Nada é permanente a não ser a própria mudança, já dizia Heráclito de Éfeso (há muito muito tempo, por volta de 500 a.C.). Tudo flui, nada persiste. A não ser, talvez, algumas mentalidades rígidas (“sempre fiz assim”) que ainda se encontram neste belo país “à beira mar plantado” (fica o pensamento crítico).

Fazer parte da mudança é claramente uma opção e uma necessidade urgente das sociedades, das organizações e dos indivíduos. Cada vez mais, a capacidade de (parar para) pensar, preferencialmente de forma crítica, é um fator de diferenciação neste processo evolutivo civilizacional. O mundo VUCA é já um cliché instalado, que veio para ficar, sem complexos, trazendo desafios aos quais não podemos ficar indiferentes. Principalmente devido ao jogo da mudança ser global!

A 4.ª revolução industrial é uma realidade e temos de capacitar-nos para ela, enquanto cidadãos, profissionais e seres humanos. A transformação digital está aí e deveremos focar-nos em ser melhores humanos: na nossa capacidade de ser (being), sentir e de pensar. Se a tecnologia é um facilitador, não sejamos nós humanos os “complicados”. É simples.

Imaginem um mundo povoado por intraempreendedores. Organizações nas quais os empreendedores florescem, trazendo uma atitude sonhadora e fazedora (das ideias à ação), banhada em curiosidade e na arte de questionar. O World Economic Forum identificou o top 10 das skills que deveremos possuir em 2020 para lidarmos com os desafios do mercado de trabalho! No top 3 temos a capacidade de resolução de problemas complexos, o pensamento crítico e a criatividade. Destas linhas advém que o mundo precisa de pessoas empreendedoras, focadas em soluções, não em problemas (há quem veja problemas, em cada solução…)!
Os problemas continuarão a existir, mas o foco deve estar na sua resolução, com novas abordagens (experimenta, falha ou não e aprende com isso – evolui). Importa criar as condições, o tempo, o espaço nas organizações (smartworkplaces) que sejam favoráveis ao florescimento deste povo.

Sejamos smarter, utilizemos a nossa inteligência emocional e outras soft skills. É isto que nos distingue das máquinas…ainda! Sejamos humanamente inteligentes, procurando quebrar as barreiras do famoso princípio de Peter, ou seja, o da nossa própria incompetência. Elevando a fasquia. Dotarmo-nos de novas competências e melhorando as que já temos (reskilling e upskilling). Chega de silly season, abra-se a época das smart skills.

Maslow, no topo da sua hierarquia das necessidades, evidenciava que a auto-atualização não acontece por si só! Resulta de um processo de tomada de decisão em consciência, com um propósito. O conceito de aprendizagem ao longo da vida ganha um novo fulgor nos nossos dias, em modo 24/7. Os iliterados do séc. XXI, segundo Alvin Toffler, serão aqueles que não sabem aprender, desaprender e aprender novamente. Ter flexibilidade cognitiva é uma competência pessoal que pode ser treinada! É uma inteligência da qual não nos podemos demitir.

O mundo e as organizações precisam de pessoas (mais) empreendedoras, que façam acontecer. Aqui e agora. Hoje. Não percam a oportunidade. Amanhã pode ser longe demais.

Intraempreendedores, esta é a última chamada!

*Membro da Equipa de Coordenação – Portugal Agora

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Sobre o autor

Rita Oliveira Pelica

Networker, curiosa e de espírito empreendedor, é Chief Energy Officer & Founder da ONYOU – Empowering & Learning Experiences, desenvolvendo vários projetos na área da educação e da formação de jovens universitários e executivos, com ênfase nas competências comportamentais pessoais... Ler Mais