Durante a Web Summit houve várias sessões que cobriram o tema da dificuldade das start-ups europeias conseguirem atingir o mesmo nível que os projetos americanos e chineses. Conheça a maior razão apontada por alguns dos oradores.

Há a ideia de que as start-ups europeias ainda estão bastante atrás dos projetos chineses e americanos. Este tema é recorrente e, durante a Web Summit, os vários investidores que passaram pelos palcos mostraram-se mais inclinados a apostar na China no próximo ano.

Para Nicolas Brusson, fundador da francesa BlaBlaCar – um dos maiores unicórnios europeus cujo modelo de negócio é comparável ao da Uber -, a situação não está tão má como se retrata. Prova disso, explica o francês, são os ecossistemas que, apesar de ainda muito novos, já estão a evoluir e isso é percetível através dos novos projetos, dos fundos e dos investidores de capital de risco.

Klaus Hommels, fundador e CEO do fundo de capital de risco Lakestar, concorda parcialmente com o fundador da BlaBlaCar, assegurando que os ecossistemas não podem ser comparados, visto que a adoção da tecnologia em Silicon Valley começou bastante mais cedo do que na Europa.

Segundo os dois últimos oradores, atualmente, o grande entrave à inovação na Europa passa pela regulação, que devia ser mais aberta e transversal a todos os estados europeus. “Parte do problema é como não dar mais poder a Bruxelas dando-lhe poder”, referiu Brusson. Na opinião de Hommels, a regulação europeia devia ser parecida com a chinesa, onde as start-ups têm mais liberdade de atuação, especialmente no próximo grande passo da tecnologia, a inteligência artificial.

A opinião do comissário do governo de Itália responsável pela digitalização, Diego Piacentini, é diferente. Apesar de concordar com uma regulação transversal na Europa, afirmou que o problema do ecossistema não é a regulação, mas sim a maneira como os governos se adaptam à digitalização. Acrescentando ainda que é difícil haver inovações digitais quando o regulador não está digitalizado.

Noutro painel, Matt Brittin da Google foi questionado sobre as acusações, que são constantemente feitas à sua empresa, sobre a falta de respeito pela privacidade dos seus utilizadores. Brittin não respondeu diretamente à pergunta. No entanto, esclareceu o público de que a Google está a trabalhar com os reguladores para agilizar o processo de digitalização.

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