O empreendedorismo entrou no nosso léxico quotidiano há já algumas décadas e tornou-se usual falar de empreendedores que mudaram a história da humanidade com as suas inovações e com a criatividade que aplicaram aos respetivos negócios.

Bill Gates, fundador da Microsoft e da Bill & Melinda Gates Foundation e Mark Zuckerberg, fundador do Facebook são dois dos exemplos mais relevantes da atualidade.

O talento dos empreendedores é apontado, muitas vezes, pelos opinion makers como a solução para as crises financeiras dos vários países, como se estivessem munidos de um conjunto de receitas que facilmente debelam todas as doenças que afetam as nossas sociedades.

A classe política, um pouco por todo o mundo, tem criado programas de apoio ao empreendedorismo, convencida que está de que a maioria dos jovens tem inerentes essas competências e que basta um conjunto de apoios estatais, para fazer germinar as ideias que estão latentes no subconsciente da juventude mundial.

Nas escolas e nas universidades, tornou-se condição sine qua non ter conteúdos programáticos e unidades curriculares que fomentem o empreendedorismo e os alunos são desafiados, desde a mais tenra idade, a dar corpo às ideias que têm para criar negócios e, consequentemente, gerar riqueza.

Ciclicamente, são enumeradas e identificadas as características do empreendedor de sucesso. Naturalmente que há as mais variadas opiniões acerca daquilo que é necessário para se ter sucesso no negócio. Desde a necessidade de ter espírito de equipa, às competências na área da negociação, passando pelas aptidões técnicas, todos são unânimes em considerar que a simpatia tem que ser um denominador comum.

Raramente ouvimos dizer que o empreendedor é, por natureza, disruptivo e que tem comportamentos que o distinguem da média, daquilo a que os romanos chamavam o bonus pater familiae.

Se o empreendedor não for pioneiro e for igual a todos os outros, qual seria a razão para considerarmos Bill Gates e Mark Zuckerberg como o expoente máximo do empreendedorismo?

Se analisarmos bem as respetivas características e histórias de vida, percebemos que as suas ideias tiveram sucesso e implantação em todos os países, precisamente porque não eram iguais aos demais. Têm competências pessoais e sociais que os tornam diferentes de todos os outros e o que os tornou únicos foi o facto de terem feito cortes e de os terem assumido. Essas “interrupções” que foram tendo ao longo da vida, mostram-nos que o talento que mostraram com a primeira Ideia, se tem vindo a consolidar e a desenvolver, a uma velocidade que lhes permitiu, de facto, gerar uma fortuna ímpar em termos planetários e que a sua faceta solidária deixa patente um dos traços mais relevantes do empreendedor – devolver à sociedade aquilo que a sociedade lhe deu. Seja através da criação de fundações ou através de doações, bem como da presença constante nas universidades, onde dão o testemunho do pioneirismo que os tornou célebres, para que seja fonte de inspiração para milhões de jovens.

Facilmente podemos concluir que assumir o risco pela Nossa Ideia e estarmos dispostos a assumir as ruturas que forem necessárias para a implantação do Nosso Negócio, é bem mais importante do que a simpatia ou qualquer outra característica tida como obrigatória!

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Sobre o autor

Teresa Damásio

Teresa Damásio é Administradora Delegada do Grupo Ensinus desde julho de 2016, constituído por Instituições de Ensino Superior, o ISG, por Escolas Profissionais, o INETE, A Escola de Comércio de Lisboa e a Escola de Comércio do Porto, a EPET,... Ler Mais