Especializada no desenvolvimento de soluções na área dos sistemas de informação, a WorldIT destaca-se pelas tecnologias Mobile, Portais, CRM, BI e integração de sistemas. O CEO Nuno Tiago Pereira fala das apostas da empresa e ainda analisa as tendências do mercado.

Como surgiu a WorldIT – Consulting Services?
Surgiu em 2004 para dar resposta à procura de serviços de CRM. A experiência internacional da equipa inicial explica a ousadia de entrar num mercado onde tradicionalmente só as grandes empresas de consultoria operavam.

Quais os serviços que oferecem?
Trabalhamos numa abordagem de consultoria e implementação de soluções tecnológicas. O nosso know-how assenta nas soluções de CRM e Marketing, tanto na cloud como onpremisses, assim como na construção de Portais e Aplicações Mobile de integração de serviços.

Quais as áreas de maior aposta da empresa?
O CRM e Marketing, Portais e Mobile são as grandes apostas. No fundo, a nossa especialidade e know-how assenta em encontrar e implementar soluções tecnológicas à medida das necessidades das empresas, nomeadamente ao nível da consultoria sobre a arquitetura de sistemas e o seu desenvolvimento.

Como carateriza o tipo de cliente que vos procura?
Trabalhamos com vários perfis de clientes, com destaque para os corporativos, de média e grande dimensão. Na sua maioria são clientes que reconhecem e estão bastante esclarecidos quanto aos impactos e objetivos da transformação digital. O know-how das nossas equipas – experiência e capacidade de aconselhamento – e, sobretudo, a nossa capacidade de implementar processos ágeis e com bons resultados, explicam o nosso reconhecimento no mercado.

De todos os projetos em que estiveram envolvidos, qual foi o mais desafiador?
Há muitos projetos desafiantes, sendo sempre difícil destacar algum. Do ponto de vista corporativo e do impacto no negócio, podemos falar do projeto de um cliente do setor financeiro, que contemplou desde a definição até à implementação de toda a solução de suporte à operação. Em tempo record (menos de quatro meses) criámos toda a solução tecnológica que gerou o máximo de processos automatizados, com a disponibilização de informação crítica para a operação, tanto para os decisores internos como para os clientes e parceiros. As operações decorrem em múltiplos canais e contemplam mais de uma dezena de integrações terceiras – avaliação de crédito, reconciliamento bancário, canais e portais de contacto – web e mobile, emails e notificacões push, integração contabilística, assinatura digital, produção de contratos online etc. No final, com apenas um NIF e um click na aplicação mobile, este projeto consegue, em tempo real, saber qual o limite de crédito ótimo a atribuir a um potencial cliente, bem como executar e validar a assinatura dos representantes da empresa cliente, tudo isto com uma equipa mínima de operação.

Outros projetos desafiantes, com muito mediatismo associado, são a solução que inclui a Aplicação Mobile e Portais de suporte da prova desportiva Volta à Portugal em bicicleta que atinge, recorrentemente nas stores, a primeira posição nas aplicações nacionais de desporto. Fora de portas, o projeto internacional que contemplou o desenvolvimento da solução de Marketing da Daimler, executado na Alemanha para todo o mercado Europeu.

Quais as grandes tendências digitais em curso? E quais os desafios?
A uniformização das interações, por via de todos canais (o conceito de omnichannel) e o processamento estruturado da informação. Se repararmos, estes dois fatores estão relacionados com áreas atualmente em voga – IA (ex:automatic bots) e Big Data (segmentação para marketing). Se pensarmos que existem cada vez mais canais “automáticos” (email, chat, voz, social), percebemos a necessidade de criar mecanismos capazes de “entender” e processar todos estes dados independentemente da origem – canais internos ou externos, notícias, redes sociais etc. de forma uniforme, adaptável e com menos recursos humanos.

As empresas portuguesas estão preparadas para a transformação digital?
Já existe um caminho percorrido, mas há ainda muito trabalho pela frente. Os indicadores europeus dão conta disso mesmo. Por exemplo, no final de 2017, Portugal estava posicionado em 15.º lugar, entre 29 países analisados, de acordo com o relatório do EDPR (Europe’s Digital Progress Report), que avalia cinco indicadores: conectividade, capital humano, utilização de internet, integração de tecnologia digital e serviços públicos digitais. É uma boa posição, mas com muito espaço de melhoria.

E as empresas podem continuar a adiar investimentos nas TI? Quais as áreas onde poderão registar-se maiores investimentos e em que setores da economia?
Não há muito espaço para adiar ações ou investimentos que levem à adaptação de novos modelos de trabalho e operação. As PME`s, o grosso do tecido empresarial português, têm um desafio crítico para a sua sobrevivência. A adaptação e inovação são obrigatórias, sob pena de não se conseguirem impor num mercado em que a concorrência já não tem fronteiras. Quase todas as áreas e setores de economia terão que fazer ajustes, sendo que os serviços primário e industrial têm ainda mais desafios, sendo dessas áreas que poderá surgir o maior investimento.

E a Administração Pública poderá recuperar um papel de destaque como motor do investimento em TI?
A administração pública tem vindo a trabalhar nesta transformação há já alguns anos. Aliás, enquanto gestor é notória a melhoria em algumas organizações. Contudo, nos últimos anos, verificou-se alguma contenção, por força da crise económica. Mas é importante que os atores políticos reconheçam as mais valias das mudanças implementadas e que retomem, o quanto antes, as medidas que ajudarão a fazer avançar o projeto Portugal Digital.

O digital é um catalisador do crescimento e fortalecimento da economia, mas é preciso saber usá-lo. Acredita que a noção do poder das tecnologias digitais existe e está bem enraizada? O que é que falta ainda?
Embora em clara mudança, penso que essa perceção ainda não atingiu todos os decisores. Viajei muito e sem dúvida que as mentalidades mudaram. O reconhecimento de que o mercado é global, é fundamental para o enraizamento da noção do poder das tecnologias. O nível de formação, não apenas académica, continua a ser determinante para fazê-los compreender a urgência da integração do digital nas suas organizações.

No que é que os clientes portugueses são diferentes dos clientes internacionais da WorldIT?
Trabalhamos com clientes de várias áreas e geografias e há semelhanças entre eles. Contudo, reconheço que as maiores diferenças estão na capacidade de investimento e de reconhecimento de que esses investimentos darão frutos a médio e longo prazo e, nem sempre, de forma imediata. Em Portugal, ainda existem algumas barreiras a derrubar.

Projetos para o futuro…
Estamos a trabalhar em muitas iniciativas dentro da nossa oferta de produtos e serviços. Por exemplo, há mais de seis anos que somos parceiros de algumas universidades e acompanhamos os seus projetos de investigação. Estamos ainda a consolidar os nossos produtos e oferta nos canais mobile e, a curto prazo, faremos crescer a nossa oferta na área do CRM na cloud, com destaque para as soluções complexas com integrações transversais para modelos de negócio que impliquem tarefas de pagamento, omnichannel e marketing direcionado. E claro, queremos continuar a reforçar a nossa marca WorldIT e os nossos serviços em projetos internacionais.

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