Nicole Quinn, da Lightspeed Venture Partners, esteve em Lisboa, no Web Summit, e o Link to Leaders falou com a partner da empresa norte-americana de capital de risco para saber como esta profissional vê o mercado europeu.

Pensem em grande e corram riscos. Este foi o conselho que Nicole Quinn deixou  às start-ups portuguesas que estejam a ponderar avançar para o mercado norte-americano. “Em vez de pensarem apenas na sua cidade ou no seu país, se tiverem realmente uma grande equipa, um grande produto, mercado e “aquela” sorte, vão querer pensar em grande, devem pensar: “como posso enriquecer a vida das pessoas, em todo o mundo, com este produto”, afirmou. “Definitivamente encorajo-os a pensarem em grande e a correrem riscos”, frisou.

Questionada sobre se haverá uma Silicon Valey europeia nos próximos cinco a 10 anos, Nicole Quinn acredita que sim. E se, há uns anos, acreditava que Londres seria a cidade mais provável para isso acontecer, agora, com o Brexit, tem dúvidas. “Tenho um felling sobre qual será a cidade, mas vamos esperar para ver o que acontece”, concluiu.

Enquanto isso não acontece, e equacionando o movimento inverso, quisemos saber que conselhos dá a partner da Lightspeed Venture Partners às start-ups europeias que queiram tentar a sua sorte em Silicon Valley. Nicole Quinn foi muito objetiva nas suas recomendações: construam um negócio que seja autêntico para vocês, que tenha uma grande visão e caraterísticas que mais ninguém tenha. E que seja uma área em que tenham muita experiência. “É preciso saber mais do que qualquer outra pessoa dessa  área”, recomenda.

Por outro lado, lembra a importância de contratar profissionais de topo, assim que o negócio começar, porque é fundamental assegurar-se de que a qualidade da equipa é realmente muito forte. É importante, salienta, construir um produto de tal forma diferenciador e de qualidade que as pessoas voltem repetidamente para comprar ou o aconselhem aos amigos. E assim tornar o produto viral.

Nicole Quinn refere, ainda, que a par da equipa e da qualidade do produto, é igualmente relevante ter escala e canais de distribuição. “É importante descobrir qual o mercado em que o produto funciona bem. E, claro, também é preciso um pouco de sorte”.

Enquanto partner de uma empresa de capital de risco, Quinn salienta também que os empreendedores que estão a pensar ir para os Estados Unidos, devem encontrar o investidor certo, que acredite no projeto que  começaram por construir no ambiente europeu. “Os investidores ficarão contentes de pensar em investir fora, em Silicon Valley, onde podem encontrar as melhores companhias do mundo”, assegura.

“A razão porque nos focamos na geografia tem a ver com o facto de querermos contratar os melhores talentos e  há muito talentos em Silicon Valley. Mas se tiver uma empresa de ecommerce talvez queira estabelecer -se em Nova Iorque, Londres ou Lisboa, por exemplo, por achar que o talento aí é melhor que em qualquer outro lugar. Para os investidores isso é muito importante”, explica.

Encontrar um bom projeto para investir nem sempre é fácil, como deixou no ar Nicole Quinn. Sobretudo em empresas de ecommerce que, muitas vezes, já são rentáveis e não precisam de fundos. “Algumas destas companhias não precisam realmente de fundos mas pensam que talvez seja melhor tê-los porque assim podem contratar os melhores profissionais ou investir em marketing para estarem à frente dos seus adversários. Essa é a razão principal para quererem o dinheiro dos investidores. Ser um empreendedor é um trabalho solitário e por isso é ótimo ter um verdadeiro parceiro”, concluiu.

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