Este ano pode vir a superar recordes na recolha de dinheiro através de ofertas públicas iniciais. Eis alguns dos maiores IPOs que deve acompanhar em 2019.

Em 2018, houve quase 40 mil milhões de euros levantados através de IPOs (oferta pública inicial), uma forma de recolher capital através da bolsa de valores. Este formato tem perdido fama nos últimos anos. As empresas levam cada vez mais tempo a recorrer ao mercado público através de IPOs. Se em 2013, a média era de 6.9 anos até uma empresa entrar em bolsa, em 2018, o número passou para 10.1 anos – como as portuguesas Science4you e Farfetch, que nasceram em 2008.

Segundo um relatório da CBInsights, parte da culpa de isto acontecer prende-se com a maior atração pelos mercados privados, onde há cada vez mais investidores e dinheiro a fluir. A crescente atividade de M&A (fusões e aquisições) e as “mega” rondas de investimento efetuadas por fundos gigantes como o Vision Fund Softbank também não apoiam a causa.

Contudo, desde 2014 que não surgiam resultados tão positivos como os apresentados nos últimos 12 meses – e 2019 pode mesmo vir a superar o recorde dos últimos quatro anos. Isto porque se espera a entrada de grandes empresas no mercado público. A lista que se segue inclui dez dos maiores potenciais projetos a entrar em bolsa em 2019:

CrowdStrike (2.6mM€) – A maior parte das empresas de cibersegurança não chegam aos mercados públicos porque, por norma, são adquiridas por outras grandes firmas enquanto estão a delinear o percurso até ao mercado público. A CrowdStrike, que utiliza inteligência artificial para prever potenciais ataques cibernéticos, remou contra essa tendência e já contratou a Goldman Sachs para apoiar a preparação da oferta pública inicial – algo que, segundo noticiou a Reuters, pode acontecer no primeiro semestre deste ano.

Cloudflare (3 mM€) – Contando já com dez anos de existência, a Cloudflare é uma start-up focada em serviços online – que vão desde o host de servidores até à sua proteção com mecanismos de cibersegurança. Tal como a Crowdstrike, a empresa também contratou a Goldman Sachs para fazer a preparação para a listagem pública. O CEO, Matthew Prince, viajou até Lisboa recentemente para ponderar abrir um escritório em Portugal, mas, como noticiou o Observador, o empreendedor não ficou com uma primeira boa impressão da cidade.

Robinhood (4.9mM€) – Com os serviços que esta start-up disponibiliza, qualquer pessoa pode trocar ações e criptomoedas. Em outubro de 2018, a start-up já contava com oito milhões de utilizadores e, atualmente, está assente numa avaliação de quase cinco mil milhões de euros. No entanto, podem surgir alguns obstáculos a esta entrada, como o facto de ainda não gerar dinheiro.

Slack (6.1 mM€) – Esta empresa já tem oito milhões de utilizadores diários e, ao contrário de muitos outros softwares construídos para o mundo empresarial, o Slack tornou-se numa superestrela das ferramentas que potenciam a comunicação e organização das equipas. Seguindo as passos dados pelo Spotify em abril, o CEO do Slack, Stewart Butterfield, revelou que se sente tentado a vender as ações diretamente aos utilizadores, em vez de ter de contar com o apoio dos bancos.

Rackspace* – Esta não é a primeira vez que a Rackspace entra no mercado público. Há perto de dois anos, a start-up que ajuda empresas a mover as suas operações para a cloud foi privatizada pela Apollo – num negócio avaliado em 3.75 mil milhões de euros. Especula-se que avaliação atual possa estar em valores superiores a 8.5 mil milhões de euros. Contudo, de acordo com a Bloomberg, ainda não se sabe ao certo se a Apollo pretende levar a empresa à bolsa ou não. *( A avaliação atual da empresa não é pública)

Pinterest (10.4 mM€) – Esta vai ser a segunda tentativa de entrar na bolsa para o Pinterest – depois de ter falhado os resultados estimados para 2017. Os últimos doze meses parecem ter sido positivos para a plataforma de partilha de imagens: receitas maiores e mais estáveis e um crescimento considerável no número de utilizadores (15% em 2018). Estes fatores parecem comprovar que pode ter chegado a altura de levar a empresa ao mercado público.

Lyft (13 mM€) – A Lyft é a maior concorrente da Uber nos Estados Unidos. Ambas têm estado em guerra para tentar dominar o mercado, mas a Lyft parece ter ganho a corrida ao IPO, depois de ter contratado a J.P Morgan para a apoiar. Caso consiga vencer a sua principal concorrente na entrada em bolsa, segundo analistas da Reuters, a avaliação da Lyft pode duplicar, aumentando, assim, para os 26.4 mil milhões, visto que esta corrida não se trata apenas de timing, mas também de teoria de jogo.

Airbnb (27 mM€) – Contando já com mais de 4 mil funcionários a trabalhar dos quatro cantos do mundo, é difícil continuar a descrever o Airbnb como uma start-up. Tal como o CEO do Slack, Brian Chesky, diretor executivo da plataforma de arrendamento, sente-se inspirado para levar a empresa ao mercado público, da mesma maneira que o Spotify o fez, tendo em especial consideração que não precisa de recolher dinheiro com o IPO, visto que já é rentável.

Palantir (31 mM€) – Em outubro, o The Wall Street Journal noticiava a avaliação astronómica de 31 mil milhões de euros do projeto secreto de Peter Thiel, cofundador do PayPal – um número duas vezes superior ao que os investidores privados tinham em mente. A publicação Inc. relata que há várias fontes a apontar para conversações entre a empresa, o Credit Suisse e a Morgan Stanley com o objetivo de listarem a Palantir em bolsa.

Uber (104.5 mM€) – 120 mil milhões de dólares. Este é o valor que a Uber está a propor para o IPO que quer levar a cabo este ano. A empresa, que já recolheu perto de 14 mil milhões de euros, continua a perder dinheiro – só no último trimestre, a plataforma de mobilidade apresentou prejuízos de 940 milhões de euros. Uma oferta pública inicial poderá ajudar a Uber a reequilibrar as contas e a continuar a investir nas várias frentes da área da mobilidade.

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