O financiamento é uma questão crucial para o ecossistema empreendedor português. Há que desenvolver instrumentos alternativos de alavancagem, que não só substituam o tradicional crédito bancário como sejam adequados aos desafios do empreendedorismo.

É importante que as empresas em fases iniciais de desenvolvimento, ou em processos de scaleup, obtenham financiamento e, ao mesmo tempo, usufruam da experiência financeira, conhecimento empresarial, visão estratégica e relações com o mercado dos investidores.

Uma das fragilidades do nosso ecossistema é, aliás, a falta de investidores em Portugal com interesse nas start-ups e que compreendam a sua natureza muito própria. Pela complexidade dos seus modelos de negócio, as start-ups precisam de tempo para valorizar o conhecimento, para amortizar o capital aplicado e para serem compreendidas pelo mercado.

Ora tudo isto serve para sublinhar a importância dos business angels para o empreendedorismo português, em particular num momento em que assistimos a um boom de start-ups inovadoras e em que há a necessidade de dar músculo financeiro a empresas em processo de aceleração e escalabilidade. As nossas start-ups de crescimento acelerado necessitam de ganhar músculo financeiro para reforçarem os seus recursos tecnológicos, investirem em inovação, atraírem talento e ganharem poder negocial junto de fornecedores e clientes. Empresas débeis não resistem quer à forte competição global, quer à vertiginosa transformação tecnológica do mundo.

Para tanto, parece-me cada vez mais importante a criação de estratégias e incentivos que fomentem a criação de mais business angels e a flexibilização de estruturas profissionais de Coinvestimento capazes de colaborar de forma sinérgica e que revelem capacidade de planeamento. Os business angels devem procurar uma convergência de interesses e vontades, que depois se traduza em soluções de financiamento mais favoráveis para as empresas.

A cooperação entre business angels é bem-vinda na medida em exponencia as potencialidades de um investimento que, para lá do capital, oferece às empresas conhecimento, experiência, gestão e contactos. Essa cooperação pode ser feita através de fundos participados por vários business angels ou de coinvestimentos estratégicos envolvendo diversos parceiros, de forma a aumentar o poder financeiro de quem investe e consequentemente a disponibilidade de capital das empresas investidas.

A cooperação é também uma forma de minorar o risco inerente ao investimento. Sendo o risco repartido por vários business angels, o investimento passa a ser mais seguro e pode envolver montantes mais elevados. Com uma colaboração mais próxima, mais institucionalizada e mais regular, creio ser possível ultrapassar alguma relutância em aplicar capital nas startups que ainda existe entre os investidores portugueses.

De resto, vale bem a pena investir nas startups portuguesas. Temos em Portugal projetos de empreendedorismo de grande potencial e com perspetivas de crescimento acelerado. Muitas das nossas startups incorporam conhecimento especializado, tecnologias disruptivas, produtos inovadores e talento tecnológico. Por isso, são competitivas internacionalmente e têm grande potencial de rentabilidade.

Importa, pois, estabelecer pontes entre empreendedores e business angels para que os projetos com potencial não se esfumem no cada vez mais fervilhante ecossistema português.

*Associação Nacional de Jovens Empresários

Comentários

Sobre o autor

Adelino Costa Matos

Adelino Costa Matos é Presidente da Direção Nacional da ANJE desde janeiro de 2017, tendo já integrado a Direção Nacional precedente (entre 2013 e 2017). É chairman e CEO da ASM Industries, sub-holding do grupo A. Silva Matos, criada precisamente... Ler Mais