No início de 2014, cheguei a Portugal como Embaixatriz dos Estados Unidos. Uma altura em que Portugal estava a entrar no seu sexto ano de elevado desemprego e baixo crescimento, e as medidas de austeridade impostas por um resgate internacional estavam a prejudicar a população. As previsões para o futuro da economia portuguesa não eram favoráveis.

Ironicamente, são estas condições económicas pautadas por circunstâncias difíceis, que acabam por criar oportunidades. É por isso que, quando um país está em crise, verificamos muitas vezes um aumento de start-ups e novos negócios. Parece contraditório, mas é precisamente nos momentos mais difíceis que as pessoas têm de arriscar.

Quando o meu marido soube que iria ser o Embaixador dos EUA em Portugal, ambos decidimos que nos iríamos comprometer a “Pay It Forward“, ou seja, contribuir para a sociedade portuguesa de uma forma real e construtiva, de forma a honrar esta oportunidade que nos foi dada pelo Presidente Obama. O nosso objetivo era garantir que, quando saíssemos de Portugal (que acabou por ser muito mais cedo do que o esperado ou desejado), teríamos feito uma contribuição duradoura para os portugueses.

Ao pensar no que esta poderia ser, percebi que, enquanto empreendedora, o que conheço melhor são os desafios que se enfrentam para criar e fazer crescer uma pequena empresa de forma sustentável e bem-sucedida, algo em que eu já tinha uma experiência de 20 anos.

Quando comecei o meu negócio, o empreendedorismo era um conceito estranho para mim. Tão desconhecido para mim quanto um Pastel de Nata, antes de chegar a Portugal. Era uma advogada que não tinha ideia do que “ser uma empreendedora” significava. Aliás, nem me tinha apercebido de que era uma empreendedora até muitos anos mais tarde.

Não tinha noção de que o meu compromisso, a minha perseverança, criatividade, adaptabilidade e a minha incessante busca de recursos para implementar as minhas ideias (mesmo quando todos ao meu redor me diziam que o que eu queria fazer era impossível, e eu de forma confiante, fazia-o de qualquer maneira), era a descrição nata de uma empreendedora.

Historicamente, as “Embaixatrizes” não criam iniciativas de uma Embaixada e certamente não as mais emblemáticas. Foi-me dito inúmeras vezes que eu não conseguiria fazer o que queria fazer. Mas foram essas características de empreendedor que tinham ajudado a minha empresa a crescer, que me permitiram criar “uma impossível” iniciativa emblemática – o compromisso, a perseverança, a criatividade, a adaptabilidade e a autoconfiança.

Mas um projeto verdadeiramente bem-sucedido e sustentável não é apenas um esforço a solo; é preciso uma grande equipa. Felizmente, também devido ao enorme compromisso, criatividade e adaptabilidade da Embaixada dos Estados Unidos e da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), e de todos os nossos restantes parceiros corporativos e académicos, o Connect to Success (“C2S”) nasceu e vai continuar a prosperar, apesar da partida do Bob, e a minha, de Portugal.

O C2S foi criado com o objetivo de reforçar a economia portuguesa, através do apoio ao crescimento das empresas detidas por mulheres em Portugal e, portanto, das mulheres empresárias portuguesas. Passaram apenas 2 anos e meio desde o nascimento do C2S, mas este crescimento tem sido fantástico! O C2S tem mais de 800 mulheres a beneficiar do programa. Não temos apenas mulheres de Lisboa, Porto e Coimbra no programa, mas também mais de 100 mulheres participantes dos Açores!

Mas a evidência mais forte do sucesso do C2S não são os nossos números, mas o facto de as nossas empreendedoras C2S estarem, também elas, “paying it forward”. Elas promovem-se umas às outras, aos seus produtos e serviços, além de oferecem descontos a outras empreendedoras C2S, criarem as suas próprias redes de contacto, formando grupos de networking e voluntariando o seu tempo para conduzir workshops gratuitos para outras empreendedoras C2S.

O Bob e eu estamos de volta a Portugal em março, e estou muito orgulhosa de saber que voltamos sabendo que fizemos a diferença. Assim, encerro os meus comentários agradecendo à forte equipa que faz o sucesso do projeto C2S – a Embaixada dos Estados Unidos, a FLAD e os nossos parceiros corporativos e académicos, porque sem eles não haveria Connect to Success.

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