O assunto “Cultura Organizacional” quase nunca é uma preocupação do empreendedor no estágio inicial da sua empresa. Porém, se esse assunto for deixado de lado, um dia a conta poderá chegar.

Normalmente, as dores de uma cultura organizacional ruim começam a partir do momento em que a Start-up começa a crescer e a contratar mais pessoas, principalmente se esse crescimento acontecer em alta velocidade. A empresa preocupa-se com processos, vendas, produtos, entregas, e não se consegue dedicar à contratação e treinamento da equipa, esquecendo-se de que a cultura é formada por pessoas.

Construir uma cultura organizacional sólida desde o início da organização garante que a empresa e as pessoas que nela trabalham tenham consistência ao longo do crescimento acelerado. Os valores, as crenças, os ritos que fizeram a empresa chegar aonde está, não podem ser esquecidos e ignorados, o que formaria um grande exército de mercenários, em vez de criar um grande exército de missionários.

Como construir a cultura organizacional?

A cultura se origina a partir do empreendedor. Podemos observar em grandes empresas como Google, Disney, Apple e Ambev que a cultura predominante é sólida e, ao mesmo tempo, é bem diferente entre cada uma delas. Se observarmos ainda um pouco mais de perto, poderemos perceber que a cultura está totalmente associada a quem as fundou. Nesse caso, Larry Page e Sergey Brin, Walt Disney, Steve Jobs e Jorge Paulo Lemann.

Porém, os empreendedores não conseguem ser onipresentes na organização e precisam de se perguntar: “Enquanto não estou no escritório, como a empresa deve se comportar? Se eu parar de trabalhar amanhã, como a empresa deverá seguir o seu caminho?”. Respondendo a essas perguntas, os fundadores começam a entender os verdadeiros valores que devem ser passados aos seus colaboradores.

Como projetar a minha cultura na empresa?

Para criar uma empresa com cultura aderente ao seu desejo e à sua realidade, o empreendedor deve, em primeiro lugar, pensar em quem não deveria estar na empresa. Costumo dizer que os limites da cultura da organização são nivelados pela pior pessoa da organização. “Se essa pessoa pode tratar os clientes dessa forma e permanecer na empresa, eu também posso”.

As pessoas que ficam ajudam a moldar os valores, crenças, ritos/rituais da empresa, mas as pessoas que saem ajudam a moldar os limites. Pode soar estranho num primeiro momento, mas é mais importante pensar em quem precisa deixar a sua empresa do que em quem precisa ficar. Fazer essa limpeza logo no início da companhia, enquanto ela ainda se está a constituir e a crescer de forma acelerada, pode ser crucial para a motivação e produtividade futura de seus funcionários.

Para as pessoas que ficaram, é importante que todas entendam o verdadeiro propósito da organização. Sem que esteja muito clara a missão da empresa, o porquê de ela existir, sua causa, onde ela quer chegar e como, os colaboradores trabalham à deriva, deixando o acaso guiar as suas atitudes e decisões. Quando estamos numa estrada com boa visibilidade, somos muito mais rápidos e confiantes do que numa estrada enevoada.

Outro ponto muito importante é manter uma comunicação interna pouco burocrática. Todo o crescimento é acompanhado de um aumento no número de regras, processos e procedimentos, mas devemos evitar ao máximo que ocorra burocracia na parte da comunicação, para que as pessoas possam ficar livres para opinar, discutir ideias e implementações, criar novos produtos e processos e fortalecer a cultura presente.

Por último, é muito importante que as pessoas não percam a sua liberdade, dentro dos limites estabelecidos. Os fundadores devem evitar que ocorra o processo de robotização do seu pessoal, que torna os seus funcionários rígidos e pouco criativos.

Costumo dizer que as pessoas da sua empresa são como tijolos, enquanto a cultura é como a argamassa que mantém os tijolos juntos e firmes para construir uma casa consistente.

Ao pensar na cultura da organização desde o início da start-up, os empreendedores podem construir a sua casa de forma sólida e confiável, criando um exército de missionários, em vez de mercenários, reduzindo o turn-over do pessoal, aumentando a produtividade e a criatividade dos seus colaboradores e criando uma empresa de alto impacto.

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