Estamos a viver numa época de inovação acelerada, potenciada, principalmente, pelos desenvolvimentos das capacidades humanas e tecnológicas, integrados em mercados dinâmicos e cada vez mais globais.

Esta é uma visão do que o futuro irá exigir de cada organização e um requisito para a reflexão e decisão sobre a antecipação das iniciativas, fundamentais para a sua sobrevivência num contexto de mercado que será cada vez mais dinâmico e competitivo.

São os designados processos transformacionais. Veja-se o exemplo de adaptação à realidade recente por parte das estruturas organizacionais: surgiu a necessidade de se criar um CTO “Chief Technology Officer“, agora já caminhamos para a necessidade de um “Chief Transformation Officer“. Os processos transformacionais adquiriram uma tal importância que já têm, em algumas organizações e ao mais alto nível, um responsável pela transformação exigida às sociedades. E os métodos de gestão, nomeadamente na abordagem aos permanentes desafios, estão a adaptar-se também às exigências de uma muito maior agilidade e acrescida flexibilidade nos processos de tomada de decisão.

Quando me perguntam como podem as empresas inovar, respondo que a mudança faz parte do nosso dia-a-dia e as start-ups têm aqui um papel fundamental. Vemos grandes empresas a integrarem pequenas empresas, para adquirir “know-how“, inovação, complementaridades de oferta de valor em segmentos ou nichos de mercado de elevado potencial. Isto para dizer que a inovação pode ser promovida “dentro ou fora” da empresa, em instalações separadas e com recursos/competências afectas exclusivamente dedicadas.

Por exemplo, no caso do Montepio, a partir do programa Social Tech, o Montepio lançou recentemente o primeiro programa de aceleração de apoio à inovação social de base tecnológica.

Neste sentido, podemos afirmar que a inovação também pode vir do exterior, de conceitos, ideias e projectos de terceiros que, de forma colaborativa, irão originar oportunidades de desenvolvimento e concretização de negócio das várias partes envolvidas.

E compete-nos perguntar recorrentemente: para onde caminha a inovação no médio-longo prazo? Quais as tendências prevalecentes e como impactarão a actividade do sector onde nos integramos? E a economia global como se irá comportar com o advento, como se perspectiva a cada vez maior dissipação das fronteiras dos designados sectores que se encontram em permanente redefinição? Os efeitos das mutações de índole muito diversa, gerados pela evolução tecnológica afectarão os “economics” da generalidade das empresas e as estruturas sociais. E são cada vez mais pronunciados. Estes efeitos encerram desafios que importa enfrentar munidos dos imprescindíveis meios e capacidades, sempre conscientes de que a antecipação das exigências dos mercados serão determinantes no seu sucesso.

O resultado da constante tendência de inovação e de procura de novas soluções e posicionamentos estratégicos empresariais, alicerçados quer em novas formas de inteligência, quer no manancial de informação disponível e gerível como nunca antes, irá muito mais longe do que simplesmente substituir “humanos” por “máquinas” – há todo um processo de re-arquitectura do modo como se organizam os meios para atingir os desígnios, tanto no sector bancário, como, por exemplo, na distribuição, na indústria militar, nos transportes ou na saúde … e, no seu percurso evolutivo individual, os modelos industriais ir-se-ão extinguir na forma como actualmente os conhecemos.

Nota: Artigo escrito ao abrigo do antigo acordo ortográfico.

* João Lopes Raimundo, membro do Conselho de Administração Executivo da Caixa Económica Montepio Geral

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Sobre o autor

João Lopes Raimundo

João Lopes Raimundo é membro do Conselho de Administração Executivo da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) e Presidente do Conselho de Administração do Montepio Investimento, S.A., sendo igualmente Administrador da Montepio Holding, SGPS, S.A. Integra os Conselhos de Administração da SIBS, SGPS, S.A. e SIBS FPS – Forward Payment Solutions, S.A., assim como o Conselho de Administração da EDP Renováveis, S.A.. É também membro do Conselho Consultivo da Impact Hub.... Ler Mais