O mito da liderança mais perigoso é que os líderes nascem assim – que existe um fator genético para a liderança. Isso é um absurdo; na verdade, a verdade é o oposto. Os líderes são feitos, em vez de nascidos” – Warren Bennis.

Inicio esta reflexão com uma citação de um dos mais conceituados sobre liderança, Warren Bennis, que teve a ousadia de desafiar a sabedoria predominante em vários campos da liderança.

Segundo a sua biografia na Wikipedia, “Warren Bennis (8/3/1925 – 31/7/2014) foi um estudioso americano, conselheiro de quatro presidentes norte-americanos, consultor organizacional e autor, amplamente considerado como pioneiro no campo contemporâneo dos estudos de liderança. Bennis foi professor universitário e distinguido professor de administração de empresas e presidente fundador do Instituto de Liderança da Universidade do Sul da Califórnia”.

Referindo à sua citação, podemos aceitar a ideia de que os líderes podem ser formados, ou seja, a liderança pode ser aprendida, e que, alegadamente, não existe, factor genético que determine, sem margem de erro, se uma pessoa pode ou não ser bom líder. Mas também acreditamos que, tal como nas outras áreas da ciência, das artes, do desporto, da música, etc., nem todos podem aprender tudo, também na liderança nem todos poderão ser líderes, ou pelo menos exercer uma liderança aceitável em termos de resultados. Pois estamos falando de resultados.

Assim, assumindo que a liderança pode ser aprendida, estaremos, pelo menos parcialmente, de acordo com Warren. E se a liderança pode ser aprendida, então há um processo de aprendizagem, processo este que pode ser formal, estruturado, desenvolvido pela organização ou subcontratado, ou então pode ser um processo informal que se desenvolve no seio dos grupos informais da organização.

Normalmente, as organizações possuem programas de treinamento tanto para líderes como para futuros líderes, e estes programas envolvem ensinar as técnicas de liderança, as características que o líder deve possuir, etc. Já nos processos informais, pode ocorrer que o líder se emerge no seio do grupo, mas também pode ser “empurrado” para a liderança. Ocorrendo uma oportunidade, este líder informal pode até ser aproveitado pela estrutura hierárquica para o formalizar como responsável de alguma unidade orgânica. Caso contrário, continuará a exercer a sua liderança informal.

Naturalmente, depois de formado por qualquer dos processos de aprendizagem, ele exercerá a liderança e então podemos identificar o seu tipo de liderança. Não me referirei à tipologia clássica que encontramos nos manuais, tipo líder autocrático, democrático, situacional, etc. Consigo identificar três tipos de lideranças: de passerelle, engessada e à la Warren.

Liderança de passerelle para mim é aquela liderança bonita que apenas desfila com conceitos e politicas bonitas, que estão na moda, mas não tem resultados práticos. Promove seminários, workshops, conferencias sobre o papel do tudo e do nada. Serve apenas para impressionar, não tem uso prático e não produz resultados para a organização. È bem vista, está de bem com todos e todas, granjeia simpatia mas está desfocada da realidade. Vive num mundo à parte quando falamos de resultados.

Liderança engessada para mim é a liderança que está totalmente condicionada, quer pela burocracia (mal interpretada), quer pelas regras, mas sobretudo, por grupos de interesses. Atenção, não significa que a liderança não tem regras, aliás, já vimos aqui que a liderança deve ter valores, princípios e regras. Mas liderança engessada não tem autonomia, está mais preocupada em responder às demandas de determinado grupo de interesses que o capturou, sem ter em atenção os resultados da organização. Mais uma vez falamos de resultados.

Liderança à la Warren, significa uma liderança que envolve mais do que uma visão para a sua organização, ou seja envolve todos os aspectos da vida, nomeadamente, a envolvente externa (para além da analise SWOT), incluindo o espaço familiar, económico, político, ambiental (para além da responsabilidade social). Seria uma liderança baseada no que se chamou de life-long process of learning. Naturalmente, um líder assim tem de ter três aspetos básicos: uma liderança com propósitos, centrado num sistema de valores e princípios e com paixão para o que faz.

Liderança é um tema que não se esgote, mas desde já, identifique-se, se faz favor!

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Sobre o autor

Carlos Rocha

Carlos Rocha é administrador do Banco de Cabo Verde, onde desempenhou anteriormente diversos cargos de liderança. Entre outras funções, foi Administrador Executivo da CI - Agência de Promoção de Investimento. Doutorado em Economia Monetária e Estabilização macroeconómica e política monetária em Cabo Verde, pelo Instituto Superior de Economia e Gestão – Lisboa, é mestre em Desenvolvimento Económico e Social em África, com especialização em Política Económica e Desenvolvimento de Negócios,... Ler Mais