Aproximamo-nos, rapidamente, para o final do ano, época com muito significado na nossa sociedade do ponto de vista familiar, religioso ou empresarial.

A reunião das famílias e amigos por esta altura é um facto, as celebrações religiosas acerca do Messias prometido enchem os lugares de culto, enquanto que do ponto de vista empresarial, é altura de perspetivar o grau de cumprimento dos objetivos estabelecidos para o corrente ano, enquanto que o próximo ano já está devidamente planeado e orçamentado.

Mesmo numa sociedade como esta em que vivemos, onde se queixa da perda de valores e de princípios que enformaram as gerações anteriores, parece que nesta época os tais valores se emergem, dando um novo alento e uma nova esperança na crença de que é possível, ainda, um mundo melhor.

Na realidade, nesta altura os mais nobres sentimentos humanos de solidariedade, fraternidade, compaixão, amor pelo próximo e simpatia brotam quase que espontaneamente e são alimentados pelos melhores votos que se formulam relativamente ao próximo. Até ao nível internacional se sente algo diferente para o melhor. Por exemplo, na última reunião dos líderes dos países que constituem o G20, que se realizou agora em dezembro, aprovou-se uma trégua no diferendo comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Qual o papel das lideranças? Facilmente encontramos nos manuais sobre liderança as caraterísticas que os liderem devem possuir, mas hoje gostaria de mencionar três caraterísticas de três líderes empresariais que me marcaram desde os tempos de estudante de Gestão até aos dias de hoje: relacionamento interpessoal, visão estratégica do negócio e capacidade de influenciação indirecta.

Veremos, mais detalhadamente, essas caraterísticas.

1 – Relacionamento interpessoal – Atualmente os estudiosos da liderança destacam, sem dúvidas, que o relacionamento do líder com os seus colaboradores pode ser determinante no sucesso da organização e da sua liderança saudável. O cumprimento dos objetivos de uma instituição depende não apenas dos recursos materiais e técnicos, da sua organização e processos, mas também da qualidade dos colaboradores, da liderança e do relacionamento entre ambos.

Nem sempre é fácil ter um bom relacionamento quando se é líder e empresário ao mesmo tempo devido a um potencial conflito resultante de uma eventual confusão de papéis. Trata-se de uma situação que pode esfriar o relacionamento interpessoal.

2 – Visão estratégica do negócio – Consideramos que a visão estratégica do negócio e da sua envolvente externa  é um elemento diferenciador entre um empresário bem sucedido, relativamente a um que falhou. Mais concretamente, a capacidade visionária e estratégica de antecipar as mudanças na envolvente, de se adaptar e reposicionar o negócio no mercado, é uma caraterística que só visionários possuem. Os outros o seguirão, se conseguirem.

Infelizmente, nem todos os líderes ou empresários possuem esta visão estratégica do negócio nos momentos de mudança de paradigma (mudança tipo introdução de uma nova tecnologia ou processo). Eles até podem ser excelentes no que fazem no quadro do paradigma anterior, mas apenas isso. Seriam capazes de continuar crescendo no seu negócio e até multiplicar, mas perante uma ameaça ou oportunidade de mudança de paradigma (ou tecnologia nova), não conseguem nem mesmo sobreviver. Mas conhecemos gente também que soube dar a volta e manter o negócio a crescer.

3 – Capacidade de influenciação indireta: é verdade que aprendemos que não há liderança sem seguidores, mas também é um feito da liderança quando ela consegue extravasar a sua organização e conquista a sociedade, ou pelo menos uma boa parte dela. O líder com tal capacidade consegue, com os seus pensamentos, valores e princípios sejam os ideias para uma boa parte da sociedade, incluindo a massa estudantil. E, durante a minha vida académica, havia os grupos empresariais (alguns em torno do seu líder, patrono ou fundador) em que praticamente todos aspiravam, um dia, trabalhar devido ao carisma e ideais desses líderes ou empresários. Hoje tenho a felicidade de dizer que tenho colegas que conseguirem e ainda estão nesses grupos.

Estes três lideres que agora menciono são, por ordem alfabética, o Sr. Alexandre Soares dos Santos, o falecido Sr. Belmiro de Azevedo e o Sr. Rui Nabeiro.

Um líder cujas ideias extravasam o perímetro da sua organização, tem a sociedade do seu lado e pode contribuir para o tal mundo melhor que todos almejam nesta época do ano.

Desejo aos leitores um Santo Natal.

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Sobre o autor

Carlos Rocha

Carlos Rocha é administrador do Banco de Cabo Verde, onde desempenhou anteriormente diversos cargos de liderança. Entre outras funções, foi Administrador Executivo da CI - Agência de Promoção de Investimento. Doutorado em Economia Monetária e Estabilização macroeconómica e política monetária... Ler Mais