Há pouco mais de um mês à frente dos destinos da Housers no mercado nacional, João Távora explica como esta fintech de origem espanhola pretende democratizar o investimento imobiliário através de uma plataforma desenvolvida numa lógica de crowndfunding.

O que é e como se carateriza a Housers?
A Housers oferece a possibilidade a qualquer pessoa de investir em imóveis com um mínimo de 50 euros, deixando este de ser um setor exclusivo a investidores com grande capacidade financeira. Através da plataforma online é possível poupar e investir num sector que se encontra em rápido crescimento e que oferece rentabilidades mais atrativas e com menos risco, em comparação com outros instrumentos financeiros.

Quais as bases do vosso modelo de negócio?
Funcionamos como um intermediário entre investidores e promotores. Na plataforma temos sociedades limitadas por detrás de cada compra de um ativo imobiliário. Ou seja, quando o investidor decide investir a partir de 50 euros no imóvel, faz um empréstimo participativo a essa sociedade constituída para esse projeto. Desta forma, o investidor particular converte-se em credor da sociedade, que, por sua vez, é a dona do imóvel.
O investimento é feito a troco de uma determinada rentabilidade, obtida através do arrendamento e/ou venda do imóvel e que varia em função do tipo de projeto.
A equipa da Housers seleciona e estuda criteriosamente a rentabilidade dos projetos e acompanha o promotor durante todo o processo, dando a possibilidade ao investidor de escolher exatamente os imóveis onde quer aplicar as poupanças, sem qualquer tipo de preocupações adicionais, permitindo-lhe diversificar o risco. Utilizamos visões conservadoras de investimento para garantir a segurança do capital investido, e centramo-nos em localizações já consolidadas ou onde exista um elevado potencial de crescimento do mercado imobiliário, de forma a reforçar a nossa estratégia de diversificação.

Em termos, práticos como funciona esta plataforma de fintech?
A plataforma foi desenvolvida numa lógica de crowdfunding, sendo que com um mínimo de 50 euros pode investir-se nos projetos disponíveis. Para ser investidor na Housers, basta inscrever-se na plataforma, apresentar alguns documentos necessários, criar uma conta e de seguida pode começar a investir nos ativos. As oportunidades de investimento selecionadas pela Housers consistem na aquisição de ativos. Em determinadas situações, também se realizará a reforma integral dos ativos imobiliários adquiridos para aumentar o seu valor e rentabilidade.

Que modalidades de investimento disponibilizam?
Oferecemos três modalidades. Uma delas é a poupança. Os investidores financiam, através de empréstimos colaborativos, o desenvolvimento e execução de uma oportunidade por parte de um promotor. São oportunidades com um prazo de duração estimada que oscila entre 60 e os 120 meses. Neste tipo de empréstimos a rentabilidade está vinculada ao rendimento do arrendamento, ou seja, o rendimento que se obtém através da exploração do imóvel objeto da oportunidade, bem como das mais-valias geradas pela venda do imóvel na maturidade do projeto. Além disso existe um marketplace que permite aos investidores cederem a sua posição, conferindo liquidez a este produto.
A outra modalidade é o investimento. Os investidores financiam através de empréstimos colaborativos o desenvolvimento e execução por parte de um promotor de uma oportunidade. São oportunidades com um prazo de duração estimado de aproximadamente 12 meses. O objetivo, neste caso, é compra e remodelação de um imóvel, sendo que neste tipo de projetos a rentabilidade está vinculada ao rendimento que se obtém com a venda do mesmo, uma vez que a intervenção esteja concluída.
A última é a taxa fixa, oportunidades com um prazo estimado que oscila entre os 12 e os 36 meses, onde os investidores concedem um empréstimo de taxa fixa a um promotor imobiliário. Neste caso, os rendimentos começam a produzir-se desde o primeiro mês em função da taxa de juro acordada previamente com o promotor. Nos empréstimos com taxa fixa, a rentabilidade não depende da exploração ou da venda do imóvel, uma vez que o investidor recebe mensalmente os juros acordados com o promotor até que se finalize o projeto, altura em que o capital investido é devolvido.

