Inaugurada no final do ano passado, a plataforma Made in Portugal  coloca produtos nacionais no mercado britânico. Mas Pedro Sousa ambiciona receber encomendas de todo o mundo.

Levar produtos nacionais aos portugueses residentes no Reino Unido foi o ponto de partida da plataforma criada por Pedro Sousa. Com investimento próprio, de quatro pessoas, criou uma equipa local para apoiar o projeto, desenvolveu uma rede de parcerias para fornecimento de produtos e, agora, espera ir muito além do mercado britânico.

De quem partiu a ideia do projeto Made In Portugal?
A ideia partiu de mim, Pedro. Cheguei a Inglaterra em setembro de 2016, e ao longo do tempo que cá estava reparei que nos supermercados britânicos pouco ou nada havia de produtos portugueses. No entanto, como eu viajava muito para Portugal, reparava que muitas famílias portuguesas compravam os produtos “de sempre” nos aeroportos para trazerem algo português para o Reino Unido. Foi então que surgiu a ideia de criar uma plataforma online de produtos portugueses, no Reino Unido, inicialmente, e depois em todo o mundo. Estou a desenhar o projeto desde outubro de 2016, criei uma equipa em maio de 2017, e em dezembro de 2017 é feita a abertura em Londres.

Como está a correr a implementação e dinamização do projeto?
Somos uma equipa jovem e dinâmica, e este negócio é novo para nós, pelo que todos os dias temos desafios… tudo é um desafio e estamos sempre a aprender. Estamos a crescer devagar, porque estamos, neste momento, a preparar tudo para o “grande” salto. Temos pessoas a ajudar, desde uma empresa de cash & carry em Portugal até um consultor, mas sem dúvida que o feedback dos clientes é o mais importante para nós… e por agora eles estão contentes!

Auto-caracterizam-se como uma empresa do “género Amazon”. De que forma isso se reflete na vossa abordagem ao mercado?
Reflete-se no modelo que estamos a implementar: queremos que qualquer português, ou apreciador de produtos portugueses, possa tê-los à sua porta em qualquer parte do mundo, com poucos cliques e a um custo que seja justo para todos… Começámos pelo Reino Unido porque estamos aqui, mas sonhamos com o mundo todo! E não queremos ser os únicos a vender no Made in Portugal. No futuro, qualquer outra empresa ou pessoa que possui o seu negócio poderá promover/vender os seus produtos no nosso website. E isso é, no fundo, o que a Amazon faz, certo?

É fácil montar uma plataforma on line de venda de produtos tão diversificados?
Nunca é fácil criar um negócio do zero! Está a ser um grande desafio e uma aventura que nos motiva a trabalhar cada vez mais e melhor. Ter esta diversificação de produtos portugueses tão grande no nosso site é algo ambicioso, sabemos, mas não queremos criar mais um “portalzinho”: queremos ser “O portal”. Também por isso, o nosso foco é não apenas a diversidade em si, ou o custo, mas fundamentalmente a experiência de compra e o apoio a cliente. Em suma, é fácil montar um site, mas não um “Made in Portugal” a funcionar a sério e a servir bem os clientes… nós gostamos de desafios!

Como foi criada a plataforma? Qual o investimento canalizado para este projeto?
A plataforma foi criada inicialmente através do Shopify e com base num primeiro fornecedor situado no Reino Unido. Foi assim o começo, com o nosso pocket money (na verdade todas as nossas poupanças!). Neste momento, e em função da evolução do que queremos fazer, estamos em negociações com um parceiro português na área do cash & carry, para tornar o processo mais ágil e eficiente (e lucrativo). Prevemos evoluir e melhorar o site, para estar sempre atualizado quanto ao que de melhor se faz na web.Trabalhamos para reforçar a operação logística, procurando parceiros que nos apoiem no crescimento que iremos ter. No fundo, é um projeto em que investimos o nosso (pouco) dinheiro, mas principalmente suor, sofrimento e muito tempo.

Então é investimento próprio ou de investidores?
Investimento próprio. Somos uma equipa composta por quatro pessoas, e cada uma tem a sua parte de investimento. Depois temos uma quinta pessoa, um parceiro na área do coaching que investe tempo e muita paciência connosco.

Como funciona a componente logística de entrega dos produtos? Têm parceiros nessa área?
Estamos a meio da ponte.Por agora, toda a nossa logística ainda é encomenda a encomenda. Ao mesmo tempo, trabalhamos para encontrar os parceiros certos para centralizarmos a operação, seja o transporte de Portugal seja a entrega, diretamente, para o cliente no Reino Unido.

