Vivemos hoje um tempo de descredibilização e dessacralização generalizada das formas de exercício do poder, que põe à prova os líderes e a sua estratégia.

Um tempo em que nos sentimos acossados, com medo de perder conquistas civilizacionais importantes, em que oscilamos entre a generosidade e a intolerância, entre o desejo de construir uma sociedade diversa ou a tentação de nos fecharmos num ilusório castelo de segurança.

O imediatismo das redes sociais, a leviandade dos fazedores de opinião e a iliteracia generalizada sobre os fundamentos da cidadania propiciam, cada vez mais, o aparecimento de falsos líderes, de personagens mediáticas construídas, falsamente genuínas e que utilizam a cultura do medo, para fazer regredir séculos de evolução no domínio da autodeterminação, da equidade e do ecumenismo.

Da política à sala de aula, os perfis dos que nos podem formar e orientar é decisivo. Também o contexto das empresas não fica incólume a esta tendência e exige líderes que contribuam definitivamente para a implementação de uma cultura de reconhecimento do outro, de respeito pelas suas opções e percurso individual.

A promoção da diversidade não é uma questão despicienda no domínio da gestão do capital humano, contribuindo decisivamente para o bom clima organizacional, para uma relação autêntica com os demais stakeholders e, naturalmente, para o aumento da produtividade.

Uma empresa onde coexistem e, principalmente, interagem positivamente pessoas diferentes, é uma empresa que reflete dentro de portas a realidade da sociedade onde se insere.

Uma empresa que permite que cada trabalhador assuma, com naturalidade, os fatores pessoais que o tornam infungível, é um território potencialmente mais feliz, onde os talentos podem florescer sem adversidade ou estigma e onde as relações pessoais podem ser mais profundas e verdadeiras.

O combate empresarial ao idadismo, à ocultação das orientações sexuais, à hegemonia forçada em matérias culturais, familiares ou religiosas é um tema de responsabilidade social individual que não pode ser descurado.

Este é um dos combates mais relevantes deste tempo, tal como foi em tempos passados. A diferença é que os líderes de hoje têm a obrigação de utilizar um património vastíssimo de cultura, de informação e de tecnologia.

Não têm alibi.

Ou querem tornar a empresa e o mundo num lugar para todos, ou serão agentes míopes de intransigência.

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Sobre o autor

Paula Guimarães

Paula Guimarães é Diretora do Gabinete de Responsabilidade Social do Montepio Geral, administradora das Residências Montepio, Membro da Direção da Juniors Achievment e Formadora voluntária. Foi Presidente da Direção do GRACE, em representação da Fundação Montepio. É ainda docente na Universidade de Aveiro e na Universidade Católica. Antes das atuais funções foi animadora da Rede Temática Equal para a capacitação de reclusos e ex-reclusos que conciliou com a coordenação da... Ler Mais