O regresso da Kodak, empresa icónica na área da fotografia, foi assinalado com a entrada no mercado das criptomoedas, o que levou as ações da empresa a dispararem quase 120%.

Foi durante o CES, um evento do mundo de produtos eletrónicos que decorreu em Las Vegas entre os dias nove e 12 de janeiro, que a Kodak deu a conhecer a sua entrada no mercado das moedas virtuais.

A KodakCoin marca uma nova era para a empresa fundada em 1892 e que declarou falência em 2012. Esta é uma das mais recentes moedas virtuais a chegar ao mercado e que vai ser utilizada na nova plataforma direcionada a fotógrafos.

O intuito é que a moeda seja utilizada como divisa de troca/pagamento na nova plataforma da Kodak, que incorporará tecnologia blockchain[1] de forma a manter os direitos de autor dos fotógrafos que ali tiverem o seu trabalho exposto.

Para ter a certeza que as imagens dos profissionais registados não são duplicadas, a Kodak incorporou um software que procura fotografias idênticas pela web e que cobra uma multa aos infratores dos direitos de autor.

Jeff Clark, CEO da empresa norte-americana, afirmou em comunicado que “para muitos no mundo da tecnologia, blockchain e criptomoedas são temas quentes”. Acrescentou, ainda, que “para os fotógrafos que lutam para manter o controlo do seu trabalho e da forma como este é utilizado, estas palavras são cruciais para resolver um problema que parece impossível”.

O modelo de negócio da nova plataforma da Kodak baseia-se em comissões. Os fotógrafos recebem 60% e a empresa norte-americana, em conjunto com a Wenn Digital (entidade gestora do serviço de blockchain incorporado), recebem os restantes 40%.

De forma a ter financiamento para alavancar a nova iniciativa, a Kodak marcou uma Initial Coin Offering (ICO) para 31 de janeiro.

Mas as novidades não ficam por aqui. A companhia criou também um aparelho para minar bitcoins, o KashMiner. Para o utilizar durante dois anos, a empresa cobra perto de 2800 euros, mas afirma que – tendo em conta o preço atual da moeda virtual – o retorno mensal é de perto de 310 euros, o que perfaz um total de 4640 euros de lucro.

Esta afirmação é controversa no sentido em que existe uma flutuação constante do preço da moeda virtual, o que poderá dificultar a adesão a este produto.

[1]

O que é a blockchain?

Esta nova maneira de armazenar e gravar transações é feita em blocos, que estão ligados entre si criptograficamente com o objetivo de assegurar que são à prova de piratas informáticos. Cada bloco desta rede é um código de computador que contém algum tipo de informação. Esta informação tanto pode ser um certificado de propriedade como também um comprovativo de uma transferência bancária. Imagine a seguinte situação: quer enviar dinheiro a alguém do outro lado do mundo. A transferência tanto pode demorar dois dias, como pode demorar uma semana. Isto acontece porque os bancos têm de ter a certeza para onde  foi o dinheiro. Este é um dos problemas que o blockchain vem resolver. Com o software desenvolvido pela start-up, as transferências podem ser feitas de uma forma rápida e barata, além de não haver nenhum banco na equação, que ficaria com a informação de todas as transferências feitas.

Mas se não são os bancos a assegurar as transferências, que entidade é que as consegue assegurar? A resposta é simples: à medida que novas informações são adicionadas na rede, a complexidade da cadeia de blocos aumenta e o banco de dados torna-se maior. E se alguém quiser fazer uma alteração que não é autorizada, todas as pessoas da rede conseguem ver onde é que esta aconteceu e decidir se a mudança é válida ou não. Um exemplo prático: imagine que queria comprar uma casa a alguém por 250 mil euros. Em vez de pagar a um advogado para tratar do assunto, podia decidir registar o contrato na blockchain onde diria que tinha concordado pagar 250 mil euros pela casa. Este método cria um livro de registos públicos transparente e que qualquer pessoa podia ver. Desta maneira, o dono da casa não poderia voltar atrás com a palavra e pedir, em vez dos 250 mil, 300 mil euros.

Com este método, se algum pirata informático quiser fazer alguma alteração na rede não o conseguiria fazer a piratear apenas um computador, teria de piratear, ao mesmo tempo, todos os que têm acesso à rede.

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