Nicholas Boothman fundou em 1982 a empresa de publicidade Corporate Images. Mais tarde, criou o Persuasion Technology Group. Depois de 25 anos de carreira na indústria da moda e fotografia para publicidade, Boothman tornou-se num praticante licenciado de programação neutro-linguística, uma técnica controversa que a academia nacional de ciências concluiu faltarem bases científicas.

Ao Link To Leaders, o autor do livro “Convince Them in 90 Seconds or Less: Make Instant Connections That Pay Off in Business and in Life” explicou como a nossa capacidade para criar laços com outras pessoas pode ser fundamental para a obtenção de uma liderança de sucesso e para inspirar equipas de trabalho, gerando os sentimentos de compromisso e confiança em todos os envolvidos.

Porque é tão importante que os outros gostem de si?
O segredo do sucesso nos negócios e na vida não é difícil de perceber. Quanto melhor estiver ligado aos diferentes tipos de pessoas e fazer passar as suas ideias, mais sucesso terá. Basicamente há três motivos pelos quais é tão importante que os outros gostem de si. E quando digo ‘gostem’, refiro-me a confiarem e a sentirem-se bem consigo. Primeiro motivo. Quando as pessoas gostam de si, tendem a ver o que tem de melhor e o que representa; mas se não gostarem, acontece exatamente o oposto. Se for um louco aos saltos por aí, se as pessoas gostarem de si, vê-lo-ão como um entusiasmado; mas se não gostarem, vê-lo-ão como um idiota.

O segundo motivo porque é tão importante que as pessoas gostem de si é que, inconscientemente, procuramos motivos para dizer ‘sim’ às pessoas de quem gostamos, enquanto, inconscientemente, procuramos motivos para dizer ‘não’ àquelas de quem não gostamos. E, o terceiro motivo é que é muito difícil divertirmo-nos com pessoas de quem não gostamos. Se estamos numa equipa com oito pessoas e ninguém gosta de uma delas, o trabalho será extremamente cansativo, iremos para casa de mau humor e voltaremos no dia seguinte cheios de mau humor. Mas, quando todos se dão com todos, a energia flui e o nosso trabalho terá melhor qualidade.

E porquê 90 segundos?
Enquanto pesquisávamos sobre os estilos de comunicação de líderes de sucesso, descobrimos que os melhores eram capazes de se ligar, ganhar confiança e respeito, começar a encontrar uma base comum, acabar com a luta da resposta irrefletida e começar a encontrar um caminho que coloque as suas ideias de negócios no topo das prioridades da outra pessoa, em 90 segundos ou menos.

Existe um programa de TV Norte-americano, o “Shark Tank”, que também têm em Portugal. Um dos tubarões mais conhecidos, Kevin O’Leary, disse-me que verificou que todas as pessoas que conseguiram investimento no “Shark Tank” foram capazes de articular a sua ideia de negócio em 90 segundos ou menos. Acho isso extremamente importante, pois, se não conseguir convencer com a sua ideia em 90 segundos ou menos, significa que você próprio não sabe verdadeiramente o que é a sua ideia.

Relações em negócios e relações de foro pessoal são coisas diferentes. Pessoalmente podemo-nos afastar de pessoas de quem não gostamos, mas não se pode afastar de uma relação de negócios sem se despedir do seu trabalho.

Quais as diferenças entre comunicação e conversação?
Comunicação e conversação não são a mesma coisa. A conversação é usada para trocar ideias e opiniões com vista à construção de relacionamentos. A comunicação é diferente: é orientada para um objetivo – é sobre fazer coisas. Negociar é conseguir trazer boas ideias para o mercado. Seja qual for o seu negócio, a questão está nas suas ideias, em como colocá-las nos corações e mentes das outras pessoas. Fazemos isso por duas vias, porque formulamos as nossas ideias, colocamo-las em palavras e levamo-las até às outras pessoas. Se todos nos ouvirem, é só uma parte da ideia, do sistema de entrega. Todos nós temos uma forma própria de colocar as nossas ideias em palavras e conseguir colocá-las nos corações e mentes das outras pessoas é o que chamamos de estar “totalmente conectado”.

Conversação é, basicamente, quando duas pessoas trocam de ideias e opiniões igualitariamente – eu falo, tu falas, tu falas, eu falo – até encontrarem ideias em comum e, esperemos, razões para gostarem uma da outra. Se estiver a ter uma conversa com a minha filha sobre como decorreu o seu dia e depois mudar a conversa para “Precisas de arrumar o quarto”, acabei de mudar a interação de “conversação” para “comunicação”, e espero obter o objetivo pretendido – um quarto arrumado. Para compreender se a comunicação está a funcionar, são necessárias três coisas: saber o que realmente espera; avaliar aquilo que está a conseguir e mudar a sua abordagem até conseguir o que quer.

Nos meus livros e apresentações, uso o acrónimo SAM (KFC em inglês), para que as pessoas se lembrem destes “segredos” fundamentais dos grandes comunicadores em todas as áreas da vida.

