Falámos com dois business angels para perceber o que esperam daquele que é considerado o maior evento de inovação e tecnologia da Europa. Francisco Ferreira Pinto, da Busy Angels, e José Basílio, da VeGa Ventures, deixam ainda alguns conselhos que as start-ups devem seguir.

Preparação, networking, dose certa de insistência e um olho atento aos eventos paralelos. Lisboa está prestes a receber o maior evento de inovação e tecnologia da Europa, o Web Summit. Desde as grandes empresas às mais pequenas start-ups, já todos se preparam. E de olhos nelas estão os investidores.

“Para mim a grande mais-valia do Web Summit centra-se em conseguir concentrar em Lisboa, e num par de dias, um conjunto relevante de investidores (nacionais e internacionais), promotores e representantes de grandes empresas. Nesse sentido, a minha expetativa para este terceiro ano de Web Summit foca-se essencialmente e mais uma vez no network, retomar / iniciar ligações com todos estes contactos relevantes durante o evento. O planeamento será mais uma vez a chave para se retirar o máximo de um evento como este”, começa por dizer Francisco Ferreira Pinto, administrador executivo da Busy Angels.

Também José Basílio, managing partner da VeGa Ventures, destaca a importância do networking nesta terceira edição do Web Summit. “Espero uma oportunidade para rever e fazer novos contactos, encontrar boas start-ups e perceber algumas tendências tecnológicas e de investimento”, refere.

Para Francisco Ferreira Pinto, as áreas de deeptech, inteligência artificial e blockchain são as que mais interesse lhe irão despertar no evento: “Caso me sobre algum tempo das atividades de network, gostaria de acompanhar algumas conferências mais específicas focadas em temáticas ligadas ao deeptech, inteligência artificial e blockchain. Temos já alguns investimentos nestas áreas sendo importante acompanhar as tendências e avaliar potenciais sinergias com outros projetos mais avançados”.

Já o managing partner da sociedade gestora de veículos de investimento de business angels Vega Ventures revelou ao Link To Leaders que, para além de AI & Blockchain, também irá estar atento às áreas de Digital Energy, Clean Tech, Sustainability e IOT.

Os business angels deixaram ainda conselhos a quem procura nos próximos dias capital para uma empresa.

“[As start-ups] devem apresentar uma mensagem muito sucinta, mas clara, focando-se nos seus pontos de diferenciação, no que já conseguiram atingir e na qualidade e experiência da equipa”, sugeriu José Basílio.

Por seu turno, Francisco Ferreira Pinto aconselhou as start-ups a captarem a atenção dos investidores/business angels antes do evento começar, identificando com quem pretendem falar e procurando agendar os encontros antecipadamente.

“Há que explorar todas as formas de se conseguir chegar ao contacto seja por referência de um contacto mútuo, seja por LinkedIn ou através da app do evento. É importante salientar que a maioria dos investidores também vai ao evento para conhecer projetos e como tal estão muito habituados a este tipo de abordagens e valorizam qualquer planeamento antecipado”, explicou.

Apesar de considerar que “o contacto direto no Web Summit tende a ser mais complicado, com os investidores tipicamente a correr de um lado para o outro (devido aos agendamentos antecipados que têm) e com pouca margem para prestar a atenção devida ao projeto”, o administrador executivo da Busy Angels aconselha as start-ups a participarem nas competições de pitch.

“Outra forma que também pode funcionar, e que tenho inclusive alguns casos de empresas no nosso portfólio que o indica, é participar nas competições de pitch durante o evento. São sempre locais de concentração, onde alguns investidores estarão presentes e poderão demonstrar interesse posterior em evoluir nas conversas”, conclui.

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