Apareceu nos media uma notícia sobre o número de milionários nas principais cidades da Índia, com a indicação da riqueza total nelas produzida.

Eis a ordenação:

Riqueza em 2016 Nº de Milionários Nº Bilionários[1]
Mumbai $820 bn 46.000 28
Delhi $450 bn 23.000 18
Bangalore $320 bn 7.700 8
Hyderabad $310 bn 9.000 6
Kolkota $290 bn 9.600 4
Pune $180 bn 4.500 5
Chennai $150 bn 6.600 4
Gurgaon $110 bn 4.000 2

 

Algumas pessoas que se ‘preocupam’ com os pobres, mas pouco fazem por eles, ficam perplexas e aterradas com o crescente número de milionários a açambarcar a riqueza. Outras preferem encarar isso com serenidade e sem preconceitos: ao mesmo tempo que há mais milionários, o número de pobres ter-se-á reduzido muito mais, dizem.

É bom que haja milionários que utilizem bem os seus recursos para criar riqueza e postos de trabalho; os novos postos reduzem o número de pobres. De lamentar seria que os milionários malgastassem os recursos ou não os depositassem em bancos, para outros poderem utilizar. Espera-se que paguem os impostos devidos, coisa fácil de se conseguir, pois não são clandestinos e vivem em casas vistosas!…

Alguns terão consciência social para potenciar o país a alcançar objetivos úteis, como tornar o país mais interligado e muito mais digital e moderno. Outros criaram instituições de saúde, quando os Governos eram incapazes, melhoraram instituições de ensino, criaram fundações de apoio a realizações sociais, etc.

É certo que há muita pobreza, pessoas sem meios. Mas isso, num país onde o rendimento médio é razoável, é um problema de distribuição da riqueza, de justiça, e há que instaurar uma política de cobrança dos impostos devidos, para com eles assegurar os serviços básicos para todos.

Há 3 anos, no total da população indiana, menos de 40 milhões pagavam impostos sobre os rendimentos. É uma base muito reduzida e, apesar de já se ter duplicado, ainda parece pouco.

São as receitas do Estado (central e estaduais) que devem garantir um ambiente de segurança; elas podem garantir um futuro a todos os cidadãos, possibilitando o acesso à instrução – primeiro a obrigatória e, depois, aquela a que um jovem tenha capacidade de aspirar; cuidados de saúde, vacinações e acesso aos centros de saúde e hospitais, quando necessário. Também a expansão e manutenção das infraestruturas, para que o cidadão se possa movimentar para os locais de trabalho ou de estudo, para o mercado, levando/trazendo produtos.

A justiça na fixação e cobrança dos impostos deve ir em paralelo com a sua eficaz e correta utilização, para resolver ou antecipar os problemas da sociedade, em particular a disparidade entre ricos e pobres.

A evolução positiva dos países, com crescente bem-estar, dá-se quando o Governo responde às suas incumbências: às antes referidas e ao fomento de Instituições sociais intermédias, onde os cidadãos, em especial a classe média, se inserem, para defender os seus interesses em mútua colaboração e trazendo novas aspirações e exigências. As associações facilitam a participação criando compromissos entre os cidadãos e dão eficácia às realizações; com pessoas organizadas em instituições de tipo político, intelectual, de lazer, etc., ‘a força da união’ retira o cidadão do isolamento e atomização que o deixa vulnerável.

[1] Bilionário em inglês que significa possuidor de mais de “um milhar de milhões”

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Sobre o autor

Eugénio Viassa Monteiro

Eugénio Viassa Monteiro, cofundador e professor da AESE, é Visiting Professor da IESE-Universidad de Navarra, Espanha, do Instituto Internacional San Telmo, Seville, Espanha, e do Instituto Internacional Bravo Murillo, Ilhas Canárias, Espanha. É autor do livro “O Despertar da India”, publicado em português, espanhol e inglês. Foi diretor-geral e vice-presidente da AESE (1980 – 1997), onde teve diversas responsabilidades. Foi presidente da AAPI-Associação de Amizade Portugal-India e faz parte da... Ler Mais