Aos 27 anos, Leonor Espinhal tem um percurso profissional singular e surpreendente: é mecânica de aviões e piloto de rally nas horas vagas.

Com o curso técnico de Manutenção de Aeronáutica B1, a jovem do Estoril começou desde cedo a revelar a sua apetência pelo mundo do desporto automóvel  e da mecânica. Hoje é um exemplo de perseverança num universo maioritariamente dominado por homens, mas no qual, apesar da sua juventude, vai conquistando o seu lugar. Em discurso direto, Leonor conta-nos um pouco do seu percurso e das suas ambições.

Como surgiu o seu gosto por carros e pelo universo do automobilismo?
O gosto por carros existe desde pequena. Como era menina ofereciam-me bonecas mas nem saiam da caixa e pedia para trocar por carros. O gosto continua até hoje.

Foi uma daquelas aptidões desde “miúda” ou surgiu por alguma motivação em particular?
Sim, desde miúda que gosto de carros e mal tirei a carta procurei logo um carro que me “enchesse as medidas”. Foi e é um Ford Escort Mk1 de 1974.
O desporto automóvel surgiu mais tarde quando um grupo de amigos que conheci num encontro de carros clássicos me desafiou para participar numa prova em Cascais.

Em que tipo de provas gosta mais de conduzir?
Gosto de conduzir em todas as que experimentei, rallys, pistas, todo o terreno, etc. Mas o que me dá mais gozo são as rampas de velocidade devido ao grau de dificuldade das curvas.

Como explica este seu fascínio pelo universo dos carros?
É difícil de explicar, mas posso dizer que todo o processo que faço desde a preparação do carro até ao fim da prova me dá um prazer enorme. Sempre tive interesse em perceber o “porquê dos carros andarem”.

Quantos carros tem atualmente? E até onde quer ir?
De momento tenho quatro, o Ford Escort, um Mazda de 1966 que estou a recuperar, um Fiat Tipo de 1989, que utilizo diariamente, e um Fiat Uno minimamente preparado que é o carro que utilizo em competição.
A curto prazo quero evoluir o Fiat Uno, pois já o conduzo no limite e mais tarde o meu sonho é correr num Ford Escort Mk2 bem preparado a nível de competição.

E em quantos modelos já vai a sua coleção privada de miniaturas?
Comecei a coleção há alguns anos e é para continuar. Já tenho perto de 600 miniaturas de todos os tipos, até algumas montadas e pintadas por mim.

Qual a sua atividade para além de piloto? Mecânica de motores de avião?
Comecei a trabalhar como mecânica de helicópteros onde estive três anos. Agora estou há seis meses a trabalhar como mecânica de motores de aviões.

Enquanto mulher, num mundo de homens, como tem conseguido ultrapassar as eventuais barreiras que este universo lhe traz?
Com calma tudo se consegue. Não encontro muitas barreiras por ser mulher numa suposta profissão para homens. Existem alguns “problemas”,  sobretudo, com aqueles de uma geração mais antiga que nunca viram uma mulher suja com óleo e a saber fazer o mesmo que eles. No mundo automóvel tudo se resume aos tempos…

Qual a história mais caricata que já viveu nesta atividade pelo facto de ser mulher?
Às vezes da jeito ser mulher, sobretudo, quando é preciso empurrar…Vinha da Rampa de Espinhal com uma amiga num jipe e o Fiat Uno no atrelado e, depois de um fim de semana sempre sem bateria no jipe, tivemos de parar na área de serviço da A1 na única pequena descida que tinha. Infelizmente não foi suficiente e sem qualquer pedido nosso apareceram logo seis homens dispostos a ajudar. Problema resolvido, obrigada.

Quais os seus projetos profissionais a médio prazo?
Continuar a minha carreira como mecânica de motores.

Onde gostaria de se ver daqui a 10 anos?
Com possibilidades de ir mais longe no desporto automóvel e, claro, com a garagem cheia.

Que conselhos dá às jovens mulheres que gostam deste universo e não têm coragem de fazer dele uma profissão?
Se as jovens mulheres gostarem realmente, vão fazê-lo.

Na sua opinião o que falta às mulheres portugueses para serem mais empreendedoras. O que considera essencial para as ajudar a terem sucesso?
Não falta nada. Cada vez mais há mais mulheres com formação académica e com capacidade de liderar em qualquer área.

Respostas rápidas:
O maior risco
: Ficar sem carta de condução
O maior erro: Um cálculo errado numa curva que saiu caro no bate chapas..
A melhor ideia: Comprar o Ford Escort.
A maior lição: Calcular bem as curvas
A maior conquista: Subir ao pódio.

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