balboa! E não, não levei um murro que me deixou sem raciocínio adequado, prometo.

Muitos nunca tiveram a oportunidade de ver os famosos filmes do pugilista de segunda linha de Filadélfia que, um dia, fruto de um acaso, vê a sua vida abalada por uma série de circunstâncias que o acabam por colocar no topo do mundo profissional do boxe. É uma espécie de renascimento, um despertar para uma realidade totalmente diferente daquela a que estava habituado e que, num ápice, o confronta com opções de vida que nunca teve de fazer, com decisões que podem levar ao sucesso ou fracasso num simples bater do gongo, com a necessária perseverança e, lá está, resiliência para triunfar, mesmo quando todas as hipóteses parecem estar contra ele. Um pouco como a vida do empresário, em muitos aspetos, daquele que sai da sua zona de conforto para lidar com um extraordinário mundo novo que, como diz Rocky, “ain’t all sunshine and rainbows”, muito pelo contrário, acaba por se revelar como “an ugly and nasty place”.

Mas verdade seja dita que, sempre que embarcamos numa empreitada destas, os sonhos são altos. Sabemos que somos um “thinker, not a stinker”, que temos uma ideia que vale a pena perseguir e estamos dispostos a lutar por ela em cada centímetro quadrado do ringue corporativo. O problema, e há sempre um problema – ou até mais que um –, é que, do outro lado, aparece um opositor disposto à mesma luta, impulsionado pelos mesmos sonhos, para quem estarmos de pé naquele local é um obstáculo ao seu sucesso, que urge rapidamente eliminar. Ele(s), como nós, mostra-nos o “eye of the tiger” e bate com força e implacavelmente, como bate o mundo dos negócios, a realidade nas empresas, o peso das decisões, os erros na estratégia, o balanço que apresenta resultados negativos, enfim, tanta coisa que nos deita abaixo.

Por vezes, chegamos a um ponto em que pensamos para nós que “all I want to do is go the distance”, a vitória propriamente dita já não importa.

Parece que só interessa chegar ao fim, seja ele qual for, ouvir o gongo que nos recorda que, se viemos por esta via, foi só porque, como dizia o Rocky, “I can’t sing or dance”. Vai-se a autoestima e passamos a focar-nos só em sobreviver. Mas a verdade é que “going one more round when you don’t think you can, is what makes all the difference in your life”. É este o pensamento que tem de nos focar naqueles momentos mais complicados. É esta a resiliência que nos volta a meter de pé, que nos faz olhar em redor e gritar alto e bom som que “if you stop this fight, I’ll kill you”.

Já não temos a soberba que havia no início, mas, por via do espírito de sacrifício e resiliência, tornamo-nos conscientes de que “maybe I can’t win, maybe the only thing I can do is just take everything he’s got”. Chega, claro que não. Mas volta a dar-nos perspetiva para o futuro, tira-nos os assomos de grandeza, foca-nos naquilo que valemos, com a consciência plena de que o pior que nos podiam atirar, já veio, recordando que “it ain’t how hard you hit; it’s all about how hard you can get hit, and keep moving forward. How much you can take and keep moving forward. That is how winning is done”!

Ganhe-se ou perca-se, e já citei noutra altura Nelson Mandela sobre a questão de verdadeiramente nunca se perder, mas apenas se aprender, é com esta resiliência que, no final da luta, olhamos de cima e, confiantes, dizemos a plenos pulmões, “Yo Adrien, we did it!!!”.

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Sobre o autor

Nuno Madeira Rodrigues

Nuno Madeira Rodrigues é atualmente Chairman da Lusitano SAD e da BDJ S.A. Anteriormente, foi Administrador do Grupo HBD e Presidente do Conselho de Administração da Lusitano, SAD, e do Conselho Fiscal da Associação Lusófona para as Energias Renováveis. É... Ler Mais