Qual o target preferencial da Housers?
Dirige-se tanto a investidores qualificados (com um nível mais elevado de conhecimento sobre investimentos financeiros e com maior capacidade financeira), como a investidores não qualificados, que procuram uma forma mais rentável de aplicar as suas poupanças.

Assumiu recentemente a direção geral da empresa no nosso país. Quais são as suas prioridades para o projeto?
A prioridade principal é fazer crescer a Housers no mercado português, com principal foco na construção de uma equipa sólida que permita identificar e analisar boas oportunidades de investimento para publicar na nossa plataforma de crowdfunding imobiliário. Só assim podemos garantir a satisfação dos nossos investidores e, consequentemente, permitir à Housers crescer globalmente.

Acredita que os portugueses já estão suficientemente recetivos a esta nova abordagem de investimento?
O mercado português de crowdfunding ainda está a dar os primeiros passos no país e acreditamos que tem um enorme potencial como alternativa às formas de investimento tradicionais. Simultaneamente, estamos a assistir a um crescimento do setor imobiliário na ordem dos 20% ao ano (segundo dados recentes da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários), sendo que grande parte do investimento feito no setor é realizado por investidores estrangeiros. Como tal, acho que o mercado português está bastante preparado para uma plataforma de crowdfunding, na medida em que facilita a entrada de investimento estrangeiro, mas também dá a possibilidade aos portugueses de entrarem neste mercado, deixando ser um setor exclusivo a investidores com grande capacidade financeira. Prova disso é que, desde outubro, temos vindo a crescer gradualmente a nossa base de utilizadores portugueses, que começam a perceber que investir no setor imobiliário, não só português como estrangeiro, é uma oportunidade atrativa.

Que expetativas tem relativamente à implementação desta plataforma no mercado português?
O aparecimento da Housers e de outras fintech no mercado comprovam o potencial do crowdfunding e acredito que vamos crescer, oferecendo aos investidores uma alternativa para as suas poupanças com rentabilidades muito atrativas. Quando colocámos na plataforma o primeiro projeto em Portugal, o balanço foi muito positivo. Foi recebido com grande entusiasmo. A operação inclui um investimento total de 193 mil euros e em apenas 20 dias o projeto foi financiado por 453 investidores, com investimentos desde 50 a 5447 euros. Trataram-se de pequenos investidores, na maioria espanhóis e italianos, mostrando que o mercado imobiliário português é bastante atrativo para os estrangeiros. Também já tivemos alguns investidores portugueses que começaram a descobrir a plataforma, mostrando que é também um conceito interessante para o mercado nacional. Como tal, as expetativas são, sem dúvida, altas.

Quantos utilizadores esperam conseguir em Portugal?
Prevemos alcançar 11 mil utilizadores num ano.

Quantos imóveis estima financiar em 2018?
Prevemos financiar cerca de 12 imóveis em 2018, tentando colocar na plataforma uma oportunidade investimento por mês.

Respostas rápidas:

O maior risco: Não diria risco, mas sim desafio. Começar e desenvolver do zero um negócio num novo mercado, pelo nível de responsabilidade associada.
O maior erro: Penso que o maior erro que possa ter cometido na minha vida profissional, talvez tenha sido, em alguns momentos,  ter-me focado demasiado no trabalho, deixando muito para segundo plano outras coisas muito importantes, como a família ou amigos.
A melhor ideia: Quando era muito pequeno, de forma unilateral, arranjei forma de cobrar dinheiro aos meus pais e familiares, com o pretexto de serem quotas relativas a um clube dentro da nossa casa, que eu próprio tinha criado, e que não lhes trazia nenhum tipo de vantagem. O objetivo era apenas pagar a comida dos pássaros que eu tinha.
A maior lição: Não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti.
A maior conquista: É também uma conquista a nível profissional começar e desenvolver um projeto do zero num novo mercado, sentindo o impacto de o fazer crescer. Além disso, verificar que o primeiro projeto em Portugal da Housers teve uma adesão bastante positiva e foi financiado com sucesso.

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