Somos fãs indefetíveis da dupla de professores da London Business School, Rob Goffee e Gareth Jones. Talvez a sua obra mais conhecida e mais celebrada seja o livro WHY SHOULD ANYONE BE LED BY YOU.

Segundo Goffee and Jones, os líderes que são fonte de inspiração, partilham as seguintes caraterísticas:

1 – Mostram, seletivamente, as suas fraquezas
2 – Baseiam-se muitíssimo na intuição para calibrar o timing apropriado e o curso das suas ações
3 – Gerem os colaboradores com “empatia firme
4 – Dão a conhecer as suas diferenças

Que querem os autores dizer com estas caraterísticas?

Desde logo, que ninguém está à espera de ser liderado por um “super-homem” ou uma “super-mulher”. Ninguém está à espera do líder perfeito. Ao exporem as suas vulnerabilidades, os líderes revelam a sua humanidade, a sua autenticidade e quebram distâncias. Esta proximidade ajuda a criar confiança e promove a solidariedade.

Por outro lado, a intuição cultiva-se.

Quem é que poderá ter intuição, se não for aos locais, se não falar com as pessoas, se não sair do seu gabinete?

Quem não sai do seu gabinete e só nele reúne com os consultores e os chefes de gabinete, acaba por ver o mundo não com os seus olhos, mas através das lentes dos seus conselheiros.

Faz-me lembrar o Rei Sol que só queria festas no seu palácio e, como tal, acabava por não conhecer a França. Quem na realidade governava, era o Cardeal Richelieu, que estava no terreno e conhecia o país. O Rei assinava de cruz aquilo que o Cardeal lhe apresentava.

Há uma obra, já com alguns anos, FAST COMPANY, que fala, apresentando vários case studies, dos malefícios e da mistura explosiva de bad management com smart consultants!

Ao invés, quem está no terreno, tem os sensores ligados e sabe captar “no ar” informações soft. Como tal, captura sentimentos e julga se o relacionamento está a funcionar ou não.

O conceito e a expressão que acho mais curiosa neste trabalho, é a de “EMPATIA FIRME”.

Desde logo, porque acaba com mitos, como: “se lhes mostras os dentes, faltam-te ao respeito”.

Demostra que não é incompatível ser-se simpático e dar-se ao respeito. Que as duas coisas são compagináveis.

“EMPATIA FIRME” significa dar às pessoas aquilo que elas precisam, não aquilo que elas querem.
Implica usar uma linguagem que desça ao nível dos interlocutores.
Significa o equilíbrio entre o respeito pelo individuo e as tarefas a cumprir.
Impele os líderes a correr riscos.

Finalmente, dar a conhecer as suas diferenças impõe coragem. Capitalizar nessas diferenças… não exagerando. Tratar de gerir uma certa distância… sem deixar de estar perto.

As pessoas gostam de líderes autênticos, que não são Doutor Jekill e Mister Hyde!

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Sobre o autor

Vítor Sevilhano

Vitor Sevilhano é acionista e CEO da Escola Europeia de Coaching, tendo sido acionista maioritário e CEO do Laboratório da Formação, dedicado ao desenvolvimento de competências de gestão e consultoria. Foi diretor de RH e desenvolvimento organizacional da Portugal Telecom... Ler Mais