A sua rede de contactos e uma estratégia clara marcaram a evolução do espanhol Ignacio Vilela em Silicon Valley. O fundador da Starcaps Ventures geriu o fundo da Workday e agora trabalha para o EBN Banco.

A história de Ignacio Vilela é a de um profissional que abandonou o seu trabalho como engenheiro de estradas para dar uma mudança radical à sua carreira. Há cinco anos dedicou toda a sua energia a duas das suas paixões: a tecnologia e o investimento. Em 2011, lançou o seu fundo de capital de risco Starcaps Ventures para impulsionar as empresas de ponta e em 2013 voltou a dar uma volta de 360º à sua vida. Fez as malas e mudou-se para Silicon Valley, com o objetivo de financiar as start-ups de Palo Alto. Conseguiu-o. Além disso, durante os dois últimos anos geriu o Venture Capital da Workday. Agora celebra um passo mais na sua trajetória. Começou a exercer a função de assessor tecnológico no fundo que o EBN Banco acaba de criar através da sua gestora.

Dentro da entidade financeira, ficará encarregue de propor todos os investimentos. “O objetivo é atrair as firmas que já estão consolidadas, mas que, todavia, não estão cotadas em Bolsa”, explica Vilela ao site espanhol Expasión. O seu conhecimento e a sua experiência em Silicon Valley levaram-no a dar este passo profissional. Para subir até tal posição, primeiro teve que superar todos os obstáculos que implica ser um completo desconhecido na meca do empreendedorismo.

Sonhar em grande

O sonho de Vilela era localizar a próxima grande empresa. “Descobri que Silicon Valley era o único lugar no qual podia desenvolver bem o meu projeto. Queria fazer ver aos empreendedores que, no meu fundo, estavam os investidores que lhes iam abrir as portas da Europa”, explica Vilela. A estratégia era clara: devia trazer um valor acrescentado e impulsionar a trajetória internacional dos criadores.

Assim, lançou em Espanha a Starcaps Ventures como um fundo de capital semente de 1,5 milhões de euros para depois se mudar para Silicon Valley. Em 2014, criou outro veículo, também de 1,5 milhões de euros, mas desta vez destinado somente às start-ups nascidas no continente americano. “Às vezes, identifico-me mais como empreendedor, porque comecei um negócio do zero e consegui um espaço num mercado que se move muito rapidamente”, conta.

Instalar-se em San Francisco não foi fácil. Ali não basta oferecer dinheiro às start-ups, há que mostrar-se como mais um da equipa. “Essa é uma grande diferença que existe em relação a Espanha. No nosso país, há muitos fundos que se estão a esforçar, mas outros querem aliar-se às start-ups só para fortalecer a sua marca. Os empreendedores devem fugir disso. O ideal é que acedam a fundos que não só tragam dinheiro, mas que também os apoiem no seu funcionamento e que não exijam exclusividade. Não há nada mais caro para uma start-up do que um investidor que não se envolva com a empresa”.

No total, as empresas investidas pela Starcaps Ventures receberam mais de 300 milhões de dólares (aproximadamente 269 milhões de euros). Uma das mais conhecidas é a 99Taxis, a Uber do Brasil. Há uns meses, conseguiu 100 milhões de dólares de investimento (cerca de 89 milhões de euros) procedentes da Didi, a rede de transporte privado da China. Outra das mais destacadas é a Earnest, fintech dos Estados Unidos avaliada em 1.000 milhões de euros.

Pouco a pouco Vilela começou a ligar-se aos principais investidores. “Ali o networking é tudo. Muita gente confunde-o com ir a eventos. Há que fomentar as relações de qualidade. Saber o que tu podes levar e no que os outros te podem complementar “, afirma.

O degrau seguinte que subiu foi pela mão de Adeyemi Ajao. O fundador da Tuenti deu o nome de Vilela à Workday, uma das maiores empresas de software do mundo. A empresa queria lançar o seu próprio Venture Capital e acabou por contratar Vilela para que gerisse o seu fundo corporativo. “O mundo do corporate venture capital está a viver uma revolução nos Estados Unidos. Cada vez é mais habitual encontrar estas entidades nas melhores empresas de Silicon Valley. Um exemplo é o da start-up Cohesity, plataforma de armazenamento de informação, que fechou uma das últimas rondas de maior capital. Conseguiu 90 milhões de dólares (80 milhões de euros) e a operação foi liderada pela Sequoia juntamente com a Google, Cisco e HP”.

Os projetos do investidor espanhol em Silicon Valley

  • Starcaps Ventures. Em 2011 cria este fundo de capital semente e em 2013 muda-se para Silicon Valley. Investe em start-ups da meca do empreendedorismo. As empresas desta entidade receberam mais de 300 milhões de dólares no seu conjunto (269 milhões de euros). Algumas das mais destacadas têm sido a 99Taxis, Rappi, Earnest, Shipbob, AltspaceVR e Verse.
  • Integra a empresa em 2015 para gerir o seu fundo venture capital. Os investimentos foram realizados com alguns dos fundos mais conhecidos como Sequoia, Greylock, Index e Salesforce Ventures. “Um corporate bem desenhado é muito rentável em termos económicos. Também é adequado para conhecer as novas tendências”.
  • EBN Banco. O EBN Banco lançou o seu próprio fundo através da sua gestora EBN Capital. Vilela começou a desempenhar o cargo de assessor tecnológico deste fundo, depois de receber a aprovação da espanhola CNMV. “Devo avaliar o retorno esperado e analisar as perspetivas das empresas”. O objetivo é trabalhar com as empresas de ponta que ainda não entraram na Bolsa.

Conselhos de Vilela para conseguir financiamento

  • “A empresa deve abastecer um grande mercado. Os investidores não se fixam em empresas com um público pequeno”.
  • “Há que saber vender-se. É essencial organizar as ideias que definem a empresa e elaborar um discurso”.
  • “Pode recorrer-se a financiamento público. Essa é uma vantagem que Espanha tem em relação a Silicon Valley”.
  • “É essencial formar uma boa equipa que se complemente e que saiba tratar os diferentes clientes”.

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