Acredito que tentar ser uma pessoa melhor, pretender ter o sentido de justiça, equidade e solidariedade sempre presente no processo de tomada de, agir com preocupação de consensualizar soluções, defendendo os interesses da instituição para a qual trabalhamos, faz toda a diferença no nosso dia-a-dia.

É óbvio que acreditar naquilo que fazemos é essencial. Mas a atitude e a acção é o que faz a diferença. Se tivermos uma atitude alicerçada num referencial de valores éticos, uma atitude de pro-actividade, de pragmatismo e de respeito pelas liberdades e direitos dos outros, teremos decerto um melhor resultado.

Quando me perguntam se os empresários e investidores continuam a acreditar no potencial de Portugal, respondo que sim. Acredito que Portugal tem valências muito interessantes, mas cada caso é um caso. Temos bons exemplos de projectos empresariais e negócios de base científica e tecnológica com a chancela made in Portugal a gerar resultados muito expressivos à escala global e a criar centenas de postos de trabalho qualificados. Com o universo das start-ups a atrair cada vez mais os profissionais portugueses, o país entrou na mira dos investidores e está a destacar-se no ecossistema do empreendedorismo mundial com um aumento das designadas scale-ups, start-ups de crescimento muito acelerado, capazes de angariar os elevados montantes de capital e de financiamento que a sua expansão requer.

Recentemente, num encontro sobre projectos de impacto social, o tema da conversa acabou por ser a rede internacional Impact Hub, que recentemente se instalou no Museu da Carris em Lisboa e que já acolhe empreendedores com projectos auto-sustentáveis de “impacto social”. Depois de abrir em mais de 80 cidades, como Londres, Tokyo, Curitiba ou Zurique, a rede internacional de start-ups Impact Hub chegou também a Lisboa e continua a expandir-se.

O Impact Hub é só mais um exemplo do que é bem feito no exterior e que podemos aproveitar e replicar no nosso ecossistema. Temos é de acreditar que temos potencial e talento – e é isso que constato todos os dias.

No crescimento e sustentabilidade de um projecto empresarial, acreditar e talento é mesmo tudo. Não basta crer ou ter fé, há que ter a noção que isto não chega. O realismo, com tudo o que implica de conhecimento de riscos, oportunidades e condicionantes, é um condimento muito importante, determinante mesmo. Começa-se por um conceito, uma ideia. Passar a ideia para um business plan e, subsequentemente, à sua execução é o verdadeiro desafio.

É sábio ter autoconsciência das suas capacidades e rodear-se das competências certas na empresa. Aqui, as incubadoras e as aceleradoras estão a fazer um trabalho notável, em particular através do mentoring que é feito, principalmente pelo challenge de ideias que fazem. É na diversidade que está efectivamente a riqueza.

Os empreendedores têm de ser capazes de fazer acreditar no conceito. E reunir as valências na equipa para executar a proposta de valor que promovem. Só assim o sucesso desejado pode ser alcançado. É igualmente fundamental assegurar as competências de gestão e a flexibilidade organizacional necessárias. Concluo que é imprescindível acreditar, mas que não será decerto suficiente para atingir o pretendido!

É isso que procuro fazer todos os dias com a equipa, demonstrar que a exigência deve começar com cada um e que não devemos ser mais exigentes com quem quer que seja do que somos connosco. É também sabido que considero incontornável obter soluções que possibilitem dar a oportunidade de cada um poder contribuir. Ouvir sugestões, propostas, aceitar perspectivas distintas é importante para a formação de uma visão integradora e mais robusta. Todos temos os nossos trajectos profissionais, os nossos enquadramentos sócio-familiares, no fim, as nossas experiências individuais que nos fazem únicos. Além de todos termos as nossas circunstâncias. Tudo isso faz com que as pessoas com quem trabalho saibam que estou sempre pronto a ouvi-las.

Nota: Artigo escrito ao abrigo do antigo acordo ortográfico.

* João Lopes Raimundo, membro do Conselho de Administração Executivo da Caixa Económica Montepio Geral

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Sobre o autor

João Lopes Raimundo

João Lopes Raimundo é empresário, envolvido em diversos projetos e em setores de atividades distintos. Interessado em intervenções no domínio das artes plásticas e da economia social, foi membro do Conselho de Administração Executivo da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) e Presidente do Conselho de Administração do Montepio Investimento, S.A. Integrou os Conselhos de Administração da SIBS, SGPS, S.A. e SIBS FPS – Forward Payment Solutions, S.A., da CIMPOR, SGPS,... Ler Mais