Numa altura em que grandes empresas como a Google e o Facebook controlam grande parte da informação, o aparecimento de competidores como o Million Short pode revolucionar o setor.

Quando não sabe algo sobre um determinado assunto onde é que procura informação? A resposta mais recorrente é “no Google”. Mas não vê nada de errado em ter sempre o mesmo intermediário a fornecer-lhe informação?

Numa altura em que os utilizadores da Internet estão cada vez mais preocupados com a privacidade é importante haver plataformas mais seguras. No último ano, vieram a público histórias de promoção de notícias falsas como a do tiroteio de Las Vegas onde foram mortas 50 pessoas. Neste artigo, promovido tanto no Google como no Facebook, podia ler-se que o atirador era um opositor de Donald Trump, algo que mais tarde se veio a revelar mentira.

Neste último caso, as grandes plataformas foram utilizadas como uma arma para travar uma guerra política. E este é parte do problema que a start-up Million Short quer resolver.

Fundada em 2012, esta plataforma serve como um filtro para o ruído que o Google nos apresenta. O conceito passa por ter uma nova abordagem à organização, acesso e pesquisa de informação disponível na Internet.

A start-up canadiana, com base em Toronto, quer dar a possibilidade aos utilizadores de chegarem a mais informação de websites que, apesar de terem conteúdo original, não têm o SEO (search engine optimization) suficientemente trabalhado para aparecerem na primeira página das pesquisas do Google.

O motor de busca da Million Short funciona de maneira a que o utilizador consiga eliminar entre 100 a um milhão de páginas que apareceriam em primeiro lugar numa pesquisa normal. Desta forma, resta espaço aos websites que têm conteúdo apelativo, mas que ficam escondidos nas intermináveis páginas do Google pelo facto de serem páginas recentes, terem o SEO pouco trabalhado, palavras-chave competitivas ou terem um orçamento de marketing bastante reduzido.

Numa entrevista à Forbes, Sanjay Arora, fundador e CEO do projeto, admite que vê a plataforma como uma ferramenta de pesquisa para a deep web (terminologia utilizada para se referir às páginas que, por norma, estão ocultas na Internet).

Para  Sanjay Arora a funcionalidade de pesquisa é uma ferramenta demasiado importante para que esteja nas mãos de meia dúzia de grandes empresas e, tal como refere na entrevista, não acredita que a ciência e a arte por trás dos motores de pesquisa já estejam aperfeiçoadas. Segundo o empreendedor, ainda há muito espaço para inovar neste setor através, por exemplo, de novos algoritmos, novas interfaces ou novos filtros.

O maior atrito que a start-up vai ter de ultrapassar é o facto de as pessoas acharem que o problema de pesquisa está resolvido. “Geralmente as pessoas não pensam duas vezes sobre o intermediário de informação e os algoritmos que estão por trás dos resultados que lhes são apresentados”.

Algo que ainda está indeterminado no projeto é o modelo de negócio associado à plataforma. O caminho mais óbvio, segundo Arora, seria gerar receitas através de publicidade, mas a equipa já tem várias ideias para começar a ganhar dinheiro, como cobrar aos utilizadores B2B por usarem o motor de pesquisa.

Num futuro próximo, a start-up quer criar um motor de pesquisa destinado a crianças, algo que foi potenciado em grande parte pela falta de controlo de conteúdos na plataforma YouTube. Se o projeto for bem executado a nível de marketing e de desenvolvimento, o CEO da Million Short espera tornar o nome da start-up amplamente conhecido em apenas cinco anos.

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