Saiba o que aconteceu na quarta edição do Mobile Edge, que este ano teve como tema principal as sociedades digitalizadas e a oportunidade para a inovação colaborativa.

Terminou ontem a quarta edição do Mobile Edge, um evento que contou com a parceria do Link to Leaders, e que trouxe para a ordem do dia o debate sobre “as sociedades digitalizadas e a oportunidade para a inovação colaborativa”.

O auditório da Fundação Portuguesa das Comunicações recebeu Kevin Benedict, presidente, analista e consultor no Center for Digital Intelligence; Augusto Silva, responsável de produto e arquitetura da NOS Inovação; Hugo Lebre, diretor de vendas da Sitecore; Elsa Tavares, responsável pela área de digital & CRM da Ageas Seguros; Danny Manu, fundador da Mymanu e Tony Markovski, head of innovation and emerging technologies EMEA da Mirum Agency.

Deste painel saíram discussões sobre a liderança, por exemplo, onde foi salientada a importância que os líderes de uma empresa têm na inovação. Neste campo, Kevin Benedict referiu que a liderança deve ser usada para guiar a empresa à mudança/inovação. Para o presidente do Center for Digital Intelligence isto não acontece na maioria das empresas. Em vez de serem agentes transformadores e incentivarem os seus funcionários a inovar, os lideres das organizações resistem à inovação, tornando-se depois meros seguidores dos early adopters das novas tecnologias.

Leia a entrevista do Link to Leaders a Kevin Benedict.

Parte desta resistência à inovação pode vir do risco que as empresas têm de assumir ao dar um salto no escuro. Este pesa bastante na tomada de decisão das novas tecnologias e, segundo Tony Markovski, head of innovation and emerging technologies EMEA da Mirum Agency, é aqui que entram as start-ups. As grandes organizações deixam as pequenas empresas tomar a iniciativa e, eventualmente, adquirem ou tornam-se clientes dos seus serviços. Por norma, é menos dispendioso adquirir uma start-up que tenha desenvolvido uma solução, do que apostar no departamento de R&D (research and development) para criar algo que não se sabe se vai dar frutos.

O head of Innovation da Mirum Agency deu ainda o exemplo do dinheiro gasto pelas 1000 empresas que, em 2016, mais apostaram na inovação. A soma total perfaz um valor que ronda os 580 mil milhões de euros. O que não significa, ainda assim, que estas empresas tenham sido bem-sucedidas no que diz respeito a uma melhoria dos seus serviços ou produtos, visto que os gastos em R&D raramente são sinónimo de inovação.

Segundo Elsa Tavares, “as empresas precisam de olhar para dentro, diagnosticar os seus problemas e, só depois, utilizar a tecnologia para os resolver”. Ao contrário do que as empresas fazem hoje como, por exemplo, estarem presentes em todas as redes sociais sem qualquer razão benéfica para o negócio, a tecnologia tem de ser usada com um fim, como um meio que acrescenta valor à empresa.

Um bom exemplo desta falta de planeamento no uso da tecnologia foi o cartão físico da AGEAS. Segundo Elsa, a responsável pela área de digital & CRM da seguradora, não acrescentou nada ao negócio, servindo apenas para os clientes mostrarem aos parceiros da multinacional com o objetivo de obter benefícios. De forma a potenciar a utilização do cartão e a melhorar a experiência do cliente, a AGEAS lançou uma aplicação mobile que, para além dos benefícios do cartão, dava também a possibilidade de comentar e avaliar os parceiros da seguradora. Com isto, a empresa não só conseguiu mais conhecimento sobre os seus parceiros, através do feedback dos clientes, como também melhorou o conhecimento sobre os clientes.

Exemplos como a aplicação da AGEAS mostram como é possível melhorar a experiência do cliente e ao mesmo tempo potenciar o conhecimento da empresa sobre o mesmo. Mas, para uma organização conseguir aumentar o conhecimento sobre os seus clientes, precisa de lhes dar benefícios. Quem o diz é Hugo Lebre, diretor de vendas da Sitecore, referindo que o problema não é a tecnologia, porque essa “já existe”. O problema é “incentivar o cliente para receber as suas informações”, acrescentando que “as marcas precisam de dar benefícios aos clientes para receberem as suas informações”.

Os maiores benefícios adquiridos com os sistemas tecnológicos passam por simplificar algo que é complicado. Augusto Silva, responsável de produto e arquitetura da NOS Inovação, explicou isso mesmo: “hoje o paradigma não é a tecnologia, mas sim a simplificação”. A tecnologia tem de ser usada para simplificar tarefas.

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