Jorge Paulo Lemann é bilionário e um dos mais poderosos investidores privados no planeta, que gere a 3G Capital e é membro do Conselho de Administração de empresas como a ABInBev, Kraft Heinz, e Restaurant Brands.

Jorge Paulo Lemann é bilionário e um dos mais poderosos investidores privados no planeta, que gere a 3G Capital e é membro do Conselho de Administração de empresas como a ABInBev, Kraft Heinz, e Restaurant Brands.

“Eu sou um dinossauro apavorado” – Jorge Paulo Lemann

A afirmação acima refere-se às mudanças nos hábitos de consumo liderado pelas marcas de cervejas artesanais e nos hábitos de compra liderados pela Amazon. E com exceção de empresas fundadas recentemente, é assim que a maioria dos líderes das empresas se sente. Este facto é palpável no número de CEOs que foi despedido em 2015 – 1 em cada 5 – segundo a Harvard Business Review. Muitos outros optaram por mudar mais ou menos compulsivamente.

Bem-vindos ao mundo VUCA, ao Social Consumer em ação, à maturidade de várias tecnologias disruptivas, e à inovação nos modelos de negócio. Tudo isto resulta na necessidade de uma transformação digital.

O mundo VUCA reitera que a mudança é a única constante. Mas mais importante é perceber que hoje em dia vivemos e trabalhamos num mundo onde a velocidade é rainha. Em suma, mudamos a uma velocidade exponencial – para quem não é matemático, isto quer dizer que o ritmo da mudança é cada vez maior.

O Social Consumer, ao impactar e ser impactado nas suas escolhas de consumo, abre um fosso entre o consumidor e as organizações. Estas últimas, continuam numa lógica de falar para os consumidores, em vez de falar com ele. Cria-se assim um fosso que torna difícil para as empresas criarem produtos e serviços relevantes, perdendo aos poucos a sua razão de existir. Em suma, as empresas estão a ficar cada vez mais autistas.

Várias tecnologias disruptivas que foram criadas e desenvolvidas ao longos das últimas décadas, como é o caso do Artificial Intelligence, estão a atingir agora a sua maturidade. Esta maturidade tecnológica traz consigo oportunidades para a criação de novos produtos e serviços, da automatização de tarefas de baixo valor acrescentado, da personalização e de criação de novas experiências ao consumidor.

Para capitalizar com estas oportunidades inova-se ao nível dos modelos de negócio, com novas formas de endereçar as necessidades do consumidor, e no alavancar de novas tecnologias.

Modelos de negócio tradicionais como o que Lemann usava na 3G Capital, baseados em economias de escala, estão acabados. Isto porque hoje qualquer empresa consegue ter acesso à tecnologia e ao financiamento necessários de forma barata. Isto baixa as barreiras à entrada em qualquer indústria, o que cria oportunidades para novas empresas como as cervejeiras artesanais. Exemplos destas tecnologias são a Internet, que permite comercializar e vender produtos para todo o mundo, mesmo que se trate de nichos de mercado. Este é também o modelo de negócio da Netflix que em vez de se focar em poucos produtos com grandes audiências, baseia-se em produtos específicos para segmentos nicho – Design Thinkers, fanáticos de automóveis ou documentários, por exemplo – espalhados pelo mundo.

A Transformação Digital resulta de tudo o atrás exposto. O novo paradigma do social consumer incorpora de per se, a necessidade de ser customer-centric. Esta necessidade implica o uso de novas tecnologias para perceber o consumidor – o que normalmente se chama de MarTech ou Marketing Technology – até porque este consumidor é mais tecnológico que nunca. Para alavancar esta tecnologia é necessário mudar, ou afinar, o modelo de negócio.

O processo de mudança no negócio tradicional para se adaptar ao Social Consumer é a chamada Transformação Digital.

No caso do Lenmann, além de ser um “dinossauro assustado”, ele é também um sobrevivente nato, muito inteligente, e que como tal se adapta ao seu meio ambiente. Como também afirmou, durante o mesmo painel, a 3G Capital está a fazer o que chamou de “self-disruption”. Podemos chamar-lhe o que quisermos, na prática a empresa está a adaptar-se à mudança, está apenas a fazer o seu processo de Transformação Digital.

A grande questão é: como podem as empresas reinventar-se, inovando e adaptando-se ao ambiente competitivo, sem perder a direção ao longo de todo o processo de Transformação Digital que pode levar anos? A resposta curta é SMINT – Social Market Intelligence. Mas isso já é o tema do próximo artigo.

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Sobre o autor

Luís Madureira

Luis Madureira é acreditado com o CIP-II - Master of Competitive Intelligence pela Academy of Competitive Intelligence (ACI), um de apenas dois em Portugal e de cerca de 500 profissionais a nível mundial. Licenciou-se na NOVA School of Business and Economics, em Economia com especialização em Marketing. Criou e implementou o SMINT, a primeira abordagem a nível mundial ao Competitive Intelligence (CI) em tempo-real, assim com o INNOVaction, um programa... Ler Mais