As sociedades humanas evoluem a um ritmo que nos parece cada vez mais rápido e esse aumento de dinamismo resulta hoje, em grande parte, do potencial e da transversalidade das novas tecnologias, processos que, por sua vez, também se replicam quase incontrolavelmente.

É neste “admirável mundo novo” que os humanos têm de se integrar e saber, como desde sempre, melhor se adaptar. Como nos ensinou há muito Charles Darwin, “Não é o mais forte o que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”.

Ao pensar na globalidade dos humanos e das suas sociedades, relativamente a capacidade de adaptação, o que se observa é que, sempre que a realização de necessidades mais prementes é urgente a adaptação surge mais rápida. Contrariamente, situações em que a vida está mais protegida, surgem vícios de conforto e culturas de desperdício, num sentido abrangente, que prejudicam essa capacidade.

Porém, muitas das vezes, a adaptação em sociedades “menos” desenvolvidas e com maiores carências pode até ser maior mas tal não significa que seja mais visível, ou tenha maiores resultados, até por o ponto de partida ser diferenciado. As variáveis dão azo a múltiplas situações, dependendo da gestão feita em prole do desenvolvimento económico e social sustentável e dos valores subjacentes aos caminhos seguidos.

Numas e noutras, existem várias velocidades de adaptação, ficando sempre inexoravelmente para trás aqueles que não optam, não conseguem ou não tem a oportunidade de seguir o fluxo da mudança.

Entre as diversas sociedades humanas, sejam elas delimitadas por critérios geográficos e culturais ou meramente por segmentos ou setores de negócios, se nas “menos” desenvolvidas urge apoiar a possibilidade de acesso a mais oportunidades, i.e. a sua inclusão, permitindo alcançar ferramentas técnicas, tecnológicas e a educação, nas “mais” desenvolvidas é imperativo acabar com a preguiça do conforto em excesso e com o desperdício.

Este pensamento de equilíbrio é aplicável ao indivíduo, na sua mentalidade e atitude perante a vida, e a qualquer tipo de sociedade humana, nos valores que defende e no seu processo de crescimento.

No “admirável mundo novo” a dureza da rapidez das alterações obriga ainda a um mindset, uma cultura, que acompanhe a velocidade e traz, com isso, desafios cada vez maiores de conhecimento individual e coletivo.

E as diferentes velocidades extremam-se.

Neste quadro, o “movimento start-up” não só pede ao individuo que aja por si, saia da sua zona de conforto e atue mas que o faça ao nanossegundo.

Esta atitude ininterrupta de começar, é um movimento para além de empresarial, é civilizacional, individual e coletivo, de adaptação da espécie a um “admirável mundo novo”.

Um chamamento que remonta à essência da evolução do ser humano, mas que neste momento é imperativo para sua sobrevivência que seja global e feito ao nanossegundo, de forma equilibrada e equitativa.

O desafio é grande e o desejo é que saibamos consciencializar a sua dimensão e fazê-lo cada um de nós e juntos, em coletividade, não esquecendo as velocidades alheias e sempre procurando a construção de um mundo melhor para todos.

“We are facing a future with great uncertainty and tremendous promise, and the best we can do is to confront it with a combination of heart and mind, of common sense and rigorous science.” Ben Goertzel

*Fundação Portuguesa das Comunicações

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Sobre o autor

Margarida Sá Costa

Margarida Sá Costa iniciou o seu percurso profissional como advogada, com o sonho de defender causas e apoiar pessoas. Em 1988, aceitou o desafio de integrar uma das empresas percursoras da atual Altice Portugal motivada pelas novas tecnologias e inovação... Ler Mais