A maioria das grandes empresas e multinacionais tem um dress code definido. Este tem como objetivo transmitir aos seus colaboradores as regras e as orientações de imagem profissional, que são um reflexo da identidade corporativa, nomeadamente para quem está em contacto com o público e os clientes.

Um responsável de empresa encontra um colaborador com jeans rasgados, de calções e chinelos ou com uma tatuagem nova no braço e, muito indignado, chama-lhe a atenção de que não deve vir trabalhar assim. Ou então, uma funcionária usa um decote tão generoso, que monopoliza a atenção de todos, dando origem a comentários menos positivos. Já alguma vez assistiu a uma situação semelhante?

Eu já, mas a verdade é que, na maioria dos casos, a empresa não tinha nenhuma política de imagem profissional definida, pelo que é natural que os seus funcionários não tivessem presentes estas limitações. E, sempre que ouço dizer “mas é uma questão de bom senso!”, pergunto: pois é, mas já pensou que o “bom senso” é subjetivo e depende da educação, idade, cultura e gosto pessoal?

Em muitas organizações, não existe ainda um dress code definido, ficando ao critério de cada colaborador o que deve ou não usar no exercício da sua função. O manual de dress code contribui para definir as regras de imagem dos colaboradores, dar a conhecer o que é (ou não) permitido na empresa, bem como melhorar e uniformizar a sua imagem e postura.

  1. Para que serve o manual de dress code?

O dress code (ou código de vestuário) é uma orientação em relação às regras de estilo profissional, aplicável tanto no interior da organização, como quando os colaboradores a representam no exterior, em eventos, conferências ou reuniões.

O manual de dress code pode ser a melhor solução para a uniformização da imagem na empresa. Este abrange todos os aspetos relacionados com a roupa, calçado, acessórios, cabelo, maquilhagem e cuidados pessoais, mas também qual deve ser o comportamento em determinadas situações profissionais (cumprimento, etiqueta empresarial, etc.).

A realidade é que as empresas recrutam todo o tipo de colaboradores, mas nem sempre existe um manual de acolhimento ou um departamento de recursos humanos que garanta a uniformização de todos os procedimentos ou regras corporativas.

Por esse motivo, a maior parte das empresas internacionais prefere minimizar os riscos e promover a coerência de imagem e de qualidade dos seus serviços, através de um conjunto de normas e orientações que são aplicadas em todos os países, nos quais estão presentes. A implementação de um dress code e de ações de formação contribui para uniformizar e controlar estas variáveis, junto dos profissionais.

  1. Por que devo instituir um dress code na minha empresa?

Se investe em marketing, publicidade, relações públicas e decoração para melhorar a imagem e os serviços da sua empresa, é importante ter em conta que os colaboradores são parte integrante da imagem corporativa. Os profissionais são um cartão de visita e, muitas vezes, o primeiro contacto que os clientes têm com a organização. A primeira impressão é, por isso, fundamental para promover uma imagem positiva, credível e de confiança.

  1. Como posso estabelecer um dress code?

Nem todas as profissões são iguais. Por isso, as recomendações devem ter em conta o tipo de ambiente profissional, do mais casual ao mais formal. É importante saber identificar a cultura, os valores, os objetivos, as necessidades e os públicos-alvo da empresa. O setor de atividade é fundamental, bem como os serviços prestados e o tipo de clientes a que se dirigem. É uma empresa formal ou informal? Pretende promover uma imagem de confiança e de tradição ou, pelo contrário, realçar os aspetos mais inovadores e criativos? O seu público é mais jovem e artístico ou mais envelhecido e conservador? Recebe os clientes no espaço da sua empresa ou tem de se deslocar frequentemente e participar em reuniões ou eventos? Estes aspetos são importantes para definir o dress code e o seu grau de formalidade.

  1. Qual a melhor forma de implementar um dress code institucional?

Muitas vezes, os responsáveis corporativos sentem necessidade de melhorar a imagem dos seus colaboradores, mas não sabem como o fazer. Por isso, o desenvolvimento de um manual de dress code que complemente o manual de acolhimento, assim como ações de formação nesta área (workshops), são importantes para transmitir a cultura, as regras e os valores da empresa. Estas iniciativas servem de orientação, tanto para os quadros superiores, como para quem está no atendimento aos clientes e ao público.

É importante saber envolver os colaboradores nesta dinâmica e esclarecer as razões destas medidas para promover uma melhor compreensão e aceitação, bem como ter em conta o contributo que os diferentes colaboradores podem dar. Há empresas que já fizeram melhoramentos nas fardas, depois de ouvirem as opiniões dos seus funcionários, ou que ajustaram o dress code da empresa às mudanças do mundo empresarial, modernizando-o.

  1. Há áreas de atividade nas quais o dress code é mais necessário?

A criação de um manual de dress code é fundamental, sobretudo para as empresas na área de serviços, como é o caso de companhias aéreas, hotéis, agências de viagens, bancos, seguradoras, consultoras financeiras, escritórios de advogados, empresas de telecomunicações, lojas, clínicas, entre outras, que garantem o atendimento ao público e o contacto com os clientes.

  1. O dress code aplica-se também a quem usa fardas?

Apesar de ser uma limitação ao estilo pessoal, a farda atenua as diferenças salariais e de gosto individual, ao proporcionar uma imagem uniforme e coerente de todos os colaboradores, além de facilitar a sua identificação, por parte dos clientes.

Algumas empresas investem em fardas, mas esquecem-se de definir as regras de apresentação geral. Ou seja, quais os cuidados a ter com a farda ou os aspetos a ter em conta quando usa esta indumentária, que se referem às escolhas de calçado e acessórios, aos cuidados de higiene pessoal, à apresentação do cabelo e das unhas (que pode limitar o uso de extensões, postiços e a escolha dos tons a usar), ao tipo de maquilhagem e ao uso de tatuagens e piercings.

Não se esqueça de que o dress code é parte integrante da imagem corporativa e de que as pessoas são fundamentais para o sucesso de uma organização.

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Sobre o autor

Rita Carvalho

Rita Carvalho é consultora de Comunicação e Imagem. Autora do livro “Imagem Profissional, Guia de Estilo”, é licenciada em Relações Públicas, tem uma pós-graduação em Comunicação e Gestão Das Organizações, e o curso de Imagem Pessoal e Profissional da Blossom... Ler Mais