Ao Link To Leaders, Ana Barjasic explica as atividades organizadas pela EBAN e os projetos para o futuro da associação. E traça um retrato dos investidores portugueses.

Ana Barjasic começou a colaborar com a European Trade Association for Business Angels (EBAN) e a AAIA – Associação Australiana de Investidores Anjo, em Viena, em 2013, e depois mudou-se para Bruxelas para assumir a função de coordenadora da Semana Europeia de Business Angels (BAW, na sigla em inglês).

Nas suas quatro edições e sob a sua supervisão, a BAW tornou-se numa das maiores iniciativas do mundo de promoção do investimento de Business Angels e de estágios de investimento inicial, com mais de 950 eventos realizados em 55 países.

A croata é ainda diretora de Projetos da Comissão Europeia sobre investimento e preparação em nome EBAN. É mestre em Filosofia e Sociologia pela Universidade de Zagreb, na Croácia, e pela Universidade de Viena, na Áustria. O seu percurso profissional foi ainda marcado pela passagem por áreas como relações públicas, comunicação, marketing, jornalismo e gestão de projetos e eventos

O que é a European Trade Association for Business Angels (EBAN)? Qual o tipo de atividades que dinamizam?
A EBAN é uma comunidade pan-Europeia representativa dos business angels e investidores de empresas em estágios iniciais – estima-se que invistam 8,6 mil milhões de euros por ano -, assumindo um papel vital no futuro da Europa e no financiamento das PME. A EBAN reúne mais de 170 membros (com mais de 30 mil business angels europeus) de 60 países diferentes e colabora com várias entidades fora da Europa, em especial com a África e o Médio Oriente.

Para além de ser o hub líder dos business angels na Europa, a EBAN desenvolve estudos e publica relatórios sobre o mercado do investimento em estádios iniciais e as suas tendências, fornece acesso a um centro de conhecimento com conteúdos e recursos para investimentos estratégicos, facilita o contacto entre investidores e PME, através da organização de numerosos eventos, como sessões de desenvolvimento de competências e oportunidades de negócio tanto para investidores como para empreendedores, focando-se também em algumas indústrias verticais.

Que responsabilidades tem na EBAN?
A minha atual função na EBAN é a de diretora de Projetos da Comissão Europeia, estando a meu cargo a implementação dos projetos da Comissão Europeia e da Rede Eureka, com foco principal na sensibilização dos investidores para uma maior rapidez de investimento entre os empreendedores e o investidor. Também coordeno a Business Angels Week, a maior iniciativa de consciencialização para o investimento de business angel do mundo, que conta já com 950 eventos em mais de 55 países, desde a sua criação em 2013.

Qual o papel da Comissão Europeia na EBAN?
A EBAN foi, na verdade, criada em 1999 com o apoio da Comissão Europeia e da European Associaton of Development Agencies (EURADA). Desta forma, a EBAN colabora estreitamente com a Comissão Europeia, trazendo a sua experiência em vários aspetos (fundos de coinvestimento, benefícios fiscais, etc.), com o objetivo de potenciar o ecossistema europeu de investimento em estádios iniciais.

Um empreendedor tem uma ideia de negócio e necessidade de financiamento para começar. Como pode a EBAN ajudar e o que o empreendedor precisa de fazer para conseguir um investidor?
Ideias de negócios não são suficientes para conseguir investimento, apesar da crença popular. Como o discurso sobre start-ups e investimento está muito na moda, muitas pessoas iniciam uma jornada empreendedora sem qualquer preparação ou conhecimento básico sobre como apresentar um negócio a investidores, os quais, em alguns casos, podem nem sequer precisar. Os empreendedores que procuram financiamento devem implementar as suas ideias o mais possível e encontrarem clientes interessados antes de procurarem investimento. A procura e a aproximação aos investidores certos podem ser uma carga de trabalhos e têm de ser apoiadas em documentos preparados cuidadosamente, como o deck de investimento e o plano de negócios. 

Como pode alguém tornar-se num business angel?
Para se tornar num business angel, alguns dos requisitos básicos são ter, no mínimo, 10 mil euros para investir, experiência relevante de negócios e saber investir. Até mesmo business angels muito experientes junta-se regularmente para partilharem as suas melhores práticas e conselhos.

Quais as qualidades mais importantes de um business angel?
Os bons business angels têm grandes redes de contactos pessoais e profissionais e muita experiência, tanto boa como má, em negócios, assim como em investimento.

Qual o perfil dos membros da EBAN?
Os membros da EBAN têm perfis muito diferentes. Vão desde associações ou redes de business angels a business angels individuais afiliados, fundos de capital de risco, bolsas de valores, instituições educativas, entidades com um foco específico num determinado setor, como as indústrias criativas.

Onde vê a EBAN daqui a três anos?
Ao longo dos anos, a EBAN tem mostrado uma tendência para crescer em número de membros e de reconhecimento público. Espero que esta tendência continue. Num mercado europeu relativamente jovem, a EBAN afirmou-se como uma referência em diversas iniciativas de investimento angel, assim como em termos de know-how, o que vai tornar a EBAN no futuro mais reconhecida na Europa a nível político. 

Quais são as tendências na Europa em termos de financiamento de start-ups?
Para angariar fundos, as start-ups europeias estão a voltar-se cada vez mais para os business angels europeus, que em 2016 investiram mais de 6 mil milhões de euros, um montante três vezes superior ao dos fundos de capital de risco europeus. Há uma ênfase no investimento transfronteiriço, bem como no despertar de uma nova geração de business angels, por exemplo, mulheres investidoras ou investidores de impacto social. As TIC continuam a ser o setor mais popular em termos de investimento.

É moda ter uma start-up?
Absolutamente. Qualquer um pode tornar-se CEO da sua própria empresa numa questão de algumas horas, o tempo necessário para efetuar a formalização legal da empresa, mas que está muito longe de ter um negócio sustentável. Os empresários, em muitos casos, dependem demasiado do investimento, pensando que o simples facto de terem uma empresa é o suficiente para alcançarem sucesso. Esta é a razão pela qual mais de 90% das start-ups falham. Não temos que ser todos empresários e nem todos precisam de um investimento. Diz-se demasiadas vezes aos empreendedores que precisam de “acreditar no seu sonho”, em vez de implementá-lo e trabalhar duramente para isso. 

O que pensa dos business angels portugueses?
Portugal é um grande destino para investimento, não só para os investidores estrangeiros, mas também para os investidores locais. Há, muita atividade de business angel em Portugal, com 16 redes e associações de business angels ativas, que têm uma imagem muito boa também fora de Portugal. No entanto, tal como acontece noutros países, há também uma série de pessoas que se apresentam como investidores, o que não significa que sejam realmente investidores ou investidores bem-sucedidos.

Que conselhos dá aos empreendedores portugueses que estão a criar as suas start-ups?
Foquem-se na implementação, sejam proativos, falem com potenciais clientes, construam o seu pitch e estudem como apresentá-lo bem em quaisquer circunstâncias e perante qualquer audiência.

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