Difícil escrever nesta altura! Parece que tudo que o há para dizer sobre o Natal já foi dito, e que tudo o que se possa dizer agora são repetições ou banalidades.

Condenar o lado comercial.
Reforçar o lado religioso – para aqueles que acreditam.
Relembrar a importância da família e dos amigos.
Insistir na importância de nos encontrarmos fisicamente e de falarmos, esquecendo um pouco o digital que nos invade.
Tudo verdade.
E tudo dito, redito e bem dito!
Mas Natal é também altura de esperança.
Para os crentes, a esperança de que Jesus vai chegar.
E para todos, incluindo os não crentes – será que pode ser o momento em que voltamos a acreditar? E em que fazemos alguma coisa para que aquilo que queremos que aconteça se torne realidade?

Esperança.
Disposição do espírito que induz a esperar que uma coisa se vai realizar, confiança de que algo bom acontecerá, crença de que um desejo se torne realidade (dicionários vários).

O mundo à nossa volta não ajuda.
Notícias de catástrofes naturais e man-made, de corrupções, de fraudes pequenas e grandes, de falhas nos sistemas, de desassossego nas sociedades, …
E é fácil  deixar de ter esperança e de lutar por aquilo em que acreditamos.
Porque não somos ninguém.
Porque o que fazemos não muda nada.
Porque não temos como fazer chegar a nossa influência a nada nem ninguém.
Porque depois volta tudo ao mesmo.
Porque não vamos conseguir.
Porque não vale a pena.
Porque, porque, porque…

Desculpas!

Mais fácil dizer que a culpa é “deles” ou dos “outros” (as tais entidades misteriosas que estão por toda a parte, mas que não sabemos bem definir ou localizar…) do que irmos à luta.
Mais simples ficarmos no nosso canto tipo ranzinzas a protestar entre dentes sem nos mexermos para resolver o que achamos que está mal.
Mais tranquilo esperar que outros façam por nós e que as soluções aparecem sem termos de fazer nada para isso.

Mas não pode ser!

Não podemos ficar parados à espera que alguém faça por nós!
Será que nos esquecemos que o que fazemos tem influência em tudo o que nos rodeia?
E que alguma coisa rodeia o que nos rodeia e é por isso também tocada pelo que fazemos?
Pode não ser muito.
Pode não ser visível.
Pode parecer irrelevante.
Mas, no fundo, no fundo, sabemos!
Todos somos importantes e o que fazemos tem relevância no que se passa à nossa volta.

“if you want to change the world start making your own bed” (US Navy Admiral William McRaven”)
Uma coisa simples e pequena, mas que impacta a nossa vida – e por arrasto a de todos os que estão ao nosso lado.
E um conjunto de coisas aparentemente pequenas, mas com sentido vão-se somando e criam uma cadeia de valor que se propaga e muda, sim, aquilo que está ao nosso alcance!
Com vontade de fazer bem e de sempre tentar melhorar.
Olhando de frente para os desafios que nos aparecem ao longo do dia.
Afastando de forma decidida os obstáculos no nosso caminho.
Não nos escondendo atrás de ideias ou preconceitos.
Ignorando aqueles que nos tentam destruir perguntando “mas para quê? Não vale a pena…” ou “não vai dar…”
Sem medo de explicar os nossos porquês.
Com consciência que o nosso circulo de influência é pequeno, mas que contagia todos os outros.
E, sobretudo, acreditando sempre que se pode fazer alguma coisa para melhorar.

Porque temos de ter obra que prove aquilo em acreditamos, temos de ser o bocadinho do fermento que faz levedar a massa e produz muito pão.
E ao espalhar este nosso propósito a todos os que nos rodeiam, estaremos certamente a contribuir para um mundo melhor!

Só não podemos é ficar parados.
E deixar de ter esperança!
Porque vale a pena…

“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura “ (Marcos 16:15-16).

Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.” (Tiago 2.14 e 26)

O Reino do Pai é semelhante a uma mulher que tomou um pouco de fermento, misturou-o com a massa, e fez com ela grandes pães. (Evangelho apócrifo de Tomé)

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Sobre o autor

Maria do Rosário Pinto Correia

Maria do Rosário Pinto Correia é regente da disciplina de Marketing in The New Era (licenciatura em Business Management) na CLSBE. Coordena, ainda, 3 programas de Executive Education - PGV - Programa de Gestão de Vendas, EI - Estratégias de... Ler Mais