O que precisam as pessoas de hoje para ficarem mais motivadas, felizes e serem bem-sucedidas
Porque acha que há tantos motivational speakers hoje em dia? A resposta é simples: porque não funciona. Motivação é um efeito temporário externo à pessoa. A palavra “motivação” significa, essencialmente dar um motivo para fazer algo, como, por exemplo, vou pagar-lhe mais, dizer-lhe “você é brilhante”, ou deixar de o perseguir. Mas é algo cujo efeito é temporário: assim que o motivo desaparece, a energia e o esforço anteriores diminuem.

Inspiração é o oposto de motivação – vem do interior da pessoa e é permanente. O crescimento é melhor quando pessoa, propósito, projetos e paixão vêm juntos. Quando tal acontece, o potencial humano ultrapassa todos os limites. O medo e as dúvidas saem pela janela e o lucro entra pela porta da frente.

Para alcançar este nível de inspiração, é preciso descobrir os seus “cinco superpoderes”. Por “superpoderes” não quero dizer a habilidade de voar por cima dos prédios como o Super-homem, temos máquinas para fazer isso. Falo de cinco poderes com os quais nascemos. São: entusiasmo, curiosidade, habilidade de processar feedback, empatia e imaginação. Quando estes cinco superpoderes trabalham corretamente, inspiração, crescimento e paixão são o resultado garantido. Isto acontece porque:

  • Nada que valha a pena é alguma vez alcançado sem entusiasmo. Sem ele não há paixão, não há ambição e não há crescimento.
  • Excelentes comunicadores fazem excelentes perguntas. Sem curiosidade não há conhecimento, educação, exploração, nem crescimento.
  • Falhar não existe, apenas feedback. Sem feedback não há flexibilidade, inovação, progresso e SAM!
  • Estamos todos juntos Provocamos impacto uns nos outros de formas que nem conseguimos compreender. Sem empatia não há preocupação com os outros, compaixão, comunidade e amor.
  • Imaginação domina o mundo. É o poder mais forte da Humanidade. Sem ela não há sonhos, cultura, nem futuro.

Vivemos nas nossas imaginações. Você perguntou-me sobre felicidade e sucesso. Vamos falar primeiro da felicidade. Há diferentes momentos de felicidade, mas, falando de forma genérica, existem pequenos “momentos” de felicidade e felicidade de longo prazo.

Num estudo publicado no ano passado no National Journal of Science, pesquisadores colocaram 1.824 pessoas numa máquina de ressonância magnética, para medir a resposta cerebral a certos tipos de estímulos. Concluíram que os seres humanos experienciam os seus maiores momentos de felicidade quando estão a antever algo que querem e quando o resultado é incerto. Por outras palavras, quero que a minha equipa ganhe hoje à noite, mas não sei se vai ganhar ou não. Estou ansioso que chegue o meu iPhone novo. Vou fazer umas férias num local novo e espero que seja fantástico, apesar da incerteza… Todos estes momentos são “momentos” de felicidade que residem na imaginação.

A felicidade de longo prazo vem de algo que gosto de chamar “jardinagem constante”. Plantar sementes de ideias e relações e fazê-las crescer. Quanto melhor souber embalar as sementes das suas ideias e plantá-las na imaginação das outras pessoas, mais sucesso terá.

O que podemos fazer para ser melhor sucedidos?
Cada pessoa tem a sua definição de “sucesso”. A minha definição é sucesso é viver a vida que se escolheu. Pondere bem qual o estilo de vida que pretende e depois faça-o real na sua imaginação, como se se tratasse de um filme. Num determinado momento do futuro, com quem estará e o que estará a fazer? Olhe à sua volta e encha a sua imaginação com a cena completa. Tudo o que pode ver, ouvir, sentir e saborear.

Digamos, em Fevereiro de 2019 estarei… E vá escrevendo como se estivesse a criar um guião sobre o filme da sua vida. Sabe que mais? O seu subconsciente irá fazer tudo para que esse filme se torne realidade. Vale a pena relembrar que a sua mente consciente consegue processar cerca de 40 bits de informação por segundo, enquanto o seu subconsciente consegue processar cerca de 11 milhões! É esse género de processamento que vai querer a trabalhar para si.

Quais foram as principais lições de vida que o Nick’s aprendeu até hoje?
A nossa vontade de nos expressarmos abertamente, confiar na nossa intuição e tentar novas coisas dá-nos acesso a vários géneros de oportunidades imprevistas, múltiplos encontros providenciais e boa sorte em geral.

A maioria das pessoas têm os recursos e a capacidade para conseguir dez vezes mais do que alguma vez irão conseguir. Mas estão limitadas, não pelo que podem fazer, mas pelo que estão dispostas a tentar. A maioria tem medo de sair da sua zona de conforto.

Assim, todos os dias perdem oportunidades para crescer, ao criarem respostas irracionais para novas situações. Seja por medo de falhar, de perder o controlo, rejeição, perda de salário ou de estatuto social, perdem ao fazer inconscientemente decisões limitativas em cada momento.

Assim, perdem oportunidades para criar o trabalho dos seus sonhos, construírem as vidas que desejam e fazerem as mudanças que irão levar as suas ideias ao sucesso. Eis o que aprendi: fale! Confie no seu instinto e faça algo que o assuste todos os dias. No outro lado do medo esperam todas as suas oportunidades.

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