Está a decorrer uma hackaton no Vaticano. O objetivo é desenvolver soluções em áreas pouco trabalhadas por empresas tecnológicas.

“Não estamos satisfeitos com o serviço de Silicon Valley e que as empresas [tecnológicas] estão a fornecer.” A frase é do jesuíta Michael Czerny, responsável pela área de migração e refugiados de um projeto conduzido pelo Papa Francisco.

Este pode muito bem ter sido o ponto de partida para o hackaton organizado pelo Vaticano. Intitulado VHacks, este é o primeiro evento desta natureza organizado pela igreja católica e que conta com o apoio de gigantes tecnológicos como a Google e a Microsoft.

Ao todo, estão a participar perto de 120 alunos de 50 universidades de todo o mundo, que contam com o apoio de 35 mentores. Entre os dias oito e 11 deste mês, os participantes vão focar-se em temas como a inclusão social, migração e refugiados e no diálogo entre religiões.

“O objetivo é juntar pessoas com background em tecnologia, negócios, sociedade civil e causas humanitárias para trazerem novas perspetivas para os problemas globais chave”, referiu Eric Salobir, um padre católico e presidente de pesquisa e inovação na Optic.

O evento preocupou-se não só em trazer novas perspetivas e mostrar que a sede da igreja católica está aberta a inovações, como também conseguiu atingir uma quota de diversidade invejável a muitas empresas tecnológicas. “Há uma minoria de católicos. Temos um grande número de muçulmanos a participar e também judeus e ateus. Há um balanço de género e os cinco continentes estão representados”, explicou Jakub Florkiewicz, consultor tecnológico e organizador do evento.

O Papa Francisco já referiu publicamente que a tecnologia e a ciência não só têm o potencial para aumentar o conhecimento e entendimento entre povos, como também de potenciar a igualdade e inclusão social.

Independentemente disto, o representante máximo da igreja católica mostrou-se preocupado com o desenvolvimento tecnológico durante o Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça. “A inteligência artificial, a robótica e outras inovações tecnológicas têm de ser empregadas de forma a contribuir para o serviço da humanidade e de proteger a nossa casa comum, em vez do contrário. É vital que salvaguardemos a dignidade da pessoa humana.”

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