Muito já se falou sobre a disrupção que as start-ups causam nos incumbentes e nos demais agentes económicos das indústrias onde operam. Pouco ou nada se falou sobre as start-ups ajudarem esses mesmo agentes na sua Transformação Digital.

De forma resumida, as start-ups, nas suas respetivas indústrias, estão a atualizar os agentes económicos, suportando a transição para o novo paradigma do Social Business, dando resposta ao aparecimento do Social Consumer.

O Social Business é a capacidade de as empresas incorporarem os princípios fundamentais de uma era onde as tecnologias sociais (social media, por exemplo) e as mudanças sociais (o aparecer do Zero Moment of Truth – ZMOT, conceito introduzido pela Google em 2011, por exemplo) impactam o modo como as organizações atingem o sucesso, quer ao nível organizacional, quer ao nível do seu cliente, a razão última da sua existência.

Tenho de admitir que, até à passada quinta-feira, nunca tinha pensado nesta questão a fundo. Foi durante a moderação do painel com o André Albuquerque – Uniplaces e o João Sanches – Zomato, no âmbito do evento Procensus C.0 dedicado ao Customer Centricity, que esta ideia me veio à cabeça.

Essencialmente, as start-ups, ao introduzirem novos modelos de negócio e ao desenvolverem novos canais e novas relações com os seus clientes, suportam a Transformação Digital dos agentes económicos das indústrias onde atuam e com os quais de relacionam.

Como? A Uniplaces, por exemplo, para garantir a sua oferta, ou seja, o stock de casas para alugar a estudantes, tem de angariar casas de vários segmentos, desde particulares, pequenos empresários e investidores imobiliários. Na sua relação comercial com qualquer destes segmentos, a Uniplaces ajuda a desenvolver o negócio, não só apenas no lado da receita, mas também no evoluir do modelo de negócio vigente.  Ao ajudar os proprietários a apresentar o seu imóvel de uma maneira profissional e muito mais eficaz, utilizando todas as ferramentas digitais ao seu dispor, desde fotografia digital, passando pelo Marketing Digital até à Competitive Intelligence, a Uniplaces está a trazer estes operadores para o Social Business.

Analisando em maior detalhe. Os estudantes que procuram casa para vir estudar para Lisboa, muitos deles estrangeiros (55% dos alunos de mestrado da NOVA SBE são-no), sem contabilizar todos aqueles que vêm de todo o Portugal, começam por procurar casa online.

Hoje em dia, os alunos querem explorar e considerar as suas opções e como estas ajudam a melhorar a sua qualidade de vida. Assim, fazem um reconhecimento para ganhar os insights que precisam para tomar as suas decisões, muitas vezes através de inputs de pessoas que não conhecem pessoalmente e que nunca virão a conhecer, mas acabam por desenvolver uma relação com as mesmas. Provavelmente, alunos que estiveram na mesma situação anteriormente. Este processo de ir ao encontro das necessidades dos potenciais compradores (neste caso os alunos à procura de casa) começa no Zero Moment of Truth.

A Uniplaces está em condições de fornecer toda esta informação, ou a parte mais relevante dela, os insights. Ajuda assim o proprietário a alugar a casa dentro do prazo que delineou, através da definição de determinado preço que lhe dá uma probabilidade determinada de alugar; ajuda o aluno a encontrar a casa com as características que procura e que maior qualidade de vida lhe pode trazer. A Uniplaces está assim a suportar o endereçamento de necessidades dos consumidores, numa lógica de Social Business.

A Zomato ainda pode ser mais paradigmática, no sentido em que, além de prestar um serviço semelhante, que vai desde as fotos profissionais dos restaurantes à atualização das ementas, tem toda uma equipa que ajuda os restaurantes, bares e cafés a potenciar o seu negócio, não só no online, mas também, e muito importante, a potenciar o negócio no ambiente offline. Vejam por exemplo, os famosos autocolantes:

Zomato

Mas a Zomato não fica por aqui e, na expansão do seu negócio, desenvolveu software que, além da necessária faturação, ainda faz marcação de mesas e, entre outras funcionalidades, obtém o feedback dos consumidores via mobile marketing.

E no seguimento desta ideia inicial, comecei a pensar no real impacto que estas start-ups, assim como tantas outras, podem ter na economia de Portugal. A contribuição das start-ups para a economia nacional pode sentir-se muito para além da criação de emprego, muito dele jovem, do hype da atração de investimento estrangeiro em rondas de investimento nas start-ups cá sediadas e ajudar o país no desenvolvimento do seu Produto Interno Bruto. Pode ainda contribuir, de forma mais marcante do que as principais consultoras mundiais presentes em Portugal, para a transformação digital do tecido empresarial Português, ou seja, trazer as empresas portuguesas para o paradigma do Social Business.

Se todos os governos não fossem regidos pelos ciclos eleitorais, arriscaria dizer que foram visionários no apoio ao empreendedorismo, pois este efeito poderá renovar o motor da economia que são as Pequenas e Médias Empresas. Este efeito, no entanto, vai fazer-se sentir ao longo de vários ciclos eleitorais. Portugal agradece e parece-me que ainda vamos ouvir falar muito do João Vasconcelos.

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Sobre o autor

Luís Madureira

Luis Madureira é acreditado com o CIP-II - Master of Competitive Intelligence pela Academy of Competitive Intelligence (ACI), um de apenas dois em Portugal e de cerca de 500 profissionais a nível mundial. Licenciou-se na NOVA School of Business and Economics, em Economia com especialização em Marketing. Criou e implementou o SMINT, a primeira abordagem a nível mundial ao Competitive Intelligence (CI) em tempo-real, assim com o INNOVaction, um programa... Ler Mais