A quase centenária Imperial continua a primar pela inovação e revitalização que imprime aos chocolates e às marcas que integram o grupo. Manuela Tavares de Sousa lidera a empresa e fala dos planos de desenvolvimento e consolidação da Imperial.

Quais os pilares que sustentam uma empresa com uma história quase centenária como a Imperial?
História, Tradição, Qualidade e Inovação. Acho que são os pilares que melhor definem a estratégia seguida pela Imperial. Com mais de 85 anos de atividade em Portugal e já com experiência nos mercados internacionais, o percurso tem sido feito com base no crescimento sustentado, na conquista de posições de liderança e na excelência. As nossas marcas, reconhecidas pela sua grande qualidade, têm conseguido criar uma relação emocional forte com os consumidores, assumindo-se como as marcas nacionais de maior relevância em Portugal. Uma cultura de inovação, que se alargou a diversas dimensões, seja a nível de produtos, processos, marketing ou organizacional, tem sido determinante para o bom desempenho que a empresa tem tido ao longo dos anos. A internacionalização assume-se, igualmente, como outro dos grandes eixos de desenvolvimento. A expansão para novos mercados tem sido uma aposta constante e que tem contribuído para gerar solidez nos resultados económicos da empresa.

É difícil vingar sendo uma empresa 100% nacional?
A Imperial tem sabido vingar num mercado altamente competitivo onde estão presentes todas as grandes multinacionais do sector. E para isso muito tem contribuído o facto de a empresa ser muito ágil na identificação de tendências de consumo e na respetiva adoção de respostas ao mercado, o que aliado ao facto extraordinário de ter marcas que sempre acompanharam várias  gerações  de  consumidores, com uma envolvência afetiva muito forte, lhe tem permitido alcançar os seus objetivos de crescimento.

Quais as marcas com mais sucesso de vendas em Portugal?
A Regina merecerá o destaque pelas suas nove décadas de história, embora tenha sido adquirida apenas em 2000 pela Imperial e relançada em 2002, com novos produtos que rapidamente ascenderam a líderes de mercado. Já a Jubileu, que surgiu em 1982, no âmbito das comemorações dos 50 anos da Imperial, tem um posicionamento premium e tem conquistado também um destaque no mercado nacional e, sobretudo, internacional pelas suas fórmulas inovadoras e sabores exóticos e sofisticados.
A Pintarolas também já conta com quase quatro décadas de existência e continua a conquistar o público infantil ao longo dos anos. O chocolate de culinária da Pantagruel detém a liderança do mercado, com  33 % de quota de mercado.
A Allegro também merece o seu reconhecimento, por oferecer uma gama muito abrangente de toffees com chocolates muito procurados pelo público apreciador deste tipo de produto.

E no estrangeiro, quais são os mercados estratégicos para a empresa e as marcas mais procuradas?
A Jubileu é uma das marcas com maior notoriedade nos mercados externos, caracterizada pelo seu posicionamento premium, sendo a que melhor responde ao carácter aspiracional dos consumidores de muitos mercados que valorizam produtos europeus de grande qualidade e diferenciação.

Qual o peso da vertente internacional no volume de negócios da empresa?
Os mercados externos representam 30% do volume de negócios. A Europa é responsável por mais de metade das exportações (58%), logo seguida por África (26%), América (10%) e Ásia (6%).

A empresa tem vindo a desenvolver e a consolidar a sua posição internacional. Quais os próximos destinos no horizonte da Imperial?
O plano de expansão internacional é um dos eixos estratégicos de desenvolvimento da empresa. Por isso, estamos a estudar e a desenvolver novos mercados, onde hoje ainda temos uma posição embrionária, tais como Rússia, Médio Oriente e Extremo Oriente. São mercados de grande potencial e que se revestem de grandes oportunidades para qualquer empresa que aposte na internacionalização.

Qual o montante de vendas da empresa no ano passado? E em 2018, quais as previsões?
A empresa registou uma faturação de cerca de 33 milhões de euros. Para 2018, as perspetivas são de que a  empresa  se mantenha numa trajetória de crescimento do seu volume de negócios.

De que forma a instabilidade económica dos últimos anos interferiu na estratégia empresarial da Imperial? Houve reposicionamento? Entrada noutros segmentos de mercado?
A instabilidade económica foi generalizada e obrigou o tecido empresarial português (e grande parte do Europeu) a reestruturar-se. A Imperial teve também de combinar diversas dimensões estratégicas para fazer frente a essas adversidades, mas conseguiu continuar sempre a crescer e a manter posições de destaque. O facto de termos um background muito forte em termos de história e uma aptidão muito natural para incorporarmos inovação, veio dar uma nova dinâmica às nossas marcas, que continuam a manter-se em lugares de destaque de uma forma muito sustentada. A internacionalização também teve, neste sentido, um papel fundamental, uma vez que Portugal tem as suas limitações, relacionadas com a sua escala, que podem gerar mais facilmente vulnerabilidades nas organizações. Combinando inovação e capacidade competitiva, com base num sólido suporte tecnológico, pretendemos continuar a promover a inovação de produtos e a diversificação para novas geografias.

Qual a mais-valia que uma mulher pode trazer à gestão de uma empresa desta natureza?
O mercado de trabalho, felizmente, está a mudar e a liderança no feminino começa a ganhar um reconhecimento, a meu ver, com oportunidades crescentes, por fomentarem ideias e perspetivas diferentes, que geram valor acrescentado às empresas. As mulheres que ocupam cargos de chefia possuem um forte perfil analítico, uma grande sensibilidade na gestão de processos e relações interpessoais e uma grande capacidade de planeamento. Um maior grau de perfecionismo, sendo capaz de captar os detalhes, e a capacidade de desempenhar simultaneamente múltiplas funções, são também características habitualmente presentes em mulheres que ocupam cargos de topo e que acredito podem representar uma mais-valia na gestão das empresas.

De que forma a sua visão empresarial transformou a Imperial num case study de inovação e renovação?
Tenho tentado privilegiar, desde o primeiro momento em que assumi o cargo de CEO, o envolvimento da equipa, estimulando uma cultura de criatividade, inovação e de ownership, aspetos que considero cruciais para o desenvolvimento do negócio.Tenho apostado, em conjunto com esta excelente equipa, numa empresa capaz de se destacar pela inovação, pela competitividade, e reconhecida no mercado como uma empresa de referência no sector do chocolate. E temos conseguido vencer este grande desafio.

Até onde quer levar a marca Imperial? Qual o caminho do sucesso?
Temos a ambição de conseguirmos continuar num percurso de crescimento sustentado, gerando valor para todos os stakeholders. O nosso objetivo passa por reforçar as posições de liderança que detemos em vários segmentos de mercado em Portugal e, em simultâneo, desenvolver e consolidar o nosso plano de internacionalização, continuando a primar pela inovação e pela revitalização das nossas marcas.

Respostas rápidas:
O maior risco:  A falta de visão
O maior erro:  A apatia
A melhor ideia: A inovação
A maior lição: Os sabores de sempre revitalizam a alma, em qualquer momento da vida.
A maior conquista: A internacionalização: 50 mercados em cinco continentes.

 

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