O chamado “mercado da saudade” (emigrantes) é o vosso target ou a aposta vai mesmo para o público britânico?
O nosso público alvo primário são os portugueses, mas a ambição é sem dúvida chegar aos britânicos e a outras nacionalidades. Cada vez mais, pessoas de qualquer parte do mundo apreciam um bom vinho português, e isso é uma oportunidade de abrir a porta a outras “provas”: queijos, cerveja, azeite… é uma oportunidade enorme, porque o produto português de qualidade é verdadeiramente muito bom. Não é por acaso que a nossa gastronomia é muito bem apreciada!

Quantas referências de produtos disponibiliza atualmente a plataforma?
Todos os dias temos variações, seja pela disponibilidade seja porque introduzimos produtos novos. De momento, pode variar entre 300 a 400 referências de produtos. Consoante os pedidos e as pesquisas dos nossos clientes, procuramos ter sempre os produtos de que os portugueses mais sentem saudade.

Desde que iniciaram a atividade em dezembro qual tem sido a recetividade? Quais os produtos mais procurados?
Tem sido positiva e crescente, e permite-nos recolher o mais importante, nesta fase: o feedback das pessoas (só assim conseguimos melhorar o nosso serviço). Mas voltando à pergunta, bacalhau e vinho, sem dúvida.

Para onde vai caminhar o Made in Portugal? Reforçar a plataforma com produtos, criar novas funcionalidades…
O Made in Portugal vai desenvolver-se em três frentes distintas: melhorar e desenvolver os processos logísticos (fornecedores, transporte, entrega), o grande desafio do nosso projeto; melhorar a plataforma web, para que a experiência de utilização e compra seja cada vez melhor; e implementar práticas de apoio/acompanhamento do cliente únicas, para que cada cliente se torne um fã e volte, uma e outra vez (cada fã será publicidade gratuita!). Tudo o resto (mais variedade, menores custos, etc.) virá por acréscimo, se a plataforma, os processos logísticos e o serviço ao cliente forem sólidos. E, claro, há o crescimento para o mercado mundial, mais à frente.

Criar uma loja física em Londres está nos planos?
Sim e não… já existem lojas, o que queremos inovar é através da internet. Hoje em dia, cada vez mais pessoas optam pelas compras online, é rápido, cómodo e não precisam sair de casa. Mas futuramente,  caso as pessoas realmente o desejem. Pode até fazer sentido… Não é uma prioridade, mas é uma possibilidade nos nossos planos.

Quais as perspetivas de crescimento para o primeiro ano de atividade do Made in Portugal?
O nosso objetivo é faturar 250,000£ em 2017, entre b2b e b2c. Mais do que o número, porém, queremos crescer com pés e cabeça e sabemos que há muito para fazer antes de estarmos a trabalhar a full-power: Só conseguiremos ter sucesso a médio-longo prazo se fizermos já bem o trabalho de casa, com os processos e a forma de trabalhar o mais otimizada possível… Sabemos que, dessa forma, as vendas virão, e por isso temos esta fixação em construir alicerces sólidos.
Depois há uma série de desafios externos, temos consciência deles: o Brexit, as leis diferentes das de Portugal, os custos elevados aqui… É por isso que queremos manter custos e processos “debaixo de olho”, porque sabemos que todos os tostões contam para levar ao sucesso uma plataforma destas.

A entrada de um investidor é algo que está nos vossos planos, até como forma de fazer crescer o projeto?
Sim, é algo que definitivamente vamos procurar nos próximos tempos. Por agora estamos concentrados em consolidar tudo e transformar trabalho em vendas, para termos um “produto” sólido para os investidores… Sabemos que eles gerem o seu dinheiro de forma meticulosa e, por isso, queremos levar a investimento um Made in Portugal absolutamente vencedor!

Respostas rápidas:
O maior risco: Brexit.
O maior erro: Perda do primeiro cliente (pagou um produto que não tínhamos em stock, algo que corrigimos de imediato!)
A melhor ideia: Criar um portal onde as empresas portuguesas possam disponibilizar os seus produtos a todos os portugueses (e apreciadores de produtos portugueses) pelo mundo fora, com apenas alguns cliques, no conforto de suas casas.
A maior lição: Se não nos prepararmos a sério, não conseguiremos comunicar eficazmente.
A maior conquista: Colocar o site online, a funcionar, e receber as primeiras encomendas.

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