Depois da incubadora açoriana ter entrado em processo de formalização, conversámos com Guido Teles, vereador da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, para perceber quais são as expetativas da Startup Angra para este ano.

Apesar de estar distante do epicentro do empreendedorismo do continente, a Startup Angra tem um grande trunfo a seu favor: o facto de ser especializada em setores pouco explorados pelas restantes incubadoras nacionais.

A aposta na indústria agroalimentar, nas energias renováveis e no cluster marítimo tornam este ninho açoriano de start-ups único no panorama português. Para além de ser especializada nestes temas, a Startup Angra garante aos seus incubados um valor inferior ao que se pratica no continente.

Como prevê a evolução do mercado nacional de start-ups em 2018? Em termos de investimento, de aparecimento de novos projetos…
O mercado das start-ups está a evoluir quer em número quer em qualidade. Prova disso foi a recente distinção  em Las Vegas [que Portugal recebeu no âmbito da inovação]e que está diretamente relacionada com a maturidade já alcançada do nosso ecossistema empreendedor. Em termos gerais é esta a realidade nacional. A questão é que esta realidade é muito centrada nas grandes cidades portuguesas, em particular em Lisboa.
A meu ver este fator “central” poderá vir a potenciar o aparecimento de novos empreendedores e projetos em outros territórios do país, face ao congestionamento de start-ups nos grandes polos. Se assim for, que venham para os Açores e para a StartUp Angra e/ou o Parque de Ciência e Tecnologia da Ilha Terceira.

Na sua opinião, quais as principais dificuldades que se perspetivam para as start-ups portuguesas?Ultrapassar a aversão ao risco continua a ser um dos principais objetivos das start-ups nacionais. Apesar de se vir notando uma evolução nesta matéria nos últimos anos, ainda temos um longo caminho a trilhar no que respeita a esta mudança de mentalidade e de cultura.
Por outro lado, o empreendedorismo e as start-ups estão em voga, o que significa que a concorrência também é significativa. O desafio da inovação e da diferenciação torna-se necessariamente mais exigente.
Por último, continuo a considerar fundamental um aprofundamento das medidas governamentais dirigidas à desburocratização e aos incentivos para o arranque das start-ups.

Adivinha-se alguma dinâmica particular em algum sector específico?
Nos Açores temos os nossos clusters de atividade definidos: o turismo, a indústria agroalimentar, as energias renováveis, as indústrias criativas, o cluster marítimo e a tecnologia. Este último como umbrela de todos os outros.
No nosso caso, Angra do Heroísmo, com a conclusão do Parque de Ciência e Tecnologia da Ilha Terceira para o segundo semestre deste ano, todos os nossos eixos prioritários de atividade referidos terão oportunidade e as condições adequadas para serem trabalhados.
Pessoalmente, apostaria nas tecnologias de informação, não só pela velocidade de resposta do setor e pela sua escalabilidade, mas também pelo plano de ação que está em desenvolvimento por parte da Invest In Azores, que é o Terceira Tech Island.

Que recomendações faria às start-ups este ano? Que erros devem evitar?
Misturando um pouco as recomendações com os erros, direi que: antes do plano de negócios vem o plano de vida. Segundo: têm de saber escolher muito bem as pessoas, mesmo que possam ser familiares ou os nossos melhores amigos. Nem todos têm a capacidade de entender as nossas ideias e projetos. Rapidamente ouviremos algo do tipo: “grande ideia”, “tem tudo para resultar” e “desiste já”. Têm também de mostrar rigor na amostra, perceber que a maioria não é número e, por fim, terem sensibilidade e bom-senso.

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