Nos últimos cinco anos, o total de dinheiro investido em start-ups focadas em animais de estimação cresceu de 57,7 milhões de euros para 250 milhões.

Estima-se que o mercado global associado ao universo dos animais de estimação esteja avaliado acima dos 90 mil milhões de euros,  o que se traduz num crescimento na ordem dos 14% entre 2012 e 2017. Por outro lado, os consumidores que mais dinheiro gastam a cuidar dos seus animais são oriundos dos Estados Unidos e da Europa Ocidental.

Paralelamente a estes números, que parecem não mostrar sinais de abrandamento, nascem start-ups de base tecnológica aplicada aos animais. E a apoiar este tipo de projetos vêm os investidores de fundos de capital de risco.

Segundo os dados mais recentes da Crunchbase, o total investido, entre 2012 e 2017, neste tipo de start-ups cresceu 334%, de 57.8 milhões de euros para 250 milhões de euros. Apesar destes números revelarem um crescimento abrupto, os de 2018 são ainda mais surpreendentes. Desde o início deste ano, os investidores colocaram mais de 445 milhões de euros neste tipo de projetos, um aumento na ordem dos 78% quando comparado com o total investido em 2017.

À liderar este ciclo de investimento está o Vision Fund, do Softbank, que, no início deste ano, apostou cerca de 255 milhões de euros na Wag, uma start-up norte-americana que criou uma plataforma que liga donos de cães a pessoas dispostas a passeá-los por dinheiro – uma espécie de Uber aplicada ao mercado dos animais de estimação.

Apesar desta quantia, a Wag deixou algum espaço para outros projetos de base tecnológica poderem crescer. Em maio, a Rover, que oferece vários serviços aos animais de estimação dos seus clientes, conseguiu fechar uma ronda de investimento de mais de 130 milhões de euros, totalizando cerca de 240 milhões de euros recebidos.

Brandie Gonzales, um dos responsáveis por esta start-up de Seattle (EUA), afirma que a indústria dos animais de estimação é enorme, mas que está relativamente ultrapassada no que diz respeito às práticas de negócio.

Num email à Crunchbase, Gonzales afirma que “não há um segmento da indústria que tenha embaraçado a tecnologia quanto nós pensamos que é possível. Apesar da demora a juntarem-se ao mundo tecnológico, da cloud e da internet, a indústria dos animais de estimação continua a crescer mais rápido que a economia em geral. Vemos isso como uma oportunidade e estamos entusiasmados que os investidores também o vejam”.

Os números apresentados pela comunidade à volta da Rover são entusiasmantes para qualquer investidor. A start-up já conta com mais de 200 mil dogsitters – só nos Estados Unidos – e, segundo Gonzales, a cada quatro segundos, é marcado um serviço através da plataforma.

Com os olhos postos na internacionalização, a Rover anunciou recentemente a expansão para a Europa, concretamente para o mercado britânico, que representa 25% do total do mercado de animais de estimação.

Do lado dos investidores, há empresas que também estão a criar fundos 100% dedicados a esta indústria. Exemplo disto é o Companion Fund, lançado pela Mars Petcare e pela Digitalis Ventures.

Este fundo, que ronda os 85 milhões de euros, tem como objetivo trabalhar na área da inovação ligada aos animais de estimação. O objetivo é apostar em negócios relacionados com soluções de saúde, diagnóstico, nutrição e serviços.

No que toca ao investimento anual em projetos neste setor de mercado, 2018 já bateu o recorde seis meses antes do final do ano. De acordo com a análise da Crunchbase vai continuar a haver um crescente interesse dos investidores em projetos deste género